domingo, 30 de junho de 2019

ALIENS VS. ZOMBIES – análise da HQ

ouvindo: Angelic Upstarts, faixas aleatórias/randômicas de Teenage Warning, de 1979; Two Million Voices, de 1981; e We Gotta Get Out Of This Place, de 1982.

a primeira vez que li essa HQ foi há uns anos atrás, 2017, 2018, por ai. e... eu não peguei pra ler por causa da moda zumbi, é porque eu amo essa merda alien. #TeamAlien HA HA HA sem referência ao Black Alien, do Planet Hemp, fazendo favor (e faz uma cara que não ouço PH, observa-se).
convenhamos que a arte não é essas coisas todo mundo já viu coisa melhor, mas deixa quieto, o roteiro não é novidade, qualquer pessoa que já tenha perdido muito tempo da sua vida vendo FC dos anos 1950-1960 já está familiarizado com a ideia de vírus que vem do espaço pra fazer o caos na Terra e vem aligenígenas resolver a parada e os humanos têm que ajudar a fazer a parada.
essa é a premissa de Aliens vs Zombies, de roteiro de Joe Brusha (1001 Arabian Nights: The Adventures of Sinbad, Grimm Fairy Tales, Hellchild) [que teve a ideia da história com Ralph Tedesco (idem + Grimm Tales of Terror, Escape From Monster Island, Final Destination: Death Never Takes A Vacation)], arte de Vicenzo Ricardi (todos os já mencionados) e cores de Grostieta. [a narrativa] rola, SÓ PRA VARIAR, nos Estados Unidos, mas não é em Nova York ou em Los Angeles. começa quando um aerólito meteorito cai em Florence, distrito do condado de Burlington, no estado de Nova Jersey, e um monte de locais vão ver o que é o aerólito meteorito “trouxe um vírus alienígena que transforma todo mundo em zumbi, quem quer amostra grátis?” [essa piada não foi legal].
então, quando uma nave identifica a localização do vírus em nosso planeta (localizado no 104º Quadrante e não no 2814º), eles tocam a mula pra cá. simultaneamente, o presidente dos EUA manda tocar fogo no país enquanto ele pica a mula pra algum bunker super secreto. MAAAAAAAAAAAAAAAAAAS um dos soldados que faria parte da equipe do Força Aérea Um é mordido por um zumbi e vira zumbi justamente dentro do avião quando a equipe alien de desinfetação já ‘tá no ponto pra fazer seu trabalho de limpar o planeta, e faz o F.A.1 colidir com a espaçonave e ai começar o jogo de verdade na Streets of Philadelphia Filadélfia (cria eu que fosse a capital de algum estado estadunidense, é a cidade mais populosa do estado da Pensilvânia, sendo capital do condado homônimo).
(não deu, eu tive que fazer o link huaheauehauehaeuaheua)

equipe aligenígena de desinfetação: Misk, co-navegadora e oficial médica da espécie Risk; Chi’tak, chefe de armamento da espécie Kreel; Cromm (NÃO AQUELE CROM!), oficial de navegação da espécie Brakomi; Tamariel, cientista da espécie Vordi; Balgar, oficial de engenharia da espécie Zargan; e, por fim, capitã Nova e primeiro-imediato Raxus, da espécie Sairkilliain.
uma parte da nave cai em uma parte do condado e outra em outro, as duas equipes “arrudeadas” por aliens. em uma parte da nave tem o hardware e o software que ativam as esferas do dragão que vão limpar os contedores da praga, em outra a antena que manda o sinal para tais esferas. e o que a equipe vai fazer? isso mesmo, se aliar com os humanos mais próximos para concluir seu objetivo. e é claro que isso vai dar merda.
Brusha e Tedesco não tiveram uma ideia ruim, de verdade. não é um Promethee da vida, ou um Olympus Mons (ambos da dupla Cristophe Bec no roteiro e Stefano Raffaele, pela editora francesa Soleil) ‘tá, sim, parei, eu sei que peguei MUITO PESADO agora, tem muita HQ de alien realmente legal, mas Aliens vs Zombies NÃO É uma delas. sim, eu ‘tô sendo chato, o vilão secundário ser um negro criminoso gansta rapper estaile ofi laifi não me agradou, podiam ter pego algo muito menos estereotipado (mas é uma HQ produzida nos EUA, não poderia esperar algo muito diferente) e a espécie humana ter uma chance real de sobreviver que outras espécies não tiveram me fizeram ficar com a mesma cara de cu e o mesmo gosto ruim na boca que tive ao final de Independence Day 2. “Destino Manifesto” é o meu pau atolado dentro dos cus de vocês, caralho! 
Promethee, CRÁSSICO IMEDIATO, leiam sem pena quando tiverem oportunidade
Olympus Mons, outro CRÁSSICO IMEDIATO, valeu o mesmo de Prometheus
o ÚNICO “Destino Manifesto” que eu levo a sério é esse aqui, ó

mas... será que como game? funcionaria lembra muito um Alien Storm ou mesmo um Alien Soldier, mas teriam que dar uma senhora refinada na questão narrativa (uma chupada [UI!] em The Comix Zone, do Mega Drive, cairia até que bem), alternando cada fase um plano narrativo, até os dois se encontrarem um esquema multiplayer também seria foda. como animação só caberia se fosse de cunho adulto, ainda que criança já tenha se acostumado e ver morte a torto e a direito na mídia. live action nem pensar, mesmo que o Lenilton (do Gibiscuits) já tenha me dito que muita HQ tenha sido/seja feita pra virar L.A. ([live action] o que eu particularmente acho uma bosta, mas infelizmente minha opinião não conta), não creio que este seja o caso de Aliens vs Zombies. ou... se foi, foi um senhor fora muito valendo.
Alien Storm, de 1991, da Sega softwarehouse
Alien Soldier, de 1996, da Treasure softwarehouse
The Comix Zone, de 1995, também da Sega softwarehouse

Aliens vs Zombies não é uma leitura inesquecível, seria mais um... “conhece? sim, é um lixo, mas serve como passatempo pra salvar tua tarde e pra saber o que HQ de ficção cientifica é boa e o que HQ de ficção cientifica é ruim”. e Aliens vs Zombies quer MUITO ser uma HQ de ficção cientifica boa. mas nem o papa-jerimum Oscar Daniel Bezerra Schmidt (1958-) começou fazendo cesta de três pontos no seu primeiro jogo oficial, então.........
CEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEESTA DO OSCAAAAAAAAAAAAAAAAAR

e “FELIZ ANIVERSÁRIO!!!” e “MUITAS FARRAS NA VIDA!” para o meu chegado JEREMY MONTEIRO!


e é isso ai! leiam HQs!

BIS ZU DEM BREAKIN FUCKIN NEUEN POST!!!!

sábado, 29 de junho de 2019

poema sem título e ainda incompleto

de tanto ouvir “My Generation”, do The Who [do álbum My Generation, de 1965], desde sempre, e estar ouvindo a versão original de “Como Nossos Pais”, do Belchior [do seu álbum Alucinação {ver todas as letras no post anterior a este}], acabei escrevendo esse texto a seguir. ainda vou mudar muita coisa e colocar mais coisa, mas gostei tanto do que escrevi até agora que decidi postar.
FUCKIN ENJOY IT!

[por ora, sem título]
eu faço parte de uma geração perdida e desencantada
nos foi prometido o mundo e, ao receber, “foi isso o que vocês deixaram pra gente?”.
fazemos parte da geração que mais toma remédios para suportar e nos curar
de males que sempre estiveram por ai, desde quando o mundo é mundo,
mas só agora deram a devida atenção
porque nascemos para não deixa-los [estes males] tomar o mundo.
somos de uma geração alquebrada desguiada e não-guiada
para não repetir os erros das gerações anteriores, criamos nossos próprios erros
ainda na nossa época, estamos pagando por eles
e dano nosso jeito, entre erros e acertos, que não se propaguem a nossos descendentes
o que deixaremos a eles
como serão os próximos choques de geração
ou deveria achar normal os filhos dos meus amigos já tendo filhos
ou mesmo morrendo antes dos pais e avôs
pais e avôs e mães e avós não estão nem sempre certos em tudo
o resultado está aí pra quem quiser ver...
no que eles falharam? no que nos nós falhamos?
minha geração, não precisa dizer, não é infalível
talvez seja a mais falível
temos informação e vontade mas estamos desorientados e alienados
muitas vezes, muitíssimas vezes opcionalmente alienados, dopados, isolados
amedrontados, desencorajados, por tudo que é, está e invariavelmente será.
é pra ter esperança é pra rir ou pra chorar
ninguém solta a mão de ninguém, como dá as mãos não conseguindo fingir que não está frustrado e em pânico?
seguimos frustrados, vai com frustração mesmo...
seguimos em pânico, vai com pânico de qualquer jeito...
aos trancos e barrancos, nas coxas, às três porradas
depressão e angústia e ansiedade e síndrome do pânico e borderline são realidades nem sempre amenizadas
com/por medicação e terapia!
olhamos para o abismo, mas nos tornamos o abismo ou nascemos e vivemos nele
ou olhamos para o abismo porque nascemos e vivemos nele e não percebemos?
o quanto refletimos sobre isso na condição de
geração perdida e desencantada e (auto)enganada e (auto)desguiada?
somos privilegiados mas nos frustra não sermos todos privilegiados por igual 
indiretamente ainda conscientemente contribuímos
para os perenes reforçar e aprofundar deste cânion e outros correlacionados
nos deixando ainda mais perdidos e desencantados.
não somos só derrotados pelos erros dos outros, mas também pelos nossos e 
por quanto tempo aceitaremos?
em que momento revidaremos?
creio que só teremos, enquanto geração, uma chance de vencer
se formos todos juntos...
(consegu)ir(e)mos todos juntos?


:: 25 a 27 de junho de 2019 ::

terça-feira, 25 de junho de 2019

BELCHIOR - ALUCINAÇÃO - 1976

BELCHIOR
ALUCINAÇÃO
1976
APENAS UM RAPAZ LATINO-AMERICANO
Eu sou apenas um rapaz latino-americano, sem dinheiro no banco,
sem parentes importantes e vindo do interior.
Mas trago de cabeça uma canção do rádio
em que um antigo compositor baiano me dizia
“– Tudo é divino, tudo é maravilhoso!”

Tenho ouvido muitos discos, conversado com pessoas
caminhado meu caminho, papo, som, dentro da noite
e não tenho um amigo sequer que ‘inda acredite nisso, não,
(Tudo muda!) E com toda razão!
Eu sou apenas um rapaz latino-americano, sem dinheiro no banco,
sem parentes importantes e vindo do interior.
Mas sei que tudo é proibido.
(Aliás, eu queria dizer que tudo é permitido
Até beijar você no escuro do cinema quando ninguém nos vê!)

Não me peça que eu lhe faça uma canção como se deve,
correta, branca, suave, muito limpa, muito leve.
Sons, palavras, são navalhas
E eu não posso cantar como convém
sem querer ferir ninguém
Mas não se preocupe, meu amigo, com os horrores que eu lhe digo.
Isto é somente uma canção
A vida realmente é diferente, Quer dizer,
ao vivo é muito pior.

Eu sou apenas um rapaz latino-americano, sem dinheiro no banco.
Por favor, não saque a arma no saloon, Eu sou apenas o cantor.
Mas se depois de cantar você ainda quiser me atirar
mate-me logo, à tarde, às três,
que à noite eu tenho um compromisso e não posso faltar
por causa de vocês.

Eu sou apenas um rapaz latino-americano, sem dinheiro no banco,
sem parentes importantes e vindo do interior.
Mas sei que nada é divino. Nada.
Nada é maravilhoso. Nada.
Nada é secreto. Nada.
Nada é misterioso, não!

VELHA ROUPA COLORIDA
Você não sente nem vê
Mas eu não posso deixar de dizer, meu amigo
que uma nova mudança em breve vai acontecer,
E o que há algum tempo era jovem e novo, hoje é antigo,
E precisamos todos rejuvenescer.

Nunca mais meu pai falou: “She’s leaving home
e meteu o pé na estrada, like a rolling stone!”
Nunca mais eu convidei minha menina
para correr no meu carro... loucura, chiclete e som
Nunca mais você saiu à rua em grupo reunido
o dedo em V, cabelo ao vento, amor e flor, que é do cartaz?
No presente, a mente, o corpo é diferente
E o passado é uma roupa que não nos serve mais.

Você não sente nem vê
Mas eu não posso deixar de dizer, meu amigo
que uma nova mudança em breve vai acontecer,
E o que há algum tempo era jovem e novo, hoje é antigo,
E precisamos todos rejuvenescer.

Como Poe, poeta louco americano,
eu pergunto ao passarinho:
– Blackbird, assum preto, o que se faz?
E raven, never, raven, never, raven, never, raven, never, raven
assum preto, passo preto, blackbird, me responde: 
– Tudo já ficou atrás!
Raven, never, raven, never, raven, never, raven, never, raven
blackbird, assum preto, passo preto, me responde:
– O passado nunca mais!

COMO NOSSOS PAIS
Não quero lhe falar, meu grande amor,
das coisas que aprendi nos discos
Quero lhe contar como eu vivi
e tudo o que aconteceu comigo.
Viver é melhor que sonhar
Eu sei que o amor é uma coisa boa
Mas também sei que qualquer canto é menor do que a vida
de qualquer pessoa.
Por isso cuidado, meu bem! Há perigo na esquina.
Eles venceram e o sinal está fechado pra nós, que somos jovens.
Para abraçar meu irmão e beijar minha menina na rua
é que se fez o meu lábio o meu braço e a minha voz.

Você me pergunta, pela minha paixão
digo que estou encantado como uma nova invenção
Vou ficar nesta cidade, não vou voltar pro sertão
Pois vejo vir vindo no vento o cheiro da nova estação
e eu sinto tudo na ferida viva do meu coração.
Já faz tempo e eu vi você na rua, cabelo ao vento, gente jovem reunida
Na parede da memória esta lembrança é o quadro que dói mais
Minha dor é perceber que apesar de termos feito tudo, tudo, o que fizemos
ainda somos os mesmos e vivemos, ainda somos os mesmos e vivemos
como os nossos pais
Nossos ídolos ainda são os mesmos e as aparências, as aparências não enganam, não
Você diz que depois deles não apareceu mais ninguém
Você pode até dizer que eu estou por fora ou que eu estou inventando
mas é você que ama o passado e que não vê
mas é você que ama o passado e que não vê que o novo, o novo sempre vem
E hoje eu sei que quem me deu a ideia de uma nova consciência e juventude
está em casa, guardado por Deus, contando o seus metais.
Minha dor é perceber que apesar de termos feito tudo, tudo, o que fizemos
ainda somos os mesmos e vivemos, ainda somos os mesmos e vivemos como os nossos pais

SUJEITO DE SORTE
Presentemente eu posso me considerar um sujeito de sorte
porque apesar de muito moço me sinto são e salvo e forte
E tenho comigo pensado
“Deus é brasileiro e anda do meu lado”
E assim já não posso sofrer no ano passado.
Tenho sangrado demais, tenho chorado pra cachorro
Ano passado eu morri mas esse ano eu não morro

COMO O DIABO GOSTA
Não quero regra nem nada:
Tudo tá como o diabo gosta, tá
Já tenho este peso, que me fere as costas
e não vou, eu mesmo, atar minha mão.

O que transforma o velho no novo
bendito fruto do povo será
E a única forma que pode ser normal
é nenhuma regra ter:
é nunca fazer nada que o mestre mandar
Sempre desobedecer
Nunca reverenciar

ALUCINAÇÃO
Eu não estou interessado em nenhuma teoria,
em nenhuma fantasia nem no algo mais
nem em tinta pro meu rosto ou oba-oba, ou melodia
para acompanhar bocejos, sonhos matinais.
Eu não estou interessado em nenhuma teoria
Nem nessas coisas do Oriente, romances astrais
A minha alucinação é suportar o dia-a-dia
E meu delírio é a experiência com coisas reais

Um preto, um pobre, uma estudante, uma mulher sozinha
blue jeans e motocicletas, pessoas cinzas normais
garotas dentro da noite, revólver... Cheira, cachorro!
os humilhados do parque com os seus jornais...
Carneiros, mesa, trabalho, meu corpo que cai do oitavo andar
E a solidão das pessoas dessas capitais,
a violência da noite, o movimento do tráfego
Um rapaz delicado e alegre que canta e requebra (É demais?)
Cravos, espinhas no rosto, rock, hot dog… Play it cool, baby!
Doze jovens coloridos, dois policiais
cumprindo o seu duro dever
e defendendo o seu amor... Eh! nossa vida!
Cumprindo o seu duro dever
e defendendo o seu amor...É nossa vida!

Mas eu não estou interessado em nenhuma teoria
Em nenhuma fantasia nem no algo mais
Longe o profeta do terror que a Laranja Mecânica anuncia
Amar e mudar as coisas me interessa mais

NÃO LEVE FLORES
Não cante vitória muito cedo, não,
nem leve flores para a cova do inimigo
que as lágrimas do jovem são fortes como um segredo:
Podem fazer renascer um mal antigo.

Tudo poderia ter mudado, sim
Pelo trabalho que fizemos – tu e eu
Mas o dinheiro é cruel e um vento forte levou os amigos
Para longe das conversas, dos cafés e dos abrigos
E nossa esperança de jovens
não aconteceu, não.

Palavra e som são meus caminhos pra ser livre, e eu sigo, sim!
Faço o destino com o suor de minha mão
Bebi, conversei com os amigos ao redor de minha mesa
E não deixei meu cigarro se apagar pela tristeza
Sempre é dia de ironia no meu coração.

Tenho falado à minha garota
– Meu bem, difícil é saber o que acontecerá.
Mas eu agradeço ao tempo; o inimigo eu já conheço,
Sei seu nome, sei seu rosto, residência e endereço.
A voz resiste. A fala insiste: Você me ouvirá
A voz resiste. A fala insiste: Quem viver verá

A PALO SECO
Se você vier me perguntar por onde andei
no tempo em que você sonhava
de olhos abertos, lhe direi:
– Amigo, eu me desesperava!
Sei que assim falando pensas
que esse desespero é moda em 76.
Mas ando mesmo descontente
Desesperadamente, eu grito em português.
Tenho 25 anos
de sonho e de sangue e de América do Sul,
Por força deste destino
um tango argentino me vai bem melhor que um blues.

Sei que assim falando pensas
Que esse desespero é moda em 76.
E eu quero é que esse canto torto
Feito faca, corte a carne de vocês.

FOTOGRAFIA 3X4
Eu me lembro muito bem do dia que eu cheguei
Jovem que desce do Norte pra cidade grande
os pés cansados e feridos de andar légua tirana
De lágrimas nos olhos de ler o Pessoa
e de ver o verde da cana
Em cada esquina que eu passava um guarda me parava
Pedia os meus documentos e depois sorria
examinando o 3x4 da fotografia
e estranhando o nome do lugar de onde eu vinha
Pois o que pesa no Norte, pela lei da gravidade
– disso Newton já sabia! – cai no Sul, grande cidade;
São Paulo violento... Corre o Rio que me engana
– Copacabana, Zona Norte e os cabarés da Lapa onde eu morei

Mesmo vivendo assim, não me esqueci de amar?
Que o homem é pra mulher e o coração pra gente dar
Mas a mulher, a mulher que eu amei não pôde me seguir não
Esses casos de família e de dinheiro eu nunca entendi bem
Veloso “o sol (não) é tão bonito”
pra quem vem do Norte e vai viver na rua,
A noite fria me ensinou a amar mais o meu dia
e pela dor eu descobri o poder da alegria
e a certeza de que tenho coisas novas, coisas novas pra dizer

A minha história é talvez igual a tua:
jovem que desceu do Norte e que no sul viveu na rua
e ficou desnorteado – como é comum no seu tempo
e que ficou desapontado – como é comum no seu tempo
e que ficou apaixonado e violento como eu como você.
Eu sou como você! Eu sou como você!

Eu sou como você que me ouve agora!
Eu sou como você! Eu sou como você!

ANTES DO FIM
Quero desejar, antes do fim,
pra mim e os meus amigos,
muito amor e tudo mais;
Que fiquem sempre jovens
e tenham as mãos limpas
e aprendam o delírio com coisas reais.

Não tome cuidado.
Não tome cuidado comigo:
o canto foi aprovado
e Deus é seu amigo.
Não tome cuidado.
Não tome cuidado comigo,
que eu não sou perigoso:
Viver é que é o grande perigo.

sexta-feira, 21 de junho de 2019

“Mulher é morta por levar bolo e não salgado”
“Mulher é morta por levar bolo e não salgado”
“Mulher é morta por levar bolo e não salgado”
“Mulher é morta por levar bolo e não salgado”
“Mulher é morta por levar bolo e não salgado”
“Mulher é morta por levar bolo e não salgado”
“Mulher é morta por levar bolo e não salgado”
“Mulher é morta por levar bolo e não salgado”
“Mulher é morta por levar bolo e não salgado”
“Mulher é morta por levar bolo e não salgado”
“Mulher é morta por levar bolo e não salgado”
“Mulher é morta por levar bolo e não salgado”
“Mulher é morta por levar bolo e não salgado”
“Mulher é morta por levar bolo e não salgado”
“Mulher é morta por levar bolo e não salgado”
“Mulher é morta por levar bolo e não salgado”
“Mulher é morta por levar bolo e não salgado”
“Mulher é morta por levar bolo e não salgado”
“Mulher é morta por levar bolo e não salgado”
“Mulher é morta por levar bolo e não salgado”
“Mulher é morta por levar bolo e não salgado”
“Mulher é morta por levar bolo e não salgado”
“Mulher é morta por levar bolo e não salgado”
“Mulher é morta por levar bolo e não salgado”
“Mulher é morta por levar bolo e não salgado”
“Mulher é morta por levar bolo e não salgado”
“Mulher é morta por levar bolo e não salgado”
“Mulher é morta por levar bolo e não salgado”
“Mulher é morta por levar bolo e não salgado”
“Mulher é morta por levar bolo e não salgado”
“Mulher é morta por levar bolo e não salgado”
“Mulher é morta por levar bolo e não salgado”
“Mulher é morta por levar bolo e não salgado”
“Mulher é morta por levar bolo e não salgado”
“Mulher é morta por levar bolo e não salgado”
“Mulher é morta por levar bolo e não salgado”
“Mulher é morta por levar bolo e não salgado”
“Mulher é morta por levar bolo e não salgado”
“Mulher é morta por levar bolo e não salgado”
“Mulher é morta por levar bolo e não salgado”
“Mulher é morta por levar bolo e não salgado”
“Mulher é morta por levar bolo e não salgado”
“Mulher é morta por levar bolo e não salgado”
“Mulher é morta por levar bolo e não salgado”
“Mulher é morta por levar bolo e não salgado”
“Mulher é morta por levar bolo e não salgado”
“Mulher é morta por levar bolo e não salgado”
“Mulher é morta por levar bolo e não salgado”
“Mulher é morta por levar bolo e não salgado”
“Mulher é morta por levar bolo e não salgado”










PÁRA, VELHO, NÃO DÁ MAIS!

quinta-feira, 20 de junho de 2019

BELCHIOR – BELCHIOR – 1974

como todo mundo que frequenta aqui sabe, eu posto só letras dos álbuns oficiais de estúdio de composições inéditas. e não vai ser diferente com o mestre Belchior, já que essa observação se faz necessária devido seus álbuns Divina Comedia Humana, de 1991, e Autorretrato, de 1999, onde faz releituras das próprias músicas.
então é isso ai! espero que curtam!

BELCHIOR
BELCHIOR
1974
MOTE E GLOSA
é o novo é o novo é o novo é o novo é o novo é o novo 
é o novo é o novo é o novo é o novo é o novo é o  
novo
é o novo é o novo é o novo é o novo é o novo é o novo
é o novo é o novo é o novo é o novo é o novo é o  
novo 
passarim no ninho
(tudo envelheceu)
cobra no buraco
(palavra morreu)

você que é muito vivo
me diga qual é  
o novo
me diga qual é o novo
me diga qual é o novo
novo
novo
novo
me diga qual é o novo
me diga qual é
me diga  
qual é o novo
me diga qual é 
me diga qual é o novo
me diga qual é

A PALO SECO
Se você vier me perguntar por onde andei
No tempo em que você sonhava
De olhos abertos, lhe direi
Amigo, eu  
me desesperava

Sei que assim falando pensas
Que esse desespero é moda em 76
Mas ando mesmo descontente
Desesperadamente, eu grito em português
Mas ando mesmo descontente
Desesperadamente, eu grito em português

Tenho vinte e cinco anos
De sonho e de sangue
E de América do Sul
Por força deste destino
Um tango argentino 
Me vai bem melhor que um blues

Sei que assim falando pensas
Que esse desespero é moda em 76
E eu quero é que esse canto torto
Feito faca, corte a carne de vocês
E eu quero é que esse canto torto
Feito faca, corte a carne de vocês

Tenho vinte e cinco anos
De sonho e de sangue
E de América do Sul
Por força deste destino
Um tango argentino 
Me vai bem melhor que um blues

Sei que assim falando, pensas
Que esse desespero é moda em 76
E eu quero é que esse canto torto
Feito faca, corte a carne de vocês
E eu quero é que esse canto torto
Feito faca, corte a carne de vocês

SENHOR DONO DA CASA
Ah! Meu senhor, dono da casa,
acorde, pois o sol quer lhe dizer
que a morte fez metade do caminho,
Abra, que sou seu vizinho;
saia, pra me responder.

Que homens são esses,
que andam guerreando
de noite e de dia ?
Padrinosso, avemaria !

Quantas barcas sobre as águas,
marcas de mortos no chão;
quanto sangue derramado
na palma da minha mão...

Ave Maria, mãe do pessoal,
juntei as economias
pra gastar só nos maus dias
e gasto hoje, afinal.

Pelo sinal do pão nosso
de cada dia é que eu
me livro dos inimigos,
assim na terra, como no céu

BEBELO
b
be
bel
b belo
be belo belo
bel belo
bel belo belo belo belo
belo belo belo belo
É B O B A G E M
b bla bla bla
ba  
bla bla bla 
bal B L A
b bala
ba bala bala
bal bala
bal bala bala bala bala
bala bala bala bala
E M B A L A G  
E M
tra tra tra
tra tra tra
T R A

MÁQUINA I
- tema instrumental -

TODO SUJO DE BATOM
Eu estou muito cansado
Do peso da minha cabeça
Desses dez anos passados (presentes)
Vividos entre o sonho e o som
Eu estou muito cansado
De não poder falar palavra
Sobre essas coisas sem jeito
Que eu trago em meu peito
E que eu acho tão bom

Quero uma balada nova
Falando de brotos, de coisas assim
De money, de banho de lua, de ti e de mim
Um cara tão sentimental

Quero uma balada nova
Falando de brotos, de coisas assim
De money, de banho de lua, de ti e de mim
Um cara tão sentimental

Quero a sessão de cinema das cinco
Pra beijar a menina e levar a saudade
Na camisa toda suja de batom

Quero a sessão de cinema das cinco
Pra beijar a menina e levar a saudade
Na camisa toda suja de batom

PASSEIO
Vamos andar
pelas ruas de São Paulo,
por entre os carros de São Paulo,
meu amor, vamos andar e passear.
Vamos sair pela rua da Consolação,
dormir no parque, em plena quarta-feira,
e sonhar com o domingo em nosso coração.

Meu amor, meu amor, meu amor:
a eletricidade desta cidade
me dá vontade de gritar
que apaixonado eu sou.

Nesse cimento, meu pensamento e meu sentimento
só têm o momento de fugir no disco voador.
Meu amor, meu amor, meu amor!

RODAGEM
No meu gibão medalhado,
o peito desfeito em pó,
sob o sol do sertão,
passo poeira, cidade, saudade,
janeiro e assombração.
Nosso sinhô ! que vontade...

Meu Deus, ai! Que légua...
Eh! mundão...
Me larguei nessa viagem,
por ser a rodagem pro seu coração.

Afine os ouvidos
e os olhos, Luzia,
que eu venho de longe:
Oropa, França e Bahia.
Semana que entra,
no primeiro dia (domingo)
eu te encontro na feira, Luzia

NA HORA DO ALMOÇO
No centro da sala, diante da mesa
No fundo do prato, comida e tristeza
A gente se olha, se toca e se cala
E se desentende no instante em que fala

Medo, medo, medo, medo, medo, medo

Cada um guarda mais o seu segredo
A sua mão fechada, a sua boca aberta
O seu peito deserto, sua mão parada
Lacrada e selada
E molhada de medo

Pai na cabeceira: É hora do almoço
Minha mãe me chama: É hora do almoço
Minha irmã mais nova, negra cabeleira
Minha avó me reclama: É hora do almoço!

Ei, moço!
E eu inda sou bem moço pra tanta tristeza
Deixemos de  
coisas, cuidemos da vida
Senão chega a morte ou coisa parecida
E nos arrasta moço sem ter visto a vida

Ou coisa parecida, ou coisa parecida
Ou coisa parecida, aparecida
Ou coisa parecida, ou coisa parecida
Ou coisa parecida, aparecida

CEMITÉRIO
Mi mi
Se se
Ri ri
Cor cor
Di di
Osi osi
Ssi - ma - men - te ssi - ma - men - te
Misericordiosi misericordiosi
Misericordiosi misericordiosi
Osi osi
Osi osi
Ssimamente ssimamente

O cemitério é geral
A morte nos faz irmãos
Tu nessa idade e não sabes
Tudo é sertão e cidade
Tudo é cidade e sertão
Campina grande - vereda geral
Eh !  
vila eh ! cidadão
Campina grande - vereda geral
Eh ! civilização

Tudo é interior tudo é interior
Tudo é  
interior tudo é interior
Tudo é interior tudo é interior
Interior interior
Interior interior
Inté a capital  
inté a capital
Que babiloniou que babiloniou

MÁQUINA II
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n a
n a
máquina máquina 
máquina máquina
máquina máquina
máquina máquina
máquina  
máquina
máquina máquina
máquina máquina
máquina máquina
m a m a
máquina máquina
máquina máquina
máquina máquina
máquina máquina
máquina máquina
na na na na


agora, terminada a Revisão da Literatura da dissertação
BORA PRA FESTA É QUE É!



(p.s.: ‘tava procurando as últimas séries em HQ do Lanterna Verde em uns sites e, os analisando, caralho... uma aulinha de formatação de blog não ia mal, hein?)

quarta-feira, 19 de junho de 2019

[mais um] POEMA [sem título] ESCRITO NO BUZÃO

ai que fui ao Cine Sesc do Ver-O-Peso ver o documentário Viver Para Lutar - Episódio 1- Punk, Anarquismo e Feminismo: As Minas dos Anos 90, dirigido, escrito e editado pela brasileira Marina Knup (ver capa do doc, anúncio em Belém + e teaser abaixo) e acabei escrevendo esse poema no ônibus no caminho. não sei de onde tocou um sertanojo universotário e acabei juntando CPM22 e Bad Religion e Metallica e Belchior (aind’esse mês vou começar a postar as letras dos álbuns de estúdio do Belchior, que me dizem vai ficar foda, né?) na mesma poesia, mesmo texto, poema... foda-se, vocês entenderam.

então é isso ai.
quanto ao poema...

[¡sem título!]
se tu não vieres, o céu vai desabar
se tu não estiveres, o céu vai desabar
se tu não voltares, o céu vai desabar...!
se tu vieres
se tu estiveres
se tu voltares
quem vai segurar, quem segura o teu céu...?
isso se já não estiveres de joelhos,
o vendo desabar, em chamas...!
quando não tiver remos e motor
guiar a canoa literalmente no braço
a conduzindo rio adentro.
desaba o castelo de cartas...
desaba o céu de/em lágrimas...
caem do céu os reis e rainhas de nada
com suas coroas e armas enferrujadas
trazendo desolação e sofrimento
a todos os seres cientes de si em todas as pátrias!
o céu está sobre nós ou já caiu?
o céu ainda está sobre nós ou já caiu?
até quando o céu estará sobre nós
antes de cair?
ou já caiu há tanto tempo
que a mágoa e o desespero
são os mesmos há tanto tempo
que não lembramos mais, por mais e mais forte que tentemos,
de como era o mundo
antes do céu cair?

:: 19 de junho de 2019 ::



e sim, o documentário é fodástico! assistam, assistam, assistam!

terça-feira, 18 de junho de 2019

POEMA CPM22ÍSTICO – poema

POEMA CPM22ÍSTICO

eu não espero em vão ninguém voltar
eu não espero em vão alguém que não vai voltar...
eu não espero a gente se (re)encontrar...
eu não espero a gente voltar a se falar...
eu não espero, eu não devo esperar:
eu sei que tem dias que nunca vão chegar
assim como tem dias que terminam
mesmo se negando a terminar.
se vai piorar, piora logo e não me enrola...!
se for terminar, termina logo e não me enrola...!
será que não era hora?
será que não era mesmo pra funcionar?
é só mais esse poema cpm22ístico e nunca mais vou te perguntar.
já basta meu trabalho pra me enlouquecer
e, de brinde, minha dissertação pra terminar
e protocolar pro colegiado aprovar
e eu defender e me livrar e titular
e ir embora e deixar tudo isso pra trás:
(re)começar nunca é fácil mas vai ter que rolar,
não funfar não é uma opção.
aceitar o fim e aprender com isso
aceitar que não dá certo e aprender com isso
também fazem parte da revolução.
faz parte da revolução aprender continuamente a mais difícil lição
– não sofrer em vão.


:: 18 de junho de 2019 ::

segunda-feira, 17 de junho de 2019

DEAD FISH – PONTO CEGO – 2019

DEAD FISH
PONTO CEGO
2019
A INEVITÁVEL MUDANÇA
(Ric Mastria / Marcão Melloni / Alyland / Álvaro Dutra / Rodrigo Lima)
A narrativa vinda do colonizador
Tingiu de branco nossa história
E sem escrúpulo omitiu e apagou
O outro lado da moeda
Mas cada dia mais
Janelas vão se abrir
E a diversidade vai brilhar ao Sol

O passado frágil corre pra se proteger
Tranca a porta e fecha as cortinas
O presente do futuro que tem que acontecer
Chega e se pronuncia
E logo ao escutar
A voz de outro alguém
O velho se põe a gritar
Espernear, tenta abafar
A inevitável mudança

Do ponto cego da história brotam vozes de resistência e de luta
Quando o oprimido finalmente se expressa o resto, cala e escuta
Tirando aqueles que nunca querem ouvir
Fecham os olhos e sonham com aquilo que nunca mais será

Nunca mais será

SANGUE NAS MÃOS
(Rodrigo Lima / Ric Mastria / Marcão Melloni / Álvaro Dutra)
Sim, foi golpe!
Orquestrado
Por sorrisos velhos e apertos de mão
Rumo ao passado
A esperança das ruas de 2013
Catalizou aquele grande acordo nacional
Com o Supremo e com tudo
Pra estancar uma sangria
Em nome da família
E de um torturador

Motivo de vergonha, indignação
Os gritos que ecoam das janelas
O lado certo da história
Não tem sangue nas mãos

Uma jovem democracia
Acorrentada nos porões
Pra que velhos ratos
Possam voltar a reinar
Comprando a justiça
Não há corrupção
Entre brancos e ricos
Pois ninguém é julgado
E a vida segue

Motivo de vergonha, indignação
A cumplicidade das panelas
O lado certo da história
Não tem sangue nas mãos

Em cada casa, um ponto cego, um cidadão se levantou
Abriu a porta do armário e o preconceito se espalhou
Quando o passado volta à moda em nome de um torturador
O sonho médio é vestir a carapuça do opressor
E achar que tem poder

Buscando um inimigo
Fomenta a paranoia e o faz pra confundir
Buscando um inimigo
Aponta a arma pra si
E é assim que começa

Motivo de vergonha, indignação
Os gritos que ecoam das janelas
O lado certo da história
Não tem sangue nas mãos

POBRES CACHORROS
(Marcão Melloni / Ric Mastria / Rodrigo Lima)
Pelas passarelas de concreto
O idiota, o cidadão de bem
Desfila com seus cachorros de marca
Acessórios do status quo
Fetiche do autoritário
A rédea curta em suas mãos
Subordinado adotado
Pra aliviar sua tensão

Pobres cachorros

Aperta o passo, aperta o laço
Mostrando quem é de quem
Correção educativa
Não se aprende sem sofrer
Aperta o passo, aperta o laço
Sufocado com poder
Liberdade limitada
Vigilância para o bem

Pobres cachorros

Destruir pra dominar
Agredir e avançar
Quem é mais irracional
Nada vai sobrar

Retornando para o ponto cego
Posto de volta em seu lugar
Humilhado, preso e castigado
Sem ninguém pra lhe ouvir chorar

Confinado, segregado
Trancado de 9 às 6
Neurose alimentada
A violência vai vencer

Pobres cachorros

Destruir pra dominar
Agredir e avançar
Quem é mais irracional
Nada vai sobrar

Pobres cachorros

NÃO TERMINA ASSIM
Não

Não, não quero ouvir o que você diz
E nem ler as suas regras
Testando minha paciência ao limite de explodir
Eu quero fazer no meu tempo
Chegou minha hora de falar
Cansei de ouvir sua perfeição
Sua higiene me insulta
E seu medo e pudor me fazem rir
É assim, a partir de agora
Poder em minhas mãos

Sim!!
Se a sua voz ainda é mais alta
O que você tem de certo se tornou isso aqui
Sim, o meu caminho é diferente
E sou eu quem vai trilhar

SOMBRAS DA CAVERNA
(Marcão Melloni / Ric Mastria / Rodrigo Lima)
Privilegiada visão
De frente pra tela
Escolhe achar real
Simplista, plausível
Pra que pesar?
Elege a ilusão

Só existe o que vê
E o que vê é só o que há
A todo o resto é permitido suprimir e eliminar
Mas as sombras da caverna permanecerão lá

O medo e a ambição
Buscam um aliado
Pra manter tudo igual
Enfrenta fantasmas com munição
Quem julga nunca sangrar

Só existe o que vê
E o que vê é só o que há
A todo o resto é permitido suprimir e eliminar
Mas as sombras da caverna permanecerão lá

Conveniente ponto cego
Isolados psicóticos, no partido do eu primeiro
Remediados criminosos

O MELHOR EM UM
(Marcão Melloni / Ric Mastria / Rodrigo Lima)
Passa o muro, passa a grade
Passa a porta, passe a chave
Fique à vontade como sempre fez
Financiado privilégio
Ele é nosso, o mérito venceu

Parece que hoje vai chover
Veja a verdade na TV
Quatro paredes e o chão sagrado
Onde vigoram suas leis

Bom dia entre dentes
No território onde nada é informal
Orgulho decadente

Unitário, paralelo
Sem contato, ponto cego
O silêncio onde ecoa uma só voz
Sem saída pra evitar contágio
Soberano em seu lugar

Certezas sem questionamentos
A voz que não se faz ouvir
Qual valor em ser o melhor em um?

Confortável, nos limites
Porta afora inimigos
Outras vozes, outros egos
Conglomerado de ruídos

Cada porta
Cada um
Cada qual seu próprio rei

Certezas sem questionamentos
A voz que não se faz ouvir
Qual o valor em ser o melhor em um?

DOUTRINA DO CHOQUE
(Marcão Melloni / Ric Mastria / Rodrigo Lima)
Na guerra não convencional
Na doutrina do choque
O predador neoliberal
Faz a festa
Do Deus mercado e capital desregularizado
Se alimentam oligarcas

Pros senhores do mundo
Multipolaridade
Tirar dinheiro de suas mãos
Reserva de petróleo
Que não lhes cabe parte
Necessita intervenção

A guerra híbrida não usa força militar
Vigia e explora pontos vulneráveis
Pra impor ou se opor, pra tomar o poder
Interfere no processo eleitoral
Vulgo golpe

Atrás do orgulho nacional
Em nome do progresso
O predador neoliberal
Faz a festa
Novo sistema laboral
Fábrica de escravos
Prioriza oligarcas

Desorientação reduz a resistência
A classe média faz a sua parte
Jogando sujo contra a corrupção
De emergente à subserviente

Abrindo espaço para o Chicago boy
Privatizar todas estatais
Favorecer os ricos às custas dos pobres
Eliminar programas sociais
Arma na mão pra garantir a paz
Do virtual ao institucional

Destruir para lucrar com a reconstrução
Trocar de dono
No ponto cego está toda a população
Meros inquilinos
Empreendendo, pagando a conta
Pro bem-estar de poucos

Na guerra não convencional
Na doutrina do choque
O predador neoliberal
Faz a festa
Devorando tudo até não sobrar nada
Capitalismo do desastre

ETIQUETA SOCIAL SUV’S (STUPIDS UTILITY VEHICLE)
(Marcão Melloni / Ric Mastria / Rodrigo Lima)
Distribuída ordem na vertical
Protege suas vidas
Na mira das armas
Filhos, pais e mães
Prevalecem os seus

Se a morte humana te torna melhor
Se esse holocausto te faz bem
No mundo egocêntrico das SUV’s
Quem matou?
Quem morreu?

Usar de sangue derramado pra justificar
Autoajuda, gasolina
Seu sadismo classicista

Atropele pobres marginais
Na velocidade da luz
Sua ética do tanto faz
Tornando mais leve a cruz

O conservadorismo hipócrita do pregador
Elege seus bolsos
A justiça tira a venda e escolhe o vilão

Quem se encarcerou na estupidez
Da própria coerência é refém
Quem comprou com egoísmo
Que receba a prestação
Sem classe, vitimismo, sem razão
Acima de tudo sempre foi você
E no ponto cego enxergar
A tragédia prevista

Motores potentes pro bem
Na velocidade da luz
Golpistas prudentes não veem
O abismo que os matará

Pra onde for o desprezo
Ele voltará
Sem motivo, assustando
O troco a pagar
Em bólidos onde nem a temperatura é real
Não vislumbra o horror
Que escolheu colher

Pra onde for o desprezo
Ele voltará
Com motivo, assombrando
O troco a pagar
Em bólidos onde nem a temperatura é real
Não vislumbra o horror
Que escolheu colher

APAGÃO
(Marcão Melloni / Ric Mastria / Rodrigo Lima)
Fez-se o tumulto
E a desinformação
Daí surgiu a oportunidade
Se instala o medo
E a insensatez
Que não aflige quem tem muro e grade

Quando alguém vier bater
A sua porta a noite
E não tiver a quem recorrer
Como será?

Quando o discurso
É posto em ação
Daí talvez já seja muito tarde
No ponto cego
O grito é em vão
A vida tem suas fatalidades

Quando alguém vier bater
A sua porta a noite
E não tiver a quem recorrer
Como será?

Cegando o bairro e o estado
Cegos de cima a baixo
Incentivando a privada em detrimento de todos
Uma cagada liberal
Imediatista imoral
O fascismo informal
Noite infértil, escura, longa e fria

O grito é em vão

Os absurdos
Em meio ao apagão
A quem foi dada legitimidade?
Cegos e surdos
Em meio ao apagão
A vida tem suas fatalidades
Batendo a sua porta
Em meio a escuridão
Ninguém ouve ou vê

JANELAS
(Marcão Melloni / Ric Mastria / Rodrigo Lima)
Janelas abertas
Mentes fechadas
Cortinas bonitas
Ideias erradas
A luz que não penetra a escuridão
Escolhas que restringem a visão

Panorama limitado

Uma depravada
Especulação
O preço é alto
Ganância ambição
A água que chega para destruir
Encharca as plantas que não tem raiz

Receitas fabricadas
Pra esclarecer
Humanos sem olfato e sem cor

Se um dia a luz entrar
E revelar os erros dessa existência
Mostrando sombras
O que é real
E não se pode esconder

Uma vida mensal
Entre quinas e contas
Nas paredes seguras
Dessa não-relação

No ponto cego é fácil disfarçar
O cheiro podre de todo andar

Se um dia o Sol entrar
E não aquecer
Só a noite vai morar
Dentro deste ser

MESSIAS
(Marcão Melloni / Ric Mastria / Rodrigo Lima)
Bom dia, grupo! Olha a notícia
Sentimental e alarmista
Que desperta indignação
E aponta um inimigo
Bom dia, grupo! Olha a notícia
Gráficos e estatísticas
Condizentes com a intuição
O inimigo é culpado

Em meio à crise
Sacramentado salvador
Se quer acreditar

Unidos pelo ódio
A um mesmo inimigo
Que belo sentimento
Fazer parte da tribo

Preste atenção ao demagogo
Há trinta anos nesse jogo
Ele agora é a salvação
Ele agora é a salvação

Sem diálogo, nem projetos
Dando graças ao ódio e ao medo

Em meio à crise
Autoritário opressor
Vem pra contagiar

A epidemia se espalhou
Por todos os lados
A mentira viralizou
Tornou-se real
O horizonte é o ponto cego
Quando se olha só para si

É o preço que se paga

Se a democracia estiver
Entre o rei e o que ele quer
É a caneta ou a espada
Que prevalecerá

Em meio à crise
Autoritário opressor
Vem pra contagiar
Sacramentada pós verdade
Rebanho pronto pra aceitar
Criados pra matar
Aplaudindo o salvador

RECEITA PRO FRACASSO
(Marcão Melloni / Ric Mastria / Rodrigo Lima)
Congele o investimento em saúde e educação
Reduza a idade de trancá-los na prisão
Desigualdade aumenta, a repressão também
Uma guerra de classes beneficia a quem?

Frágeis soluções
A pressão faz o sangue ferver
Alimentando frustrações
Receita pro fracasso

Busque um emprego com a terceirização
Pode negociar direto com o patrão
Aceite a migalha e nem pense em reclamar
Pois sempre terá outro querendo seu lugar

Alimente o próprio ego
Tudo mais é um ponto cego
Além da limitação
Inútil argumentação
Propague a insegurança
E o medo vai crescer

O medo vira ódio
O ódio busca um alvo
Receita pro fracasso
Salve-se quem puder

Polarize
Emburreça
Mexa a massa
Leve ao fogo

Frágeis soluções
A pressão faz o sangue ferver
Alimentando frustrações
Receita pro fracasso

Aproveite para consumir
Desenfreadamente
Todo e qualquer recurso
Humanos vão prevalecer
E essa é a receita

DESCENDO AS ESCADAS
(Marcão Melloni / Ric Mastria / Rodrigo Lima)
Descendo as escadas
A vida alheia entretém
São Paulo machuca e a solidão também
Venda casada, a solução final
Numa história vazia a empatia se desfez
Em corredores, cultos e ações
Comportamentos afetados por lições
Se faz valer sempre o mais forte
Em nome do perdão, deuses fazem reféns

Dedo no gatilho, sempre a reação
Encarar escolhas, enfrentar o depois
Interpretar a vítima pronto pra matar
Não se deve contestar

Não vai adiantar
Tentar esconder
No ponto cego neutro e seguro
Que encontrou
Dentro de um vazio
Que não cicatrizou
E não vai denunciar
Nem se mostrar cruel

Do branco da parede
Determinada perfeição
Insultos inanimados, uma vida sem som
Por trás das evidências, uma moral sem cor
Escuridão humana travestida de ação

Mãos sob controle, ocupam a visão
Hipnose em massa, assimilação
Interpretar a vítima pronta pra morrer
É preciso compreender

Não vai adiantar
Tentar esconder
No ponto cego neutro e seguro
Que encontrou
Dentro de um vazio
Que não cicatrizou
E não vai denunciar
Nem hesitar
Em se mostrar cruel

Água empoçada, rigidez, torpor
Discurso de casta, modelo importado
Baixa tolerância, alta infração
Seguindo a hierarquia e vivendo em negação

Não vai justificar
Roubar pra empreender
Cuspir, bater a porta
Ordenar quando convém
Comércio a sangue frio
Sofrimento é transação
E não vai denunciar
Nem se mostrar cruel