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e ai que tenho três livros de autoria publicada que fiz praticamente tudo neles e vou fixar esse post aqui com os três pra download e todos...

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domingo, 29 de setembro de 2024

O SILÊNCIO DO BAD RELIGION SOBRE O GENOCÍDIO PALESTINO

ouvindo: Ex-Kombro, Alambres Y Barrotes, de 2021

¿mas sim, Graffin?
¿mas sim, Gurewitz?
¿¡¿VÃO SE PRONUNCIAR QUANDO, SEUS CARALHOS?!?

na reportagem Explica a fúria do mundo[1], presente na edição 149 da finada e saudosa ShowBizz, publicada em setembro de 1997, o Renato Russo (1960-1996) disse que TODOS os ídolos têm PÉS DE BARRO. caindo no lugar comum, a prisão do Puff Daddy, que fez cair uma galera, igualzinho como a prisão do Karl Logan, por consumo de pornografia infantil, fez velório e enterrou a carreira do Manowar. ‘tá, sim, não sei como o Lemmy Kilmister ser colecionador de indumentárias e armamentos nazistas não fez velório e enterrou a carreira do Motörhead[2]. 
edição 146 da ShowBizz, publicada editora Abril em setembro de 1997.

toda 
TODA 
T
O
D
A 
a comunidade punk MUNDIAL grita contra israhell[3] pelo que fazem na Palestina desde o começo/existência/origem de tal subcultura. os Garotos Podres, como maior exemplo no Brasil, já fizeram isso – vide “Fuhrer”, do álbum Mais Podres do que Nunca, lançado em 1985.
 Garotos Podres, “Führer” 

desde o atentado que poderia ser evitado em 7 de outubro de 2023[4][5], que israhell já se prontificou a MATAR QUARENTA E UM MIL PESSOAS[6], sendo a maioria de MULHERES e CRIANÇAS[7] e a mídia hegemônica, como já era de se esperar, chamando um MASSACRE de GUERRA. e, como já era de se esperar, comunidade judaica brasileira METENDO MAIOR PILHA. como já era de se esperar, mídia hegemônica e comunidade judaica dizendo que israhell ‘TÁ SE DEFENDENDO DOS “TERRORISTAS” PALESTINOS. 
como o renomado anarquista, ativista político, professor, linguista e filósofo estadunidense Noam Chomsky observou[8], sempre 
SEMPRE
S
E
M
P
R
E 
essa porra de israhell, amparada e financiada pelos hellstados unidos, meter n ofensivas – geralmente pra testar novas armas de destruição em massa – nos países circunvizinhos e depois se botar de coitada e a mídia hegemônica não coincidentemente e não surpreendentemente patrocinada pela e a comunidade judaica, comprando e propagando [ess]a ideia. 

“mas onde o Bad Religion entra nesse contexto?” 

a comunidade punk MUNDIAL grita contra israhell desde que a reencarnação do Adolf Hitler (1889-1945), Benjamin Netanyahu, atual primeiro-ministro do supramencionado estado fascista-terrorista, desde dezembro de 2022[9]. o arrombado, inclusive, teve a pachorra de dizer, em sessão da ONU, que seus planos são estender o “país” do rio Jordão até o mar Mediterrâneo, passando por cima de todo mundo no processo, pagando o preço que fosse preciso[10]. “estado pacífico”, né? tão pacífico que uma facção criminosa usa a bandeira do mesmo como principal representação simbólica[11].

“mimimi ‘tá exagerando, dizendo que o Netanyahu é ‘a reencarnação do Hitler’ mimimi”

uma das táticas propagandistas de tempos de guerra é SEMPRE DESUMANIZAR seus inimigos/adversários/antagonistas. eu vou dar[12] um caminhão de transportes de peças de motor de petroleiros, cheio de bombons de São Cosme e São Damião[13], pra quem usou essa metodologia durante a II Grande Guerra pra desumanizar judeus e “justificar” trancafia-los em campos de concentração. NÃO COINCIDENTEMENTE, a trupe de mambembes do Nazitanyahu ‘TÁ FAZENDO A MESMA COISA[14].
São Cosme e São Damião

enquanto a comunidade punk MUNDIAL grita contra israhell, o BAD RELIGION – a saber, MAIOR BANDA PUNK DO MUNDO EM ATIVIDADE HÁ PELO MENOS UNS TRINTA ANOS – ficou em silêncio. NÃO. DEU. UM. PIO. tem até um grupo no Facebook chamado The Bad Religion Page Group que eu fui comentar isso E TIVE TODAS MINHAS POSTAGENS SOBRE EXCLUÍDAS. o bando de filho da puta disse que não era pra comentar aquele tipo de assunto. mas falar sobre as letras da banda, todo mundo quer. 
rapá, é irônico a banda fez o The Empire Strikes First[15], álbum praticamente integralmente conceitual sobre a invasão estadunidense ao Iraque (NÃO TÔ DEFENDENDO O SADDAM HUSSEIN) e sempre meteu o pau na política externa intervencionista estadunidense. agora – enfim, chegamos lá – o bonitinho do GREG GRAFFIN e o bonitinho do BRETT GUREWITZ, a.k.a. OS LÍDERES E ÚNICOS PRINCIPAIS COMPOSITORES DA BANDA, estão pianinho com israhell cometendo esse GENOCÍDIO.
The Empire Strikes First
, de 2004

NÃO SUFICIENTE, o supramencionado estado fascista-terrorista – que ainda se faz de coitado quando não aceita ser enfrentado nos jogos olímpicos, porque os atletas têm o mínimo de decência e consciência política – ainda começou a atacar o Líbano desde 24 de setembro último, já matando mais de 1.000 libaneses e deixando cerca de 6.000 feridos[15]; e o Iêmen, desde 29 de setembro [data dessa postagem, inclusive], deixando quatro mortos e 45 feridos[16].
. 

Graffin e Gurewitz? 
NEM UM PIO 

sim, há de se considerar-se que os dois são descendentes de judeus
FODA-SE 
o Noam Chomsky também é E BOTOU A BOCA NO MUNDO!
um CARALHAL de descendentes de judeus PELO MUNDO BOTARAM A BOCA NO MUNDO E AINDA ESTÃO 
sim, há de se considerar-se que o Graffin é professor universitário e talvez não esteja querendo queimar seu próprio filme com a instituição
FODA-SE 
o Noam Chomsky também é E BOTOU A BOCA NO MUNDO!

eu poderia dizer que... ‘tá no meu top 5 de decepções da vida o Graffin ter ascendência judaica. mas eu me decepcionei com tanta gente de março do ano passado pra cá que nem vale à pena bater cabeça com isso eu fico é puto desse silêncio sobre estas caralhagens desse grupo terrorista supracitado, enquanto todo mundo da cena[17] “SIM, VÃO SE FAZER DE DOIDOS, É, CARALHO?”, sendo que NÃO DÁ pra se fazer de doido, feat. ficar isento.

pra mim 
PRA MIM 
PRA MIM 
esse silêncio dos dois – e dos demais integrantes – já me diz muita coisa sobre esse posicionamento (não sei se posso chamar de “indignação seletiva”, posso?). não é algo que eu esperava, mas também não não é algo que... surpreenda.

‘bora ver o que vai acontecer no próximo full length da banda 





[1] não consegui achar quem assinou a reportagem em questão.
[2] não sei, creio que isso fale mais sobre o fandom do Motörhead do que sobre o Motörhead em si.
[3] como sou aberta e assumidamente a favor do fim este estado fascista-terrorista em questão, a grafia vai ficar assim mesmo e foda-se quem não gostar.
[4] KUBOVICH, Yaniv. ‘This Massacre Should Have Been Prevented’ | Despite Israeli Intelligence Warnings About a Hamas Attack, the Army Didn’t Evacuate the Nova Festival. Haaretz, 5 dez. 2023. disponível em https://www.haaretz.com/israel-news/2023-12-05/ty-article/.premium/despite-intel-warnings-about-a-hamas-attack-the-army-didnt-evacuate-the-nova-festival/0000018c-3993-dc03-a9ec-3dfb2cda0000.
[5] MADDOX, Bronwen. Could Israel’s attacks on Hezbollah open the way to a strike on Iran’s nuclear facilities?. Chatham House, set. 2024. disponível em https://www.chathamhouse.org/2024/09/could-israels-attacks-hezbollah-open-way-strike-irans-nuclear-facilities.
[6] UNITED NATIONS. Over 41,000 Palestinians have been killed, with more than 93,000 injured, says UN Senior Humanitarian and Reconstruction Coordinator for Gaza. 16 set. 2024. disponível em
[7] ANDES-SN. Mais de 9 mil estudantes palestinos já foram mortos pelos ataques de Israel na Faixa de Gaza. 18 jul. 2024. disponível em https://www.andes.org.br/conteudos/noticia/mais-de-9-mil-estudantes-palestinos-ja-foram-mortos-pelos-ataques-de-israel-na-faixa-de-gaza1
[8] CHOMSKY, Noam. Piratas & Imperadores. Antigos & Modernos. Bertrand, 2006.
[9] ele também já ocupara o cargo de 1996 a 1999 e de 2009 a 2021. 
[10] RICKETT, Oscar. Benjamin Netanyahu and maps: A brief history of an enduring love affair. Middle East Eye, 6 set. 2024. disponível em https://www.middleeasteye.net/news/benjamin-netanyahu-maps-brief-history-enduring-love-affair 
[11] UOL. Traficantes e 'pastor': a facção que exige conversão e práticas religiosas. 13 mar. 2024. disponível em https://noticias.uol.com.br/cotidiano/ultimas-noticias/2024/07/26/entenda-o-complexo-de-israel-no-rio-de-janeiro.htm.
[12] LÁ ELE
[12] KHALIDI, Rashid. It’s Time to Confront Israel’s Version of “From the River to the Sea”. The Nation, 22 nov. 2023. disponível em https://www.thenation.com/article/world/its-time-to-confront-israels-version-of-from-the-river-to-the-sea/.
[13] comemorado todo 27 de setembro.
[14] lançado em 2004, que completou 20 anos em junho deste ano.
[15] ROSE, Emily; GEBEILY, Maya. Israel bombardeia o Líbano e pressiona o Hezbollah. Agência Brasil, 29 set. 2024. disponível em https://agenciabrasil.ebc.com.br/internacional/noticia/2024-09/israel-bombardeia-o-libano-e-pressiona-o-hezbollah.
[16] ALKHSHALIDA, Hamdi. Ataque israelense deixa quatro mortos e 45 feridos no Iêmen, dizem Houthis. CNN Brasil, 29 set. 2024. disponível em https://www.cnnbrasil.com.br/internacional/ataque-israelense-deixa-quatro-mortos-e-45-feridos-no-iemen-dizem-houthis/.
[17] e de outros nichos artísticos, inclusive.










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quarta-feira, 18 de setembro de 2024

XIRA - quadrinho comentado e analisado

ouvindo: Social Insecurity + Dread 101, Social Insecurity + ...And Systems Continue, 2002

existe uma área do conhecimento chamada Psicolinguística, que quem saca esse blog entre o triênio 2011-2013 sabe muito bem que essa cátedra foi o meu caos na terra durante minha graduação, que quase que não me formo por causa dessa feladumégua.
a cadeira em questão trata de estudar como seres humanos adquirem, processam, desenvolvem e produzem linguagem[1]. dentro deste contexto, há a memória (não, não o que o Halbwachs[2] e o Ricœur[3] entendem como memória), que traz à tona recordações de experiências anteriores similares[4].
sabendo disso, ler Xira, dos argentinos Diego Giribaldi (arte), Mauro Mantella (roteiro) e Ramon Ignacio Bunge (colorista), me fez lembrar praticamente imediatamente do pequeno grande clássico do começo desse século We3, de Grant Morisson (não preciso dizer QUEM é o Grant Morisson) e Frank Quitely (não preciso dizer QUEM é o Frank Quitely), mesmo porque o próprio Diego Giribaldi admite a influência e inspiração da, talvez, minha obra favorita do Morisson.  
Xira 
#1, arte de Diego Giribaldi, roteiro de Mauro Mantella e cores de Ramon Ignacio Bunge. Estados Unidos: Red 5 Comics, julho de 2020
Xira 
#2, arte de Diego Giribaldi, roteiro de Mauro Mantella e cores de Ramon Ignacio Bunge. Estados Unidos: Red 5 Comics, agosto de 2020
Xira 
#3, arte de Diego Giribaldi, roteiro de Mauro Mantella e cores de Ramon Ignacio Bunge. Estados Unidos: Red 5 Comics, setembro de 2020. 
We3 
#1, roteiro de Grant Morisson e arte de Frank Quitely. Estados Unidos: Vertigo, 2004.
We3 
#2, roteiro de Grant Morisson e arte de Frank Quitely. Estados Unidos: Vertigo, 2004.
We3 
#3, roteiro de Grant Morisson e arte de Frank Quitely. Estados Unidos: Vertigo, 2004.

Xira também lembrou Projeto Secreto: Macacos, com o Matthew Broderick (não preciso dizer QUEM é o Matthew Broderick), por praticamente ter a mesmíssima pegada “primatas sendo testados por militares para se tornarem armas vivas”. não coincidentemente, não surpreendentemente, o projeto do filme do Kaplan e o da história do Morisson acontecem com armas desenvolvidas pela USAF (¿por que qual outro grupo terrorista usaria uma arma desse tipo, né não?).
Projeto Secreto: Macacos, direção de Jonathan Kaplan, roteiro de Lawrence Lasker e Stanley Weiser. Estados Unidos: distribuição internacional da (até então) 20th Century Fox, 1987. 

“mas e a Xira?” pergunta totalmente quinta série feelings
Xira é um gorila fêmea que reside em uma instalação de tortur... pesquisa que utiliza primatas não-humanos. não fica especificamente específico do que são estas pesquisas, mas quando catei as capas no ComicVine, ‘tava descrito que são tortur... pesquisas que visam criar astronautas melhores (FAZER ISSO COM HUMANOS NINGUÉM QUER, NÉ, CARALHO!?), mais fortes, mais rápidos e mais inteligentes. como de praxe, os cientistas a tratam como mais uma primata não-humana estúpida, a quem lhe foi permitida procriar para que sua prole também seja submetida a... creio... testes de verificação de transmissão de genes a partir dos experimentos aos quais Xira fora submetida. não é explicado como nossa heroína consegue uma arma, mas ela mete um balaço no coco do cientista-chefe, não só porque ele é um escroto de marca maior, MAS PORQUE É UM ZÓOFILO TAMBÉM. Xira, não surpreendentemente [‘tá, sim, surpreendentemente sim] consegue fazer uma FUCKING análise sociopsicológica[5] a partir de uma leitura corporal do segurança de um traje capaz de atuar a a 30 vezes a atmosfera a terra[6] e tira o segurança da jogada. sim, Xira fala como um ser humano (se bobear, melhor do que muito “ser ‘humano’ que eu conheço), o que deixa praticamente todo mundo surpreso – os cientistas e quem ‘tá lendo a hq em questão[7].
no trajeto de fuga para encontrar o grupo militante pelos direitos dos animais não-humanos, chamado [talvez muitíssimo convenientemente] de ZOO FIGHTERS, “não sei opinar”[8] se a melhor parte foi ela meter um míssil em um comboio possível situado para obstruir sua passagem ou ela tratorar uma equipe da swat, jogando, inclusive, um carro em um helicópteros de guerra que fora tirar a de combate, visto que ela portava “um vírus capaz de fazer antrax parecer fermento em pó”, às palavras do chefe de polícia (sim, o que leva o míssil na fuça) – vírus, inclusive, de influência nula a primatas não-humanos. as situações mencionadas são maravilhosas de se ver porque a arte do Diego Giribaldi não é bagunçada e as cores feitas pelo Ramon Ignacio Bunge são nítidas, não parecem estar todas uma em cima da outra, não permitindo o discernimento do que cada personagem é em cada quadro.
mas tal como em We3, mandam uma arma propriamente dita para parar Xira de uma vez por todas. um babuíno em uma armadura hipertecnológica, que, pelo dito por um dos cientistas, dá pra entender que já foi utilizado em batalha anteriormente. achei legal que o Mauro Mantella faz uma referência/homenagem indireta muitíssimo ao escritor estadunidense ERNEST HEMINGWAY (1899-1961) (não preciso dizer QUEM é o Ernest Hemingway), pois enquanto em inúmeras histórias do Hemingway, as personagens femininas não têm nome, além da própria Xira, a única personagem que tem nome é Marko, o babuíno da armadura hipertecnológica, usado pelo governo dos EUA (¿por que qual outro grupo terrorista usaria uma arma desse tipo, né não?²). achei isso interessante para caralho e seria legal o Morisson ter feito isso em We3.
após Xira e sua cria essa frase nao ficou legal, convenhamos já terem encontrado os Zoo Fighters[9] e Xira alimentar sua cria, ocorre uma batalha destroyer entre Xira e Marko, que após este arrancar o braço da cria de Xira, o que provoca sua ira e então lhe dá a vitória na batalha. por fim, através da divulgação do Manifesto Xira, pelos Zoo Fighters, na qual ela se declara “a voz dos que não têm voz”, a comunidade científica mundial decide parar de uma vez com as pesquisas em animais não-humanos. UHUM, ‘TÁ, VOU ACREDITAR QUE VAI SIM.
Xira é um manifesto ecológico e um convite a discussões sobre o atual estado e mesmo o futuro da bioética, das quais a médica, militante feminista e bioeticista Fátima Oliveira (1964-2017) – autora do volume Bioética, da coleção Polêmica (Moderna, 1997, 144 páginas) – ficaria orgulhosíssima em ver e participar o texto de Mantella, Giribaldi e Bunge, além de excelente contribuição aos quadrinhos de ação e de ficção científica (que andam juntos quase sempre desde sua gênese), é um tremendo de um chute na boca dos nerdolas chorões pleonasmo mode on turbo que dizem não querer discussões sobre política no referido gênero tetual (sim, os quadrinhos). 
creio que a própria Fátima Oliveira, pra quem dedico esse texto, adoraria ler essa HQ, justamente por sua protagonista ser uma fêmea, uma mãe e um ser vivo que só quer viver e o melhor para sua prole.

leiam Xira






[1] SÁ, Thaís Maíra Machado de; OLIVEIRA, Cândido Samuel Fonseca de. Métodos experimentais em psicolinguística: uma introdução. In: OLIVEIRA, Cândido Samuel Fonseca de; SÁ, Thaís Maíra Machado de [orgs.]. Métodos experimentais em psicolinguística. - 1. ed. - São Paulo : Pá de Palavra, 2022.
[2] HALBWACHS, Maurice. A memória coletiva. São Paulo: Editora Revista dos Tribunais, 1990.
[3] RICOEUR, Paul. A memória, a história, o esquecimento. Trad. Alan François et al., Campinas/SP: Editora da Unicamp, 2007.
[4] GUIMARÃES, Mara Passos. O priming estrutural na pesquisa linguística. In: OLIVEIRA, Cândido Samuel Fonseca de; SÁ, Thaís Maíra Machado de [orgs.]. Métodos experimentais em psicolinguística. - 1. ed. - São Paulo : Pá de Palavra, 2022.
[5] PAIVA, Vera Silvia Facciolla. Psicologia na saúde: sociopsicológica ou psicossocial? Inovações do campo no contexto da resposta brasileira à AIDS. Temas em Psicologia, vol.21 no.3, Ribeirão Preto dez. 2013.
[6] eu poderia colocar a 30 atm, mas isso ia lembrar muito os treinos do Vegeta e do Goku na ida a Namekusei.
[7] ¿qual o nome que os eleitores do mileso dão pra histórias em quadrinhos?
[8] Pires, 2016.
[9] eu lia e pensava “caralho, esse bicho é muito filho da puta” HAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHA 









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quinta-feira, 1 de fevereiro de 2024

“PREÇO ALTO” – poema de Emanuel Matos

 ouvindo: Die In Vain, Savage New Times, de 2023

PREÇO ALTO
« Emanuel Matos, escritor e músico paraense » 

Quanto custa um poema?
Não sei. Nunca fiz um. 
Sei de ouvir falar:
Uns custam os olhos da cara.
Outros a alma e algo mais.
Há poema cujo custo é a vida.
Sabe-se de alguns
Capazes de abrir feridas
Deixar de cama, de coma,
No oxigênio, sem perdao.
A loucura tem sido
O preço de muitos poemas,
Assim como a mendicância
O silêncio e a solidão. Muitos creem que o poema
Seja uma grande graça
E por isso, parece,
Não tem sido muito valorizado.

» “Preço Alto” está presente em Antologia da Poesia Paraense #1, idealizada pelo poeta Ronaldo Franco, com o suporte técnico da Pará.grafo Editora, publicada em 2021 « 









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quinta-feira, 25 de janeiro de 2024

ESTRANHOS NO PARAÍSO – análise et crítica do filme

ouvindo: Neil Young, Dead Man, de 1996.

“Take my hand I’m a stranger in paradise
All lost in a wonderland
A stranger in paradise
My eyes are shining?
If I stand starry eyed there’s a danger in paradise
For mortals who stand beside an angel like you

I saw your face ascending
Out of the common place and into the rare
Now somewhere out in space I hang suspended
Until I'm certain that there’s a chance that you care

Won’t you answer this fervent prayer
Of a stranger in paradise?
Don't send me in dark despair
From all that I hunger for
But open your angel's arms
To this stranger in paradise
And tell him that he need be
A stranger no more”
– Sarah Brightman, “Stranger In Paradise”[1]

primeira, primeira, primeira vez que tive acesso ao termo Estranhos no Paraíso foi quando li uma crítica do filme Dead Man: Homem Morto[2] na finada e saudosa revista Set, da editora Abril, que, por muitíssimo tempo, foi a única revista de divulgação de cinema no Brasil, ainda que fosse extremamente elitista e excludente, mesmo que tentasse pegar tudo o que fosse produzido de relevante no Brasil e no mundo, a exemplo da igualmente – senão mais, muito mais – finada e saudosa revista Bizz (depois ShowBizz), da mesma casa. me corrigindo, destes periódicos da Abril que saíram na década de 1980, só se mantém até hoje – e com um mínimo de relevância – a SuperInteressante[3], que já falei muito, muitíssimo por aqui. 
Dead Man: Homem Morto
, direção e roteiro de Jim Jarmusch. Alemanha, Japão, EUA: Miramax, 1995.
revista Set, da editora Abril, publicada no Brasil entre junho de 1987 e novembro de 2010
revista [Show]Bizz, da editora Abril, publicada no Brasil entre agosto de 1985 e julho de 2007
revista SuperInteressante, da editora Abril, publicada no Brasil desde setembro de 1987

nesta mesma resenha de meia página de Dead Man, eu li, pela primeira vez, os nomes Neil Young e Jim Jarmusch. o primeiro, responsável pela trilha sonora da obra[4]. o segundo, diretor e roteirista da mesma. cito primeiro o primeiro pela sua inquestionável relevância na minha vida desde que ouvi toda sua discografia, no primeiro semestre da graduação[5]. cito segundo o segundo porque........................ eu só lia et ouvia críticas extremamente positivas das obras do cara e........................ 
tem uma HQ que eu amodoro para um caralho chamada ESTRANHOS NO PARAÍSO, escrita e desenhada pelo estadunidense Terry Moore entre 1993 e 2007, pela qual eu declarei todo meu amor e admiração NESTE POST AQUI. e como falei neste mesmíssimo texto, Estranhos no Paraíso é “junto com Bone e Hellboy, dos também estadunidenses Jeff Smith e Mike Mignola, é uma das melhores coisas da década de 1990, considerada a década perdida dos quadrinhos norte-americanos” (Quilômetros-a-Pé, 2009[6]). ademais, como falei NESTE POST AQUI, eu gosto de pensar que Retalhos, do Craig Thompson, “é o Estranhos no Paraíso do século XXI” (idem, 2010)
Estranhos no Paraíso
, roteiro e arte de Terry Moore. Estados Unidos: Abstract, 1993 e 2007. saiu em brasileiro completa pela Devir um tempo desses ai década passada creio que ainda devem ter em estoque.

Bone
, roteiro e arte de Jeff Smith. Estados Unidos: Image, 1994 a 2007. a editora Todavia publicou tudo em brasileiro em 2019, com tradução de Érico Assis. 

Hellboy
, roteiro de Mike Mignola e arte de inúmeros artistas. Estados Unidos: Dark Horse, 1993 até hoje. o que tem publicado em brasileiro saiu pela Mythos.

Retalhos
, roteiro e arte de Craig Thompson. Estados Unidos: Top Shelf, 2003. saiu em brasileiro pela Quadrinhos e Cia em 2009, também com tradução de Érico Assis.

não é segredo pra ninguém que frequenta estas pairagens que eu penso de forma totalmente randômica. proseando com um chegado meu, também igualmente aleijado mental, ele me mostrou um vídeo sobre filmes com nomes de quadrinhos que não são baseados nos quadrinhos em questão e o primeiríssimo da lista foi fucking justamente Estranhos no Paraíso[6] e o quanto os dois textos são extremamente idiossincráticos. nicht so fucking viel nem tanto assim, por terem protagonistas de ascendência europeu-oriental, mas vou explicar isso mais lá pra frente. 

Estranhos no Paraíso
, direção de Jim Jarmusch e roteiro de Jim Jarmusch e John Lurie. Alemanha e Estados Unidos: Cinesthesia Productions Inc e Samuel Goldwyn Company, 1982.

então que acabei procurando pra baixar Estranhos no Paraíso justamente porque não sacava caralhos nenhuns de Herr Jarmusch e porque, inclusive, filmes em preto e branco, por motivos que desconheço, me interessam bastante. a obra, germano-estadunidense, inclusive, foi lançada no Brasil no fatídico ano georgeorwelliano (entendedores entenderão) e é algo que vai te tirar totalmente da zona de conforto se não tiveres familiaridade alguma com filme preto e branco, com filme lento e com filme sem muita trilha sonora. Estranhos no Paraíso meio que TAMBÉM vai te tirar da zona de conforto se não tiveres familiaridade alguma com filme preto e branco, com filme lento e com filme sem muita trilha sonora.
os dois textos – homônimos somente no Brasil[8] – são “iguais” por girarem ao redor de somente um núcleo de personagens. o ponto de convergência entre os dois é uma das protagonistas da HQ, Katina “Katchoo” Choovanski, ser de ascendência europeu-oriental e dois dos três protagonistas do filme (Bela “Willie Wonka” Lugosi [interpretado por John Lurie] e Eva [interpretada por Eszter Balint]) – e mais uma coadjuvante (tia Lotte [interpretada por Cecillia Stark]) – serem de origem húngara. 
pra quem não sabe, a Hungria é um enclave no meio da Europa, entre a Europa ocidental e a Europa oriental; sua capital é Budapeste; e o húngaro é o idioma não-pertencente ao tronco linguístico do indo-europeu mais falado no continente suas bases econômicas estão direcionadas à transição a uma economia de mercado regulamentada pela União Europeia, um dos conglomerados que a Hungria faz parte, além da OTAN dispensa apresentações, OCDE[9], Grupo de Visegrád[10] e Espaço Schengen[11]. fronteiras da Hungria: Eslováquia, ao norte; Romênia, ao leste; Sérvia ao sul; Croácia, a sudoeste; Eslovênia, a oeste; Áustria, a noroeste; e Ucrânia, a nordeste. pra vergonha da minha barba e dos meus cabelos vermelhos, não conheço porra nenhuma de literatura, cinema e quadrinhos made in Hungria.
de bandas punk de lá, eu conheço só o CPg, o C.A.F.B., o Kretens e o QSS.
Hungria, bandeira e localização
CPg 
C.A.F.B.
Kretens 
QSS

VOLTANDO: PRA MIM, Lotte foi uma dos muitíssimos húngaros que migraram aos EUA e apesar de não querer falar, na maioria do tempo, em estadunidensês[12], se habituou aos hábitos locais. é algo bastantíssimo comum entre os europeus que foram para a América (o continente americano como um todo) e tem mais obra com personagem assim do que estrelas mortas brilhando no céu.
Bela “Willie Wonka” Lugosi, pelo que entendi, ou é imigrante que veio novinho, novinho ¿nessa época já existiam Marias Mucilon? da Hungria ou foi criado pelos parentes imigrantes em uma comunidade de imigrantes e se mandou pra ser estadunidense assim que pôde, se desvinculando de tudo o que o tornava europeu/húngaro – talvez judeu também, vai saber. não coincidentemente, TAMBÉM é algo bastantíssimo comum tanto entre os europeus que foram para a América (o continente americano como um todo) como os descendentes de europeus que foram para a América e tem mais obra com personagem assim do que estrelas mortas brilhando no céu. Bela mora em Nova York, em um apartamento barato e com o mínimo possível, junto com Eddie van Halen (interpretado por Richard Edson), vive de trapaças em jogos e tal qual Bukowski, tal qual Lovelace[13], é um viciado em apostas em corridas de cavalos. 
Eva é, mais uma, húngara, que, tal qual outros inúmeras húngaras antes e depois, vai recomeçar a vida, fazer uma vida nova nos EUA. nenhum personagem novo, inclusive este círculo húngaro, inclusive, pode ser comparado, também, a um monte de obras de asiáticos que foram aos EUA ou de asiáticos a países que foram a outros países asiáticos. Eva vai ter que ficar no apartamento de Willie enquanto Lotte tem que se submeter a um tratamento médico de última hora. quando eles já estão criando certa afeição um pelo outro, em decorrência da convivência forçada (e das investidas contínuas de Eddie à moçoila), Eva tem que ir à cidade de Cleveland, capital do estado de Ohio, para onde iria originalmente. 
eu gostei dessa inversão, capital econômico-cultural  → outra cidade, pois geralmente é cidade qualquer → capital econômico-cultural, que – olha só – “não é raro, mas acontece muito” no cinema brasileiro. o primeiro ato dos três, O Novo Mundo, é baseado em apresentar o microverso habitado por Willie e Eddie, no qual Eva é inserida.
já Um Ano Depois, o segundo ato, tem início com uma jogatina que não saiu como esperada, Willie e Eddie tiram das respectivas bundas a “jeneau” ideia de irem visitar Eva em Cleveland. ai que se dá-se uma comédia de erros, pois Lotte os trata como os párias da sociedade que são (pra não dizer “ela os trata como os lixos que eles dois são”, porque, no fim, eles e eu somos “areia da mesma jazida, mas não passamos em peneira de mesma malha”[14]), eles ferram o quase namoro que Eva teria com Billy (interpretado por Danny Rosen) e ainda levam o sarrafo de Lotte no jogo de cartas (é pra se questionar mesmo de onde Bela aprendera a jogar do jeito que joga, né, não?).
após se despedirem de Eva, após passearem por uma região de Cleveland que eu amaria morar – gelo e chuva pra todo lado que se veja – para voltarem para o buraco de onde moram no Brooklyn, Willie e Eddie (que mais parecem um Pinky e Cérebro, mas sem as partes engraçadas) tiram não somente outra jeneaulíssima ideia, mas duas jeneaulíssimas ideias: a primeira foi irem à Flórida e a segunda foi levarem a Eva. claro que a Lotte fica full putaça dazideia de ser deixada sozinha novamente. claro que a Eva acha o máximo, porque os EUA não deveriam ser o que ela ‘tava esperando[15]. in Westen nicht neues. 
a jeneaulíssima ideia de irem à Flórida dá pontapé de começo de jogo à Paraíso, derradeiro ato de Estranhos no Paraíso. sendo Willie e Eddie os cretinos que são, não é de se estranhar que o trem não dá bom. primeiro que viciado em qualquer merda que for é traço inconteste que vai dar merda. com Willie e Eddie não é diferente, pois não suficiente terem colocado Eva como clandestina no hotel de beira de estrada, já que só poderiam ficar duas pessoas por quarto, ainda tiveram o disparate de ir procurar seu santo bagulho de cada dia: jogos e apostas.
o Pinky só faz merda, né, não? todo mundo não concorda que Pinky só faz merda? com o Eddie não é diferente não – mas, ao contrário de sua contraparte animada criada na década seguinte, em 1993, Eddie não salva a pátria no final do episódio. o Pink... Eddie tem a jeneaulíssima ideia de irem apostar em CACHORROS ao invés de cavalos e os pés-rapados do West Side perdem quase todos os 555 dólares[16] que levaram pra gastar em Cleveland. NÃO SATISFEITOS, vão ao hipódromo mais próximo e conseguem recuperar parte da grana.
no ínterim, Eva é impedida novamente de ir e vai dar uma volta, na qual, admirando a praia é abordada por um tipo extremamente estranho, que lhe entrega um grande valor em dinheiro. em uma situação completada enrolada, ela volta pro motel, Bela vai para Budapeste e Eddie volta para o Brooklyn, vendo o avião levantar voos. o filme termina.

¿o que podemos aprender com Estranhos no Paraíso?
– viciado é uma praga, não importa o local, a data e o idioma. 
– parente é uma praga, não importa o local, a data e o idioma. 
– Arte não é algo pra se criar expectativas durante o consumo.
– tradução/adaptação de título de filme no Brasil sempre foi uma coisa de louco. o título original desse filme é Stranger THAN Fiction Paradise[17], que ficaria, como uma escolha mais óbvia, “Mais Estranho do que o Paraíso”. é, não vou dizer que não foi uma boa escolha... NÃO POSSO dizer que não foi uma boa escolha. há toda uma teorética da adaptação linguístico-textual sobre isso, toda essa merda não vem ao caso agora.

¿eu recomendaria Estranhos no Paraíso?
sim, porque foi algo realmente novo pra mim e que eu fiquei “olha só, compensa bastante”, são noventa minutos muito bem aproveitados. mas eu não comecei a ver filme “assim” ontem e tenho muitão apreço com “filme com gente ‘real’ se fudendo”. MAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAS.......... tem gente que não começou a ver filme ontem e pode não gostar de ver filme “assim”. tem gente que começou a ver filme “ontem” e pode gostar de ver filme “assim”. tem gente que começou a ver filme “ontem” e pode não gostar de ver filme “assim”. recomendo ver pra ter uma perspectiva maior e melhor sobre cinema enquanto arte não idealizadora/realizadora de lucro, narrativas experimentais e arte fora do que é usualmente capitalizável como arte atualmente. 

assista Estranhos no Paraíso



[1] eu ia abrir este post com “Light Blue Night”, do CPM, mas achei melhor fazer com “Stranger In Paradise”, da Sarah Brightman, porque o Moore usa essa letra (escrita por Robert Craig Wright [1914-2005] e George Forrest Chichester Jr. [1915-1999], sobre melodia de Alexander Porfiryevich Borodin [1833-1887] e presente no álbum Harem, da cantora em questão, lançado em 2003) para fechar o compilado de histórias presente no compilado Love me Tender, lançado pela editora Pandora Books, no mesmo ano.
a versão original de “Stranger In Paradise”, performada pelo cantor Tony Bennett (1926-2023), nome artístico de Anthony Dominick Benedetto
“Stranger In Paradise” 
performada por Sarah Brightman

[2] tradução de título de filme no Brasil sempre foi uma coisa de louco. o que já vale um post por si só de tanta presepada que é, vide o exemplo de Dead Man. 
[3] ‘tô escrevendo um post ai da SuperInteressante como periódico de divulgação cientifica mais importante do Brasil e como se manteve relevante contra o processo de desinformação e desacreditação científica vigente no Brasil desde meados da década passada.
[4] tenho que ver esse filme só por causa da OST composta pelo Neil Young, cuja OST eu já tinha sacado faz é tempo só por ter sido composta pelo Neil Young.
[5] eu já tinha encontrado a lista nos extras do DVD ao vivo, gravado com o Crazy Horse, chamado Year of the Horse, de 1995[!]. achei [essa discografia] numa comu(nidade) do Orkut chamada Rock Downloads, era tudo no RapidShare [como dizer que é velho sem dizer que é velho], baixava um álbum por dia resto era só sucesso passei praticamente os dois primeiros anos da universidade ouvindo Neil Young, Arraial do Pavulagem e pedrada desgraceira de punk e hardcore que achava.
[6] segundo alteração de 2023 da ABNT NBR 10520-2002, que trata das referenciações bibliográficas, agora os nomes citados entre parênteses são com iniciais maiúsculas e resto de minúsculas.
[7] ver nota 1.
[8] ver nota anterior. 
[9] Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico, entidade econômica intergovernamental fundada em 16 de março de 1948 para estimular o progresso econômico e o comércio mundial.
[10] aliança entre a Hungria, Polônia, República Checa e Eslováquia para fins de cooperação cultural, educacional, científica, tecnológica e econômica.
[11] área europeia de viagens sem controle de fronteiras criada a partir do Acordo de Schengen, assinado em 14 de junho de 1985, para livre circulação de bens e serviços no Espaço Econômico Europeu e no Mercado comum da União Europeia, no qual estão oficialmente abolidos passaportes e muitos outros tipos de controle de fronteira em suas fronteiras mútuas.
[12] no Brasil, não se fala português e sim brasileiro. portanto, nos EUA não falar-se-ia inglês e sim estadunidense. sem discussões e segue o jogo.
[13] sim, é a Augusta Ada King (1815-1852), a.k.a. Cortesa de Lovelace, escritora, pesquisadora, matemática e cientista inglesa, que utilizou o primeiro protótipo de computador criado pelo matemático, filósofo, inventor e engenheiro mecânico inglês Charles Babbage (1791-1871) para descobrir probabilidades de vitórias de competidores em corridas de cavalos.  
[14] o ditado cefetano/etfpano correto é “somos agregado graúdo da mesma jazida, mas não passamos em peneira de mesma abertura”.
[15] “dos males da propaganda” fudendo corações e mentes desde sempre.
[16] na cotação de hoje, 25 jan. 2024, o equivalente a 7k646,40 reais.
[17] não, não vou citar AQUELE álbum do BR que faz trinta anos esse ano, TALVEZ eu fale algo dos trinta anos da morte do Cobain a partir do livro Trinta Anos, de Frau Bachmann. 









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terça-feira, 23 de janeiro de 2024

“HODIERNO” – poema de Abílio Pacheco

 ouvindo: Anti Holocaust, Anti Holocaust / Self-Titled Demo Tape, de 1996.

HODIERNO
» Abílio Pacheco « 

Encontro-me entristecido neste tempo de flores
Que recendem sussurros muito de leve 
pouco nítidos, em voz reticente e breve 
e que nem eu consigo os sentir direito.

É tempo de sons persistentes, repetidos,
Como num conhecido bolero de ritmos em crescente
De todo repetido pouco menos de dois centos de vezes
Porém de se vencer o entendimento de modo frouxo
Ou preferível pelo repetir insistentemente o ínvero

Meu ouvido foge de ser conduzido por este ritmo
Recuso-me a ser um simples resiliente neste movimento
Pleno de homens e mulheres que vejo rotos
Esse som eu dessinto-o de lento e ouço-me
Por inteiro descrente de meus olhos níveis e ouvidos mocos


» Abílio Pacheco é professor universitário, escritor, poeta, romancista e músico paraense « 
» “Hodierno” está presente na antologia de poemas Pérolas de Caeté, organizada por Girotto Brito e publicada em 2017 pela editora paraense Parágrafo. « 










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sábado, 13 de janeiro de 2024

palavras do mestre Abílio Pacheco para o primeiro post do ano


“Desde a antiguidade se diz que o poetas trabalhavam a partir da inspiração. As musas sopravam-lhes os versos para que eles escrevessem e mesmo atualmente essa ideia não parece ter sido abandonada e é usada mesmo quando o pensamento predominante é racional. Estar inspirado é estar em transe criativo, tomado por uma ideia, tema ou assunto; é estar surpreendentemente capaz de explicar algo ou fazer determinada coisa que talvez não conseguisse naturalmente. É estar um pouco fora de si. O poeta e a poetisa nestes estado procuram comunicar aos demais seres humanos qualquer coisa fora do cotidiano ordinário ao qual estamos submetidos. A poesia é esta terna e etérea corrente de ar. É uma brisa.”
– Abílio Pacheco, “Duas palavras sobre o nome dessa coleção”, introdução do livro Lírio Branco, de Flávio Machado. Bragança: Parágrafo, 2017. (Coleção Brisa Poética, volume 02)

quarta-feira, 27 de dezembro de 2023

ESSE ANO... ESSE ANO...

ouvindo: Estado Putrefacto, Condenado, de 2022 + Primitivo, Exitos Ruidosos de Cantinas y Percales, de 2018.

“Hello my friend we meet again
It’s been a while where should we begin
Feels like forever
Within my heart are memories
A perfect love that you gave to me
Oh I remember” 
– Creed, “My Sacrifice”

primeiro que grande parte desse trimestre, passei a me questionar “quando e como a gente aprende a não se frustrar mais com as pessoas por causa das mudanças delas?”, então passei a me questionar “quando e como as pessoas aprenderam a não se frustrar mais comigo por causa das minhas mudanças ou por eu não mudar?”. conversando com um amigo que conheci através de amigos, ele me disse que isso acontece quando a pessoa começa a prestar mais atenção em si do que nos outros e a pessoa se dá conta que tem que estar em primeiro lugar da sua própria importância, e essas frustrações vão embora. mas isso sem ser posto como egoísmo e como amor e respeito próprios, o amor próprio e respeito próprio acontecem assim.
isso serve pra dizer que esse ano, muita gente saiu da minha vida. esse ano, muita gente voltou pra minha vida. esse ano, mais gente saiu da minha vida do que gente que voltou pra minha vida. esse ano, gente entrou na minha vida e já saiu – algumas, nem deu pra estabelecer quaisquer laços. eu sei porque gente que saiu da minha vida saiu da minha vida, cada pessoa com seus motivos bastante específicos. não posso dizer que entendo todos estes motivos bastante específicos, mas eu respeito. porém, os motivos bastante específicos que eu entendo eu vou fazer o meu impossível pra corrigir em mim o que os tornaram possíveis pra que eles não sejam repetidos em outras pessoas – MULHERES, PRINCIPALMENTE. não posso dizer que sei e entendo porque fez quem voltou pra minha vida fazê-lo, não sei e não vou perguntar porque eu tenho quase certeza que não vou gostar dos motivos, então eu vou me fazer esse favorzão de (me) poupar disso (e também quem voltou pra minha vida).
 esse ano, saiu gente da minha vida porque eu cai n(ovamente outra vez e de novo n)a mancada de querer que me tratasse como eu tratei e quebrei a cara lindamente. esse ano, descobri que tem gente na minha vida que basta pedir ajuda que a pessoa vai te ajudar e não vai te perguntar porquê. esse ano, descobri que tem gente que me ajudou porque me respeita pra caralho porque eu nunca escrotizei (essa gente), tampouco gratuitamente – surpresa extremamente agradabilíssima, pontuo). esse ano, pessoas me fizeram pré tão monstruosas que eu não consigo pensar em nada além de agradecer pra sempre por isso que nem sei como pensar em retribuir, apesar de saber que retribuir (ou pensar em retribuir/agradecer) já seria uma tremenda duma ofensa pra essas pessoas.
esse ano, aplicando a filosofia de “de peso morto na minha vida, eu já me basto e têm vezes que nem eu me suporto”, sai da vida de muita gente porque eu notei que a pessoa não incluía mais porra nenhuma na minha vida e eu não incluía mais porra nenhuma nas vidas de muita gente. isso me fez muito bem e espero que as pessoas de quem me afastei tenham a mesmíssima perspectiva. se não... tudo bem também.
tem um caso bastantão específicão de uma pessoa que decidiu sair da minha vida esse ano, mas esse caso já vale um post por si, mas vou declinar porque essa “pessoa” já alugou um tríplex na minha cabeça com esse assunto; a ponto de, por bem pouquíssimo íssimo íssimo íssimo íssimo, esse assunto não me adoeceu valendo. e vou terminar essa menção honrosa dizendo que quase que vou a um cartório pra mudar meu nome pra “PROCON” de tanto que só TODO MUNDO veio me encher a porra do saco perguntando que porra tinha acontecido pra essa “pessoa” ter feito o que fez. fora que ainda pegay ranço de star wars, de qualquer coisa – QUALQUER. COISA. – relacionada à franquia. isso me fez adotar a filosofia/política de não dar mais papo pra gente mais fracassada na vida do que eu.
falando (‘tá, sim, vou falar isso pela última vez nesse post) em filosofia/política adotada pra vida, em algum post do instagram, em algum momento, não lembro quando, eu vi um post que dizia “eu nunca perco, eu ganho ou aprendo”. frase pronta de [picareta] coach, muito bem sei, mas muita, MUITA coisa ficou muito mais fácil de se lidar na vida depois que muita, MUITA situação confirmou a não-falseabilidade desta frase.
esse post não é um pedido de desculpas pelas coisas que eu fiz pras pessoas terem saído da minha vida. menos ainda, um agradecimento pelas pessoas, às pessoas que voltaram pra minha vida. tampouco, um às pessoas que me fizeram as pré que eu agradecerei pra sempre por isso...
na verdade, pensando bem, bem, bem, bem, bem... esse post... pode ser é um agradecimento às pessoas que saíram da minha vida, às que voltaram pra minha vida, às que não ficaram tempo suficiente pra laços afetivos serem criados, às que fizeram as pré que nunca conseguirei retribuir/agradecer: por causa dessas pessoas, todas. eu sou uma pessoa menos pior do que quando elas chegaram ou foram embora ou fizeram o que fizeram pra eu estar aqui agora. 
eu não vou prometer que vou ser uma pessoa melhor a partir de agora, o máximo que posso fazer é prometer ser alguém menos pior do que fui esse ano e pras pessoas ao meu redor e que podem chegar, a minha vida. ou não. 
e eu ODEIO. FAZER. PROMESSAS. 










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segunda-feira, 29 de maio de 2023

CANÇÃO PARA LAÍS

 ouvindo: ouvindo: Krigshoder, Krig I Hodet, de 2020.


[esse texto ‘tá sendo upado aqui porque não coube todo no instagram]

e com vocês, os quarentões que você ama, respeita e venera. os melhores de seus mundos, povos, culturas e grupos sociocomunitários. 
se tivéssemos marcado de nos encontrar, a gente não teria conseguido e ainda ficaria puto um com o outro, mas ainda bem que calhou de nos encontrarmos de forma totalmente aleatória. até o momento de escrita desse texto, eu ainda não sei como, sendo os dois chorões que somos, não choramos quando nos vimos – eu quero acreditar que estávamos tão cansados, famintos (¿mas quando e em qual momento ela e eu não estamos com fome?) e neurados (¿mas quando e em qual momento ela e eu não estamos neurados?) que não conseguimos chorar, dada à situação.
a Laís (eu gosto de chama-la de “Hel” ou de “LH” creio que só eu a chame de tais formas], eu posso dizer isso sem quaisquer tipos de equívocos, foi, por muito, muito tempo, a melhor amiga não-presencial que tive. ela sabe de MUITA COISA que até alguns dos meus melhores amigos de infância e/ou adolescência não sabem e também tenho a cota de podres dela que ela prefere que muita gente não tenha conhecimento. por muito, muito tempo e em muitas, muitas situações, apesar da distância continental, fomos as únicas pessoas que tivemos para nos apoiar, em virtude de situações, no mínimo, caralhentas para caralho que passamos em nossos locais de residência ou viagens.
eu posso dizer sem quaisquer tipos de equívocos que a LH é uma das melhores pessoas que conheço, que posso chamar de amiga e que eu não poderia ter vindo à SP sem tê-la visto e trocado uma ideia com ela pessoalmente. posso dizer, inclusive, que sou uma pessoa melhor por causa dela, das coisas que aprendi e aprendo com ela, tanto que ela é uma responsável direta por eu ter estreitado ainda mais meus laços com mi madre, muito do meu atual trato com a mamãe é resultado direto do que a LH me ensinou a partir da relação dela com seus pais (ela certamente não sabia dessa parte e queria ver a cara dela quando ler isso).
não sei quando vou voltar aqui. eu sei que serei uma pessoa melhor quando isso acontecer. eu sei que voltarei daqui uma pessoa muito melhor do que quando vim, em virtude de tudo que passei e aprendi nesse quadrimestre. eu certamente não teria conseguido sem muita coisa do que LH me orientou fazer e NÃO fazer. eu sei que LH será uma pessoa mais fantástica, maravilhosa e incrível do que já é e do que quando nos conhecemos. eu querer ser uma pessoa melhor diariamente, creio, é uma resposta e homenagem à vontade inexorável e inesgotável da Laís em querer ser sempre melhor do que no dia anterior, pra ela, pro Luís [marido dela, a saber] e pras pessoas ao redor dela. posso dizer, insofismavelmente, que venci na vida tendo alguém como ela como amiga e poder me referir a ela como tal acabei de lembrar que nunca parei pra pensar se ela pensa o mesmo ao meu respeito, mas ai eu penso qual a relevância disso.
agora é hora de voltar pra casa, com as melhores lembranças daqui. infelizmente não dá pra levar os trens e os metrôs e as lojas de tudo a preços “acessíveis”. queria eu, muitíssimo e somente Mãe Gæa sabe o quanto, poder abraçar a LH antes de entrar no avião antes de voltar pro Pará. mas a gente vai reunir de novo, eu sei, só não sabemos quando. 
mas vamos.

sexta-feira, 19 de agosto de 2022

ALTE SCHEIßE... (NICHT SO?) NEUE SCHEIßE

ouvindo: Iguanacondas, Mudda Fuggin Big Wave, de 2022.

[tanto pra treinar quanto pra trabalhar eu tenho pego pra ouvir umas paradas novas de crust punk, noise punk e até uns trens eletrônicos, maioria do Japão e da Europa Oriental. comentarei aqui assim que possível...! ]

“comentarei aqui assim que possível” deveria ser o novo nome desse blog, né? que que vocês dizem tem uma pica do Kid Bengala de filme e HQ aqui pra comentar, visto que o blog praticamente se resumiu a isso, mesmo apesar da série CPM22, do mês passado, e ainda tenho que terminar as séries Garotos Podres e Pitty. talvez eu faça a série Blind Pigs e a série Gritando HC. não vou falar dos filmes que vou comentar, deix’eu falar das HQs.

Suicide Squad: Get Joker!
, roteiro de Brian Azzarello e arte de Alex Maleev, publicado originalmente entre outubro de 2021 e maio de 2022 pela DC Comics. 
Les Beaux Etés
, roteiro de Zidrou e arte de Jordi Labefre, publicado originalmente entre 2015 e 2021 pela Dargaud.
L’Obsolescence programmée de nos sentiments, também de Zidrou, com arte de Aimée de Jongh, publicado originalmente em 2018 pela Dargaud Benelux.
Apache Delivery Service
, roteiro de Matt Kindt, com arte de Tyler e Hilary Jenkins, publicado originalmente entre janeiro e abril de 2022 pela Dark Horse Comics.
Sea of Sorrows
, roteiro de Rich Douek, arte de Alex Cormack e capas de Erica Rose Levine, publicado originalmente entre novembro de 2020 e março de 2021 pela IDW.
Ultramega
, roteiro e arte de Jamees Harren, publicado originalmente entre março e junho pela de 2021 pela Image Comics.
Moonshine
, roteiro de Brian Azzarello arte de Eduardo Risso e capas de Frank Miller, publicado originalmente entre outubro de 2016 e novembro de 2021 pela Image Comics, tendo 28 capítulos.
The Last God
, roteiro de Phillip Kennedy Johnson e Riccardo Federici, publicado originalmente entre 2019 e 2021 pela DC Comics. 
Believers
, arte e roteiro de Naoki Yakamoto, publicado originalmente em 1999 na revista Big Comic Spirits, da editora Shogakukanm tendo 22 capítulos.





não sei quando vou postar mas antes do primeiro turno das eleições pra presidente e governo deste ano todas estas vão rolar.
é isso.







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