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e ai que tenho três livros de autoria publicada que fiz praticamente tudo neles e vou fixar esse post aqui com os três pra download e todos...

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quinta-feira, 25 de janeiro de 2024

ESTRANHOS NO PARAÍSO – análise et crítica do filme

ouvindo: Neil Young, Dead Man, de 1996.

“Take my hand I’m a stranger in paradise
All lost in a wonderland
A stranger in paradise
My eyes are shining?
If I stand starry eyed there’s a danger in paradise
For mortals who stand beside an angel like you

I saw your face ascending
Out of the common place and into the rare
Now somewhere out in space I hang suspended
Until I'm certain that there’s a chance that you care

Won’t you answer this fervent prayer
Of a stranger in paradise?
Don't send me in dark despair
From all that I hunger for
But open your angel's arms
To this stranger in paradise
And tell him that he need be
A stranger no more”
– Sarah Brightman, “Stranger In Paradise”[1]

primeira, primeira, primeira vez que tive acesso ao termo Estranhos no Paraíso foi quando li uma crítica do filme Dead Man: Homem Morto[2] na finada e saudosa revista Set, da editora Abril, que, por muitíssimo tempo, foi a única revista de divulgação de cinema no Brasil, ainda que fosse extremamente elitista e excludente, mesmo que tentasse pegar tudo o que fosse produzido de relevante no Brasil e no mundo, a exemplo da igualmente – senão mais, muito mais – finada e saudosa revista Bizz (depois ShowBizz), da mesma casa. me corrigindo, destes periódicos da Abril que saíram na década de 1980, só se mantém até hoje – e com um mínimo de relevância – a SuperInteressante[3], que já falei muito, muitíssimo por aqui. 
Dead Man: Homem Morto
, direção e roteiro de Jim Jarmusch. Alemanha, Japão, EUA: Miramax, 1995.
revista Set, da editora Abril, publicada no Brasil entre junho de 1987 e novembro de 2010
revista [Show]Bizz, da editora Abril, publicada no Brasil entre agosto de 1985 e julho de 2007
revista SuperInteressante, da editora Abril, publicada no Brasil desde setembro de 1987

nesta mesma resenha de meia página de Dead Man, eu li, pela primeira vez, os nomes Neil Young e Jim Jarmusch. o primeiro, responsável pela trilha sonora da obra[4]. o segundo, diretor e roteirista da mesma. cito primeiro o primeiro pela sua inquestionável relevância na minha vida desde que ouvi toda sua discografia, no primeiro semestre da graduação[5]. cito segundo o segundo porque........................ eu só lia et ouvia críticas extremamente positivas das obras do cara e........................ 
tem uma HQ que eu amodoro para um caralho chamada ESTRANHOS NO PARAÍSO, escrita e desenhada pelo estadunidense Terry Moore entre 1993 e 2007, pela qual eu declarei todo meu amor e admiração NESTE POST AQUI. e como falei neste mesmíssimo texto, Estranhos no Paraíso é “junto com Bone e Hellboy, dos também estadunidenses Jeff Smith e Mike Mignola, é uma das melhores coisas da década de 1990, considerada a década perdida dos quadrinhos norte-americanos” (Quilômetros-a-Pé, 2009[6]). ademais, como falei NESTE POST AQUI, eu gosto de pensar que Retalhos, do Craig Thompson, “é o Estranhos no Paraíso do século XXI” (idem, 2010)
Estranhos no Paraíso
, roteiro e arte de Terry Moore. Estados Unidos: Abstract, 1993 e 2007. saiu em brasileiro completa pela Devir um tempo desses ai década passada creio que ainda devem ter em estoque.

Bone
, roteiro e arte de Jeff Smith. Estados Unidos: Image, 1994 a 2007. a editora Todavia publicou tudo em brasileiro em 2019, com tradução de Érico Assis. 

Hellboy
, roteiro de Mike Mignola e arte de inúmeros artistas. Estados Unidos: Dark Horse, 1993 até hoje. o que tem publicado em brasileiro saiu pela Mythos.

Retalhos
, roteiro e arte de Craig Thompson. Estados Unidos: Top Shelf, 2003. saiu em brasileiro pela Quadrinhos e Cia em 2009, também com tradução de Érico Assis.

não é segredo pra ninguém que frequenta estas pairagens que eu penso de forma totalmente randômica. proseando com um chegado meu, também igualmente aleijado mental, ele me mostrou um vídeo sobre filmes com nomes de quadrinhos que não são baseados nos quadrinhos em questão e o primeiríssimo da lista foi fucking justamente Estranhos no Paraíso[6] e o quanto os dois textos são extremamente idiossincráticos. nicht so fucking viel nem tanto assim, por terem protagonistas de ascendência europeu-oriental, mas vou explicar isso mais lá pra frente. 

Estranhos no Paraíso
, direção de Jim Jarmusch e roteiro de Jim Jarmusch e John Lurie. Alemanha e Estados Unidos: Cinesthesia Productions Inc e Samuel Goldwyn Company, 1982.

então que acabei procurando pra baixar Estranhos no Paraíso justamente porque não sacava caralhos nenhuns de Herr Jarmusch e porque, inclusive, filmes em preto e branco, por motivos que desconheço, me interessam bastante. a obra, germano-estadunidense, inclusive, foi lançada no Brasil no fatídico ano georgeorwelliano (entendedores entenderão) e é algo que vai te tirar totalmente da zona de conforto se não tiveres familiaridade alguma com filme preto e branco, com filme lento e com filme sem muita trilha sonora. Estranhos no Paraíso meio que TAMBÉM vai te tirar da zona de conforto se não tiveres familiaridade alguma com filme preto e branco, com filme lento e com filme sem muita trilha sonora.
os dois textos – homônimos somente no Brasil[8] – são “iguais” por girarem ao redor de somente um núcleo de personagens. o ponto de convergência entre os dois é uma das protagonistas da HQ, Katina “Katchoo” Choovanski, ser de ascendência europeu-oriental e dois dos três protagonistas do filme (Bela “Willie Wonka” Lugosi [interpretado por John Lurie] e Eva [interpretada por Eszter Balint]) – e mais uma coadjuvante (tia Lotte [interpretada por Cecillia Stark]) – serem de origem húngara. 
pra quem não sabe, a Hungria é um enclave no meio da Europa, entre a Europa ocidental e a Europa oriental; sua capital é Budapeste; e o húngaro é o idioma não-pertencente ao tronco linguístico do indo-europeu mais falado no continente suas bases econômicas estão direcionadas à transição a uma economia de mercado regulamentada pela União Europeia, um dos conglomerados que a Hungria faz parte, além da OTAN dispensa apresentações, OCDE[9], Grupo de Visegrád[10] e Espaço Schengen[11]. fronteiras da Hungria: Eslováquia, ao norte; Romênia, ao leste; Sérvia ao sul; Croácia, a sudoeste; Eslovênia, a oeste; Áustria, a noroeste; e Ucrânia, a nordeste. pra vergonha da minha barba e dos meus cabelos vermelhos, não conheço porra nenhuma de literatura, cinema e quadrinhos made in Hungria.
de bandas punk de lá, eu conheço só o CPg, o C.A.F.B., o Kretens e o QSS.
Hungria, bandeira e localização
CPg 
C.A.F.B.
Kretens 
QSS

VOLTANDO: PRA MIM, Lotte foi uma dos muitíssimos húngaros que migraram aos EUA e apesar de não querer falar, na maioria do tempo, em estadunidensês[12], se habituou aos hábitos locais. é algo bastantíssimo comum entre os europeus que foram para a América (o continente americano como um todo) e tem mais obra com personagem assim do que estrelas mortas brilhando no céu.
Bela “Willie Wonka” Lugosi, pelo que entendi, ou é imigrante que veio novinho, novinho ¿nessa época já existiam Marias Mucilon? da Hungria ou foi criado pelos parentes imigrantes em uma comunidade de imigrantes e se mandou pra ser estadunidense assim que pôde, se desvinculando de tudo o que o tornava europeu/húngaro – talvez judeu também, vai saber. não coincidentemente, TAMBÉM é algo bastantíssimo comum tanto entre os europeus que foram para a América (o continente americano como um todo) como os descendentes de europeus que foram para a América e tem mais obra com personagem assim do que estrelas mortas brilhando no céu. Bela mora em Nova York, em um apartamento barato e com o mínimo possível, junto com Eddie van Halen (interpretado por Richard Edson), vive de trapaças em jogos e tal qual Bukowski, tal qual Lovelace[13], é um viciado em apostas em corridas de cavalos. 
Eva é, mais uma, húngara, que, tal qual outros inúmeras húngaras antes e depois, vai recomeçar a vida, fazer uma vida nova nos EUA. nenhum personagem novo, inclusive este círculo húngaro, inclusive, pode ser comparado, também, a um monte de obras de asiáticos que foram aos EUA ou de asiáticos a países que foram a outros países asiáticos. Eva vai ter que ficar no apartamento de Willie enquanto Lotte tem que se submeter a um tratamento médico de última hora. quando eles já estão criando certa afeição um pelo outro, em decorrência da convivência forçada (e das investidas contínuas de Eddie à moçoila), Eva tem que ir à cidade de Cleveland, capital do estado de Ohio, para onde iria originalmente. 
eu gostei dessa inversão, capital econômico-cultural  → outra cidade, pois geralmente é cidade qualquer → capital econômico-cultural, que – olha só – “não é raro, mas acontece muito” no cinema brasileiro. o primeiro ato dos três, O Novo Mundo, é baseado em apresentar o microverso habitado por Willie e Eddie, no qual Eva é inserida.
já Um Ano Depois, o segundo ato, tem início com uma jogatina que não saiu como esperada, Willie e Eddie tiram das respectivas bundas a “jeneau” ideia de irem visitar Eva em Cleveland. ai que se dá-se uma comédia de erros, pois Lotte os trata como os párias da sociedade que são (pra não dizer “ela os trata como os lixos que eles dois são”, porque, no fim, eles e eu somos “areia da mesma jazida, mas não passamos em peneira de mesma malha”[14]), eles ferram o quase namoro que Eva teria com Billy (interpretado por Danny Rosen) e ainda levam o sarrafo de Lotte no jogo de cartas (é pra se questionar mesmo de onde Bela aprendera a jogar do jeito que joga, né, não?).
após se despedirem de Eva, após passearem por uma região de Cleveland que eu amaria morar – gelo e chuva pra todo lado que se veja – para voltarem para o buraco de onde moram no Brooklyn, Willie e Eddie (que mais parecem um Pinky e Cérebro, mas sem as partes engraçadas) tiram não somente outra jeneaulíssima ideia, mas duas jeneaulíssimas ideias: a primeira foi irem à Flórida e a segunda foi levarem a Eva. claro que a Lotte fica full putaça dazideia de ser deixada sozinha novamente. claro que a Eva acha o máximo, porque os EUA não deveriam ser o que ela ‘tava esperando[15]. in Westen nicht neues. 
a jeneaulíssima ideia de irem à Flórida dá pontapé de começo de jogo à Paraíso, derradeiro ato de Estranhos no Paraíso. sendo Willie e Eddie os cretinos que são, não é de se estranhar que o trem não dá bom. primeiro que viciado em qualquer merda que for é traço inconteste que vai dar merda. com Willie e Eddie não é diferente, pois não suficiente terem colocado Eva como clandestina no hotel de beira de estrada, já que só poderiam ficar duas pessoas por quarto, ainda tiveram o disparate de ir procurar seu santo bagulho de cada dia: jogos e apostas.
o Pinky só faz merda, né, não? todo mundo não concorda que Pinky só faz merda? com o Eddie não é diferente não – mas, ao contrário de sua contraparte animada criada na década seguinte, em 1993, Eddie não salva a pátria no final do episódio. o Pink... Eddie tem a jeneaulíssima ideia de irem apostar em CACHORROS ao invés de cavalos e os pés-rapados do West Side perdem quase todos os 555 dólares[16] que levaram pra gastar em Cleveland. NÃO SATISFEITOS, vão ao hipódromo mais próximo e conseguem recuperar parte da grana.
no ínterim, Eva é impedida novamente de ir e vai dar uma volta, na qual, admirando a praia é abordada por um tipo extremamente estranho, que lhe entrega um grande valor em dinheiro. em uma situação completada enrolada, ela volta pro motel, Bela vai para Budapeste e Eddie volta para o Brooklyn, vendo o avião levantar voos. o filme termina.

¿o que podemos aprender com Estranhos no Paraíso?
– viciado é uma praga, não importa o local, a data e o idioma. 
– parente é uma praga, não importa o local, a data e o idioma. 
– Arte não é algo pra se criar expectativas durante o consumo.
– tradução/adaptação de título de filme no Brasil sempre foi uma coisa de louco. o título original desse filme é Stranger THAN Fiction Paradise[17], que ficaria, como uma escolha mais óbvia, “Mais Estranho do que o Paraíso”. é, não vou dizer que não foi uma boa escolha... NÃO POSSO dizer que não foi uma boa escolha. há toda uma teorética da adaptação linguístico-textual sobre isso, toda essa merda não vem ao caso agora.

¿eu recomendaria Estranhos no Paraíso?
sim, porque foi algo realmente novo pra mim e que eu fiquei “olha só, compensa bastante”, são noventa minutos muito bem aproveitados. mas eu não comecei a ver filme “assim” ontem e tenho muitão apreço com “filme com gente ‘real’ se fudendo”. MAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAS.......... tem gente que não começou a ver filme ontem e pode não gostar de ver filme “assim”. tem gente que começou a ver filme “ontem” e pode gostar de ver filme “assim”. tem gente que começou a ver filme “ontem” e pode não gostar de ver filme “assim”. recomendo ver pra ter uma perspectiva maior e melhor sobre cinema enquanto arte não idealizadora/realizadora de lucro, narrativas experimentais e arte fora do que é usualmente capitalizável como arte atualmente. 

assista Estranhos no Paraíso



[1] eu ia abrir este post com “Light Blue Night”, do CPM, mas achei melhor fazer com “Stranger In Paradise”, da Sarah Brightman, porque o Moore usa essa letra (escrita por Robert Craig Wright [1914-2005] e George Forrest Chichester Jr. [1915-1999], sobre melodia de Alexander Porfiryevich Borodin [1833-1887] e presente no álbum Harem, da cantora em questão, lançado em 2003) para fechar o compilado de histórias presente no compilado Love me Tender, lançado pela editora Pandora Books, no mesmo ano.
a versão original de “Stranger In Paradise”, performada pelo cantor Tony Bennett (1926-2023), nome artístico de Anthony Dominick Benedetto
“Stranger In Paradise” 
performada por Sarah Brightman

[2] tradução de título de filme no Brasil sempre foi uma coisa de louco. o que já vale um post por si só de tanta presepada que é, vide o exemplo de Dead Man. 
[3] ‘tô escrevendo um post ai da SuperInteressante como periódico de divulgação cientifica mais importante do Brasil e como se manteve relevante contra o processo de desinformação e desacreditação científica vigente no Brasil desde meados da década passada.
[4] tenho que ver esse filme só por causa da OST composta pelo Neil Young, cuja OST eu já tinha sacado faz é tempo só por ter sido composta pelo Neil Young.
[5] eu já tinha encontrado a lista nos extras do DVD ao vivo, gravado com o Crazy Horse, chamado Year of the Horse, de 1995[!]. achei [essa discografia] numa comu(nidade) do Orkut chamada Rock Downloads, era tudo no RapidShare [como dizer que é velho sem dizer que é velho], baixava um álbum por dia resto era só sucesso passei praticamente os dois primeiros anos da universidade ouvindo Neil Young, Arraial do Pavulagem e pedrada desgraceira de punk e hardcore que achava.
[6] segundo alteração de 2023 da ABNT NBR 10520-2002, que trata das referenciações bibliográficas, agora os nomes citados entre parênteses são com iniciais maiúsculas e resto de minúsculas.
[7] ver nota 1.
[8] ver nota anterior. 
[9] Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico, entidade econômica intergovernamental fundada em 16 de março de 1948 para estimular o progresso econômico e o comércio mundial.
[10] aliança entre a Hungria, Polônia, República Checa e Eslováquia para fins de cooperação cultural, educacional, científica, tecnológica e econômica.
[11] área europeia de viagens sem controle de fronteiras criada a partir do Acordo de Schengen, assinado em 14 de junho de 1985, para livre circulação de bens e serviços no Espaço Econômico Europeu e no Mercado comum da União Europeia, no qual estão oficialmente abolidos passaportes e muitos outros tipos de controle de fronteira em suas fronteiras mútuas.
[12] no Brasil, não se fala português e sim brasileiro. portanto, nos EUA não falar-se-ia inglês e sim estadunidense. sem discussões e segue o jogo.
[13] sim, é a Augusta Ada King (1815-1852), a.k.a. Cortesa de Lovelace, escritora, pesquisadora, matemática e cientista inglesa, que utilizou o primeiro protótipo de computador criado pelo matemático, filósofo, inventor e engenheiro mecânico inglês Charles Babbage (1791-1871) para descobrir probabilidades de vitórias de competidores em corridas de cavalos.  
[14] o ditado cefetano/etfpano correto é “somos agregado graúdo da mesma jazida, mas não passamos em peneira de mesma abertura”.
[15] “dos males da propaganda” fudendo corações e mentes desde sempre.
[16] na cotação de hoje, 25 jan. 2024, o equivalente a 7k646,40 reais.
[17] não, não vou citar AQUELE álbum do BR que faz trinta anos esse ano, TALVEZ eu fale algo dos trinta anos da morte do Cobain a partir do livro Trinta Anos, de Frau Bachmann. 









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¡¡¡POST!!!

quarta-feira, 27 de dezembro de 2023

ESSE ANO... ESSE ANO...

ouvindo: Estado Putrefacto, Condenado, de 2022 + Primitivo, Exitos Ruidosos de Cantinas y Percales, de 2018.

“Hello my friend we meet again
It’s been a while where should we begin
Feels like forever
Within my heart are memories
A perfect love that you gave to me
Oh I remember” 
– Creed, “My Sacrifice”

primeiro que grande parte desse trimestre, passei a me questionar “quando e como a gente aprende a não se frustrar mais com as pessoas por causa das mudanças delas?”, então passei a me questionar “quando e como as pessoas aprenderam a não se frustrar mais comigo por causa das minhas mudanças ou por eu não mudar?”. conversando com um amigo que conheci através de amigos, ele me disse que isso acontece quando a pessoa começa a prestar mais atenção em si do que nos outros e a pessoa se dá conta que tem que estar em primeiro lugar da sua própria importância, e essas frustrações vão embora. mas isso sem ser posto como egoísmo e como amor e respeito próprios, o amor próprio e respeito próprio acontecem assim.
isso serve pra dizer que esse ano, muita gente saiu da minha vida. esse ano, muita gente voltou pra minha vida. esse ano, mais gente saiu da minha vida do que gente que voltou pra minha vida. esse ano, gente entrou na minha vida e já saiu – algumas, nem deu pra estabelecer quaisquer laços. eu sei porque gente que saiu da minha vida saiu da minha vida, cada pessoa com seus motivos bastante específicos. não posso dizer que entendo todos estes motivos bastante específicos, mas eu respeito. porém, os motivos bastante específicos que eu entendo eu vou fazer o meu impossível pra corrigir em mim o que os tornaram possíveis pra que eles não sejam repetidos em outras pessoas – MULHERES, PRINCIPALMENTE. não posso dizer que sei e entendo porque fez quem voltou pra minha vida fazê-lo, não sei e não vou perguntar porque eu tenho quase certeza que não vou gostar dos motivos, então eu vou me fazer esse favorzão de (me) poupar disso (e também quem voltou pra minha vida).
 esse ano, saiu gente da minha vida porque eu cai n(ovamente outra vez e de novo n)a mancada de querer que me tratasse como eu tratei e quebrei a cara lindamente. esse ano, descobri que tem gente na minha vida que basta pedir ajuda que a pessoa vai te ajudar e não vai te perguntar porquê. esse ano, descobri que tem gente que me ajudou porque me respeita pra caralho porque eu nunca escrotizei (essa gente), tampouco gratuitamente – surpresa extremamente agradabilíssima, pontuo). esse ano, pessoas me fizeram pré tão monstruosas que eu não consigo pensar em nada além de agradecer pra sempre por isso que nem sei como pensar em retribuir, apesar de saber que retribuir (ou pensar em retribuir/agradecer) já seria uma tremenda duma ofensa pra essas pessoas.
esse ano, aplicando a filosofia de “de peso morto na minha vida, eu já me basto e têm vezes que nem eu me suporto”, sai da vida de muita gente porque eu notei que a pessoa não incluía mais porra nenhuma na minha vida e eu não incluía mais porra nenhuma nas vidas de muita gente. isso me fez muito bem e espero que as pessoas de quem me afastei tenham a mesmíssima perspectiva. se não... tudo bem também.
tem um caso bastantão específicão de uma pessoa que decidiu sair da minha vida esse ano, mas esse caso já vale um post por si, mas vou declinar porque essa “pessoa” já alugou um tríplex na minha cabeça com esse assunto; a ponto de, por bem pouquíssimo íssimo íssimo íssimo íssimo, esse assunto não me adoeceu valendo. e vou terminar essa menção honrosa dizendo que quase que vou a um cartório pra mudar meu nome pra “PROCON” de tanto que só TODO MUNDO veio me encher a porra do saco perguntando que porra tinha acontecido pra essa “pessoa” ter feito o que fez. fora que ainda pegay ranço de star wars, de qualquer coisa – QUALQUER. COISA. – relacionada à franquia. isso me fez adotar a filosofia/política de não dar mais papo pra gente mais fracassada na vida do que eu.
falando (‘tá, sim, vou falar isso pela última vez nesse post) em filosofia/política adotada pra vida, em algum post do instagram, em algum momento, não lembro quando, eu vi um post que dizia “eu nunca perco, eu ganho ou aprendo”. frase pronta de [picareta] coach, muito bem sei, mas muita, MUITA coisa ficou muito mais fácil de se lidar na vida depois que muita, MUITA situação confirmou a não-falseabilidade desta frase.
esse post não é um pedido de desculpas pelas coisas que eu fiz pras pessoas terem saído da minha vida. menos ainda, um agradecimento pelas pessoas, às pessoas que voltaram pra minha vida. tampouco, um às pessoas que me fizeram as pré que eu agradecerei pra sempre por isso...
na verdade, pensando bem, bem, bem, bem, bem... esse post... pode ser é um agradecimento às pessoas que saíram da minha vida, às que voltaram pra minha vida, às que não ficaram tempo suficiente pra laços afetivos serem criados, às que fizeram as pré que nunca conseguirei retribuir/agradecer: por causa dessas pessoas, todas. eu sou uma pessoa menos pior do que quando elas chegaram ou foram embora ou fizeram o que fizeram pra eu estar aqui agora. 
eu não vou prometer que vou ser uma pessoa melhor a partir de agora, o máximo que posso fazer é prometer ser alguém menos pior do que fui esse ano e pras pessoas ao meu redor e que podem chegar, a minha vida. ou não. 
e eu ODEIO. FAZER. PROMESSAS. 










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¡¡¡ZU!!!
¡¡¡DEM!!!
¡¡¡BREAKIN!!!
¡¡¡FUCKIN!!!
¡¡¡NEUEN!!!
¡¡¡POST!!!

segunda-feira, 16 de outubro de 2023

sobre os (não-)ateus e/ou (não-)drogados e/ou (não-)militantes da universidade pública

a pessoa fala de consumo de drogas dentro da universidade pública como se consumir drogas fizesse parte de processo avaliativo das disciplinas e como se a renovação da matrícula a cada semestre dependesse do consumo periódico/constante de drogas.
¿sabem quem fala esse tipo de merda, que se consome drogas dentro da universidade pública com a mesma habitualidade de quem bebe água? 
quem não sabe que bebida alcoólica também é droga, que remédio pra dormir também é droga, que tem todo um lobby político-econômico da indústria de bebidas e da indústria farmacêutica pra criminalizar o consumo de outras drogas, nem sabe onde fica o campus de uma universidade pública mais próximo da sua casa, não sabe como uma universidade pública funciona porque nunca estudou em uma e, no máximo, só se informa do que acontece no mundo pela internet. geralmente, através de conteúdo altamente duvidoso. sim, se deve duvidar de tudo, mas tem conteúdo que não dá não. fora que esse pessoal, esse mesmíssimo pessoal ai não sabe ler uma porra de um trabalho, quer logo julgar o trabalho pelo título, ao invés de ir lá ao resumo e ver do que se trata tampouco, a porra da introdução do trabalho. não menosprezando menosprezando sim e foda-se, mas esperar o quê de quem, né non?
“ah, mas eu estudei em uma universidade pública” 
egresso de universidade pública que fala isso era o que, na minha época de CEFET, chamávamos de “número de matrícula”: entra/va mudo e sai/a calado. só sabe/sabia chegar à sala de aula e ir embora, só frequenta/va evento na instituição pra pegar carga horário. sabe/sabia, no máximo, no máximo, caminho da secretaria e do refeitório. ‘tá/‘tava errado? não, não ‘tá/‘tava. ‘tá errado quando quer se meter a dizer “na minha época da universidade”, quando nem viveu sua “época da universidade”. faz o favor pra todo mundo de ir se fuder, vai. 
“na minha época, só tinha militante comunista” sem saber nem que porra é comunismo, apesar de que, realmente, militante, independente da ideologia[1], é chato para um caralho. “tinha muito marxista”, marxista é um bicho muito chato e muito emocionado, mas o “número de matrícula” sabe nem que porra é marxismo, não sabe citar uma obra, um texto, um mísero ensaio. “eu só tive professor doutrinador”, pessoa sabe nem que porra é doutrinação e, mesmo tendo pai professor ou mãe professora (ou não), não sabe que professor mal tem tempo pra se coçar, que dirá pra se preocupar em doutrinar outrem. “pessoal só queria saber de greve” sabe nem pelo que o pessoal fazia greve, caralho. “pessoal fazia troça de mim porque eu era/sou cristão” pessoal tem mais o que fazer do que perseguir alguém pela sua religião, tanto que tem evento eclesiástico dentro dos liceus e geral nem tchum, totalmente foda-se. mazagora o que eu vi de fresc@ enchendo a porra do saco quando teve evento de religião afro-brasileira, CARALHO.
pessoal pensa que, na universidade pública, pessoal não tem o que fazer e vai fazer os outros virarem ateus e/ou drogados e/ou militantes[2] pra queimar o filme do ensino superior. deixa eu contar um segredo pra vocês: sabem quem vira ateu e/ou drogado e/ou militante na universidade pública? isso mesmo, quem já tem predisposição pra virar ateu drogado militante e só precisava dum insert coin, press start pra sê-lo. isso quando @ alecrim não deixa sua religião e vira drogado e/ou militante. isso quando @ alecrim já não entrou ateu e/ou drogado (viciado em remédio pra dormir ou pra qualquer outra porra também é ser drogado sim e vai se fuder se tu pensas o contrário)  e/ou militante. ninguém, NINGUÉM vai te amarrar, pegar as drogas e enfiar tua goela abaixo ou ameaçar matar tua família ou cancelar tua matrícula se tu não usares drogas, se tu não abandonares tua religião ou se tu não ingressares em algum movimento (geralmente, o movimento estudantil[3]).

eu já não gostava de militante antes de ingressar no CEFET, os militantes que conheci no CEFET me fizeram gostar menos ainda de militante. quando ingressei na UFPA, os militantes que conheci através dos meus amigos fizeram eu pegar um indiscutível, inexorável e insofismável RANÇO de militante. muito mais porque eu andava bebia igual um filho da puta que viu o time perder o campeonato em casa mesmo tendo a vantagem e descobriu que é corno assim que chegou em casa com gente que andava com esses caralhos que fez muita gente me confundir com eles, o que me fez perder oportunidades de estágio e de comer muita mulher[4]. se fiquei puto com isso?
NÃO, IMAGINA, FIQUEI FELIZ PARA UM CARALHO COM ISSO. PODEM TER CERTEZA DISSO!

VOLTANDO 
pessoal da direita diz que “o pessoal da esquerda controla a narrativa da universidade pública” e quer colocar gente lá pra “assumir o controle dessa narrativa[5]”. um excelentíssimo exemplo dessa patifaria é “ah, mas o professor de esquerda não gostou do meu trabalho e não deixou passar, disse pra eu fazer outro”.
eu até achava isso frescura e mania de perseguição. ai fui ver uns trabalhos ai de “gente de ‘direita’” e PUTA QUE PARIU, DOIDO, só tema sem pé nem cabeça, totalmente desconexo da realidade acadêmica e do que seu curso propõe. o homo universitarius padrão já não gosta de ler material acadêmico, convenhamos, é um fato que TODO MUNDO sabe e NINGUÉM nega. o homo universitarius de direita lê menos ainda e acaba fazendo uma merda maior ainda, acaba fazendo um trampo de conclusão de curso só pra se livrar mesmo. ‘tá errado? não, não ‘tá.
mazessa galera ai, essa mesma galera que lê muito menos do que o habitual, que caga pra pesquisa (mesmo que não queira enveredar pela pesquisa, mesmo porque ninguém é obrigad@ mesmo), que não sabe de PORRA NENHUMA que ‘tá acontecendo no lugar que assiste aula, que só sabe o nome de quem ‘tá ministrando disciplina porque é obrigatório fazê-lo que também propaga esse tipo de merda: “pessoal usa droga como quem bebe água e diz ‘bom dia’”; “na minha época, só tinha militante comunista”; “tinha muito marxista”; “eu só tive professor doutrinador”; “pessoal só queria saber de greve”; “pessoal fazia troça de mim porque eu era/sou cristão” e mais uma lista de bobagens que só é pra passar raiva. geralmente, essa galera é a que mais faz mais merda quando ninguém ‘tá vendo e deixa na surdina, criticando abertamente quem faz com todas as letras possíveis e em caixa alta e neon que dá pra ver de high above fields of marte[7]. NÃO IRONICAMENTE E NÃO COINCIDENTEMENTE, esse pessoal, esse mesmíssimo pessoal também é o mesmíssimo pessoal que não sabe ler uma porra de um trabalho, julga o trabalho pelo título, ao invés de ir ao resumo e ver do que se trata porque não entendeu o título; tampouco, a porra da introdução do trabalho. mas como falei, esperar o quê de quem? que fossem os Josés Maria Bassalo[8] e as Sônias Albuquerque[9] de suas gerações? não, né, porra? não mesmo. “não” em todas as línguas faladas pela nossa espécies, em todos os períodos até o da confecção deste texto. 
pessoal da direita quer colocar gente na universidade pública pra “assumir o controle da narrativa” pra quebrar a academia pelo lado de dentro pra poder sucatear pra poder justificar privatização da mesma. longe de mim dizer que gente de direita não pode cursar universidade pública, porque ela é – TEORICAMENTE É, DEVERIA SER[10] – de todos para todos e para todos e uma das graças do liceu é justamente a diversidade (ainda que com seríssimos limites e seríssimas restrições, porque ninguém merece bolsominion, lulaminion, neonazi[11], ancap[12], socialista lambedor de rabo da URSS com camisa do Che Guevara[13] e liberal privatista[14]) é a graça da academia.
podem até me chamar de teórico da conspiração[15], paranoico[16], o caralho que for isso nos coloca em rota de colisão, estamos em rota de colisão[17], mas do jeito que o direitista/liberal brasileiro médio é gerado e concebido por uma chocadeira queimada, césio-137 no lugar do cérebro e uma tara incurável/intratável por privatização, não se pode-se duvidar jamais dessa possibilidade. ademais, sabem gosta duma doutrinaçãozinha de leve e no jeitão? isso mesmo, direitista. preciso lembrar do projeto “escola sem partido”? as escolas confessionais são controladas por esquerdistas/progressistas[15]? pois então.
DISCLAIMER: VAI SE FUDER SE TU VIERES COM O PAPO DA “AH, MAS A ESQUERDA TEM A ‘IDEOLOGIA DE GÊNERO’ QUE QUER QUE TODO MUNDO ACEITE”!
vai ter gente que vai falar das aceitações de indivíduos que não são “facilmente” aceitáveis? sim, vai. indivíduos que foram historicamente e socialmente marginalizados e ignorados e que SÃO historicamente e socialmente marginalizados e ignorados. não vou cair na hipocrisia de que a esquerda também marginaliza e ignora muitos destes indivíduos e não os usa quando lhe convém, porque sim, a esquerda marginaliza e ignora muitos destes indivíduos e só os usa quando lhe convém. não precisei de ninguém pra me dizer isso porque eu vi e já fui massa de manobra quando eu ainda não era ciente disso e não era conveniente pra muita gente que eu tivesse ciência disso.
PORÉM, não quer preto na universidade? vai ter preto na universidade. não quer indígena na universidade? vai ter indígena na universidade. não quer mulher trans na universidade? vai ter mulher trans na universidade. vai ter pardo, mameluco, estrangeiro, portador de necessidade especial, o caralho que for na universidade porque sim. TODO MUNDO SE FODE PAGANDO IMPOSTO PRA TODO MUNDO ESTAR NA UNIVERSIDADE SIM E PORQUE SIM.
“ah, mas a universidade não é lugar pra esse tipo de gente” – quem diz “pessoal usa/va droga como quem bebe água e diz ‘bom dia’”; “na minha época, só tinha militante comunista”; “tinha muito marxista”; “eu só tive professor doutrinador”; “pessoal só queri/a saber de greve”; “pessoal faz/ia troça de mim porque eu era/sou cristão” e mais uma lista de bobagens que só é pra passar raiva vai dizer. tenho uma excelentíssima e maravilhosíssima notícia pra mim e uma péssimíssima e horribilíssima notícia pra esse tipo de gentalha: A UNIVERSIDADE É LUGAR PRA ESSE TIPO DE GENTE TAMBÉM SIM E PORQUE SIM, POR MAIS QUE VOCÊS NÃO QUEIRAM E VOCÊS NÃO TEM QUE QUERER PORRA NENHUMA.

quem ficar incomodado com isso, pode ir pra Ucrânia ou pra (Terror)Israel, os dois países estão aceitando brasileiros. aqui não vão fazer falta.


quer ser ateu? seja, mas não encha a porra do saco d@ abiguinh@.
quer ser religios@? seja, mas não encha a porra do saco d@ abiguinh@.
quer ser drogad@? seja, mas não encha a porra do saco d@ abiguinh@.
quer ser militante? seja, mas não encha a porra do saco d@ abiguinh@.
não quer fazer universidade? não faça, mas não encha a porra do saco d@ abiguinh@.

sim, viver em comunidade é uma merda, mas o máximo que podemos fazer é facilitar a vida de todo mundo, começando por não escrotizar a vida de todo mundo e pra todo mundo. 
sim, a teoria é uma maravilha.
sim, falar é mais fácil do que fazer.



postagem dedicada ao Prof. Dr. José Maria Filardo Bassalo[18] (1935-2015), que eu tive a indizível honra de conhecer quando ainda vivo; a toda que conheci de movimento estudantil que não foi otári@ comigo quando eu ‘tava na graduação[19] e a tod@s @s junkies que conheci em igual interim.
¡vocês foram e são, no melhor sentido da palavra, foda! .





¡¡¡BIS!!!
¡¡¡ZU!!!
¡¡¡DEM!!!
¡¡¡BREAKIN!!!
¡¡¡FUCKIN!!!
¡¡¡NEUEN!!!
¡¡¡POST!!!










[1] existem direitas e existem esquerdas, mas isso é conversa pra outro post.
[2] militante de direita ou militante de esquerda, ambos são igualmente insuportáveis para um caralho.
[3] queria mandar aqui um grande “HAIL AND KILL!” pra todo mundo que conheci de movimento estudantil que não era otári@ e não foi otári@ comigo.
[4] como se já não fossem suficientes meus defeitos e péssimos hábitos da época pra queimar meu filme gratuitamente.
[5] se vocês soubessem a raiva que tenho da ressignificação desse termo para utilização nesse contexto...
[6] outra conversa pra outro post.
[7] malz, não deu pra não fazer a referência.
[8] José Maria Filardo Bassalo (1935-2015), engenheiro civil pela Escola de Engenharia do Estado do Pará, bacharel em Física pela Universidade de Brasília; mestre e doutor em Física pela Universidade de São Paulo. 
[9] Sônia Cristina de Albuquerque Vieira, doutora e mestra em Ciências Sociais, com ênfase Antropologia pela Universidade Federal do Pará; e licenciada plena em Ciências da Religião pela Universidade do Estado do Pará.
[10] tem que espancar neonazi até suástica nazi virar cata-vento. nem dá pra fazer ração pra bicho com carne de neonazi porque o bicho vai ficar envenenado e, posteriormente, imprestável pra qualquer uso.
[11] eu já falei que ancap não é gente e sua opinião é automaticamente desconsiderada em qualquer situação? ancap não é gente e sua opinião é automaticamente desconsiderada em qualquer situação.
[12] ironicamente esse pessoal seria morto no regime soviético e/ou pelo Che Guevara.
[13] idem nota 11.
[14] teórico da conspiração e conspiracionista são a mesma coisa? não sei, responde ai nos comentários. 
[15] paranoicuzão ou paranoicuzinho?
[16] idem nota 7.
[17] sim, EXISTEM DIFERENÇAS entre esquerdistas e progressistas. sim, também é outra conversa pra outro post.
[18] curiosidade curiosa: ele foi avô de um maluco que fez segundo e terceiro anos do ensino médio comigo, inclusive.
[19] podem até me chamar de “maldito hipócrita do caralho” porque namorei com duas, a Heiđrun, a Ina e a Annie. eu falei pra caralho delas aqui em muitos e muitos posts.

quarta-feira, 4 de outubro de 2023

A/ÀS GERAÇÕES QUE SE PERDE[RA]M EM SI

 ouvindo: Mutant Strain, Murder Of Crows, 2023.

“Overburdened, underwhelmed, their ethical decree
That’s your moral compass but what good is it to me?” 
– Bad Religion, “True North”
apesar de todos os meus defeitos e péssimos hábitos, eu já tinha um ranço gratuito de gente velha/idosa desde que eu era muleque. tenho quarenta anos e, dependendo do velho por perto, prefiro que fique em silêncio mesmo. algo que sempre me deixa, desde sempre, encaralhado para um caralho é cumprimentar alguém com uma ofensa ou comentário depreciativo e gente velha/idosa tem o péssimo habito de ser personagem épica[1] nisso.
passar dos anos, só foi agravando, ainda mais quando eu soube da “justificativa” “não, é só brincadeira, pra descontrair, pra entrosar, pra quebrar o gelo” pra comportamentos e falas preconceituosos/depreciativos de diversos vieses, que, se prestarmos bastante atenção, (estes comportamentos e falas) vão se sendo repetidos indefinidamente entre as gerações a ponto de ser naturalizados, culturalizados[2], socializados e, resultantemente, imperceptíveis a ponto de não considerar uma avaliação e ulterior (auto)correção de quem os profere. e então, velh@/idos@ ficar de uma frescura extrema quando recebe o mesmo tratamento, e alguém (quando não, amigo teu ou parente teu ou afins de proximidade) “ah, tem idade pra ser teu pai, tua mãe, avó, avô; isso que tu estás fazendo é falta de respeito”.
aham. “falta de respeito”. ‘tô sabendo.
como o trem piorou de forma colossal quando ingressei o ensino superior, quando conheci uns muitos professores que deveriam levar um beijo de .12 em cada joelho por dia antes de saírem de casa pra ministrarem aula pra aprenderem a respeitar aluno – não respeitavam seus favoritos, que dirá os seus que não eram. então, agora, corno vai vir e dizer “ah, tal professor não é assim não”. aham. “não é” pra caralho também, eles que não se ouviam falando e/ou não eram tratados assim. nesse instante, nota-se que isso faz parte de uma cultura tão enraizada do professor universitário médio/padrão ser naturalmente cretino que povo nem se sente que isso acontece. sim, certo, é assunto pra outro post[3].
chegando onde eu queria chegar de fato com essa postagem...
agora fudid@ vem me dizer pra ter pena dos idosos que foram presos pelos ATOS TERRORISTAS do oito de janeiro do ano corrente. 
como é que esse pessoal, essa velharada, falava pra gente mesmo? 
“se estivesse em casa, isso não ter acontecido”? 
“boa romaria faz, na sua casa vive em paz”? 
dependesse de mim, apodreciam todos na cadeia nas mesmíssimas condições que um monte de gente que rouba pra comer fica só porque roubou pra comer e não tem o caso acelerado na justiça enquanto empresário que dirige bêbado e mata alguém, paga uma fiança, sai pela porta da frente e sem ser fichado[4]. eu nem vou entrar na seara dos policiais militares que fazem a mesmíssima coisa em serviço e dá em nada pra eles “porque ‘estavam em serviço’ e essas coisas acontecem”, porque também é outra discussão para outro momento. 
“ah, mas [meu pai, minha mãe, avô, avó] ‘tá preso em condições subhumanas, não ‘tá tomando o remédio, não tem o que comer; chora todos os dias, querendo voltar pra casa.” 
FODA-SE, MEO ERMAUM!
como é que esse pessoal falava mesmo? 
“direitos humanos para humanos direitos”? 
“direitos humanos esterco da vagabundagem”? 
“direitos humanos é coisa de esquerdista vagabundo”? 

depois das prisões[5], eles, seus parentes e correligionários (todos de índole tão golpista e terrorista quanto, perceba-se) ficaram chorando nos meios de comunicação “direitos humanos, cadê os direitos humanos?” “aaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaain, como é que deixam essas pessoas viverem nessas condições?” POR FAVOR, NÉ, PORRA?!
exprime minha opinião sobre esse bando de vagabund@s desocupad@s 01
exprime minha opinião sobre esse bando de vagabund@s desocupad@s 02 
exprime minha opinião sobre esse bando de vagabund@s desocupad@s 03

avó de uma chegada minha do ensino médio virou doida de quartel e ‘tava no 8.01.2023. certo dia, essa chegada colocou umas fotos temporárias no grupo do ensino médio[6] de uma festa da família dela que ‘tava rolando perto de um Líder no qual só gente “lisa” mora perto[7] e “vovó... zona” com uma FUCKING tornozeleira eletrônica na canela. pois, em belo e determinado momento, ninguém mais, ninguém menos que a FUCKING PF bate lá pra saber porque FUCKING MOTIVO a velha não ‘tava na casa dela aquele horário, depois das 21h30, e levou metade da festa presa porque não queriam deixar a velha ir em cana de novo. infelizmente, muitíssimo infelizmente, o trem não apareceu na tv porque gente com muita grana abafou porque muita gente na mesma condição que a “vovó... zona” foi no balaio presa porque ‘tava na mesmíssima condição.
se vocês acreditam que os tempos (ditos pós-)modernos estragaram nossos jovens e nossas crianças (ver os incels, femcels, embelezos, esquerdomachos, esquerdominas, ancaps, esquerda cirandeira, channers), digo para prestarem a devida atenção para quanto e como estes mesmíssimos tempos estragaram (muitos d)os velhos e (d)os idosos, sendo que, se tem uma coisa pra qual a internet foi bastante útil, foi pra mostrar o quanto velhice não é sinônimo de acúmulo de sabedoria, visto o quanto essa velharada foi estimulada a mostrar o quanto o brasileiro médio – independente da idade, do grau de instrução, do credo e da região[8] – é conservador e preconceituoso a ponto de assustar o próprio brasileiro médio.  
se tivermos – “nós”: a parcela da geração X nascida na década de 1970[9], os millenials[10], as gerações W[11] e Dragon Ball Z[12]– , que levar um ensinamento de gente velha/idosa em consideração, que seja este “seja uma pessoa melhor do que eu sou, seja uma pessoa melhor do que eu fui”.
os tempos presentes, portanto, mostraram que há dois desafios. o primeiro consiste em não permitirmos que os jovens e as crianças sigam pelo mesmo rumo que essa velharada. o seguinte é não nos permitirmos (sim, nós, geração X, millenials et geração W) ser o que esta “melhor idade” foram e são. a crise na economia, na sociedade e no clima resultam de muitas das decisões deles (o quanto isso é culpa do capitalismo também é assunto para outro post) e não podemos nos omitir do quanto gerações X, Y, W e Z somos tanto quanto culpados. 
não posso precisar se perdemos o norte, se nunca tivemos um norte ou se ele chegou, algum dia, a existir. mas talvez tenha passado da hora de fazermos o da nossa geração, o do nosso agora porque os das gerações anteriores à X se mostraram inúteis, desprovidos e de sentido e significado, além de não-ressignificáveis. não dá pra dizer que não é uma coisa ruim.
a única certeza que consigo inferir é: se não quisermos ser os velhos chatos do futuro, temos que corrigir pra ontem nossos hábitos e os das gerações vindouras, porque uma solução os-sofrimentos-do-jovem-wertheriana não vai resolver e é tudo que a extrema-direita e a esquerda radical conservadora[13] quer: tod@s @s rebeldes, insurgentes, descontentes, crític@s e dissidentes à ela[s] @s fora de seu[s] caminho[s], facilitando sua vitória.
essa é mais uma luta entre tantas, que não reduz as outras, porque faz parte das outras e as outras fazem parte delas.
jamais esqueçamos: a revolução começa a partir da crítica e da autocrítica, enquanto plano das ideias e ação. nada é incriticável. é possível não ser chato e não passar pano pra nada. começando por nós mesmos.




¡¡¡BIS!!!
¡¡¡ZU!!!
¡¡¡DEM!!!
¡¡¡BREAKIN!!!
¡¡¡FUCKIN!!!
¡¡¡NEUEN!!!
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[1] trad. “personagem com habilidade lendária em alguma habilidade”.
[2] sim, essa palavra existe.
[3] isso se eu já não tiver escrito sobre isso em algum momento a anteriori.
[4] vocês sabem de qual (terrorista) deputado federal goiano estou falando, mas tem mais exemplos disso do que estrelas cujos brilhos vemos à noite quando dá pra conseguir ver.
[5] prisões estas que deveriam levar todos os militares envolvidos, inclusive; serem enquadrados, demitidos, tornados civis e presos; porque, se depender da justiça militar – essa sim a verdadeira vergonha do serviço público brasileiro, o verdadeiro e inconteste amontoado de vagabundo desocupado inútil por metro quadrado da América Latina – nenhum vai preso; no máximo, afastado e ainda recebendo pra isso, POR MÊS, mais do que muito assalariado vai ganhar em uma vida todo dia.
[6] como é de conhecimento geral, não dá pra tirar print de fotos temporárias.
[7] sim, consideremos o quão um imóvel fica valorizado quando um supermercado grande passa a fazer parte das proximidades, ainda mais quando é bairro “nobre”.
[8] Tocantins não fica no norte do Brasil; na verdade, é um ponto cego. quem nasce no RJ, ES, SP, PR, SC e RS é SUDESTINO!
[9] a geração X compreende todo mundo nascido entre 1960 e 1980. também tenho que pontuar aqui que não teve geração baby boomer na América Latina, Ásia, África, Europa Oriental e Oceania, sendo um fenômeno sociocultural exclusivo da América Anglo-Saxã e Europa Ocidental.
[10] minha geração, diga-se logo; também alcunhada de geração Y, sendo todo mundo nascido entre 1980 e 2000.
[11] todo mundo nascido entre 1990 a 2000.
[12] todo mundo nascido entre 1990 a 2010.
[13]  romance publicado originalmente sob o título Die Leiden des jungen Werthers, em 1774, de autoria do romântico alemão Johann Wolfgang von Goethe (1749-1832).
[14] sim, existem progressistas conservadores! não abre teu olho pra ver se tu não rodas nas mãos deles!

segunda-feira, 29 de maio de 2023

CANÇÃO PARA LAÍS

 ouvindo: ouvindo: Krigshoder, Krig I Hodet, de 2020.


[esse texto ‘tá sendo upado aqui porque não coube todo no instagram]

e com vocês, os quarentões que você ama, respeita e venera. os melhores de seus mundos, povos, culturas e grupos sociocomunitários. 
se tivéssemos marcado de nos encontrar, a gente não teria conseguido e ainda ficaria puto um com o outro, mas ainda bem que calhou de nos encontrarmos de forma totalmente aleatória. até o momento de escrita desse texto, eu ainda não sei como, sendo os dois chorões que somos, não choramos quando nos vimos – eu quero acreditar que estávamos tão cansados, famintos (¿mas quando e em qual momento ela e eu não estamos com fome?) e neurados (¿mas quando e em qual momento ela e eu não estamos neurados?) que não conseguimos chorar, dada à situação.
a Laís (eu gosto de chama-la de “Hel” ou de “LH” creio que só eu a chame de tais formas], eu posso dizer isso sem quaisquer tipos de equívocos, foi, por muito, muito tempo, a melhor amiga não-presencial que tive. ela sabe de MUITA COISA que até alguns dos meus melhores amigos de infância e/ou adolescência não sabem e também tenho a cota de podres dela que ela prefere que muita gente não tenha conhecimento. por muito, muito tempo e em muitas, muitas situações, apesar da distância continental, fomos as únicas pessoas que tivemos para nos apoiar, em virtude de situações, no mínimo, caralhentas para caralho que passamos em nossos locais de residência ou viagens.
eu posso dizer sem quaisquer tipos de equívocos que a LH é uma das melhores pessoas que conheço, que posso chamar de amiga e que eu não poderia ter vindo à SP sem tê-la visto e trocado uma ideia com ela pessoalmente. posso dizer, inclusive, que sou uma pessoa melhor por causa dela, das coisas que aprendi e aprendo com ela, tanto que ela é uma responsável direta por eu ter estreitado ainda mais meus laços com mi madre, muito do meu atual trato com a mamãe é resultado direto do que a LH me ensinou a partir da relação dela com seus pais (ela certamente não sabia dessa parte e queria ver a cara dela quando ler isso).
não sei quando vou voltar aqui. eu sei que serei uma pessoa melhor quando isso acontecer. eu sei que voltarei daqui uma pessoa muito melhor do que quando vim, em virtude de tudo que passei e aprendi nesse quadrimestre. eu certamente não teria conseguido sem muita coisa do que LH me orientou fazer e NÃO fazer. eu sei que LH será uma pessoa mais fantástica, maravilhosa e incrível do que já é e do que quando nos conhecemos. eu querer ser uma pessoa melhor diariamente, creio, é uma resposta e homenagem à vontade inexorável e inesgotável da Laís em querer ser sempre melhor do que no dia anterior, pra ela, pro Luís [marido dela, a saber] e pras pessoas ao redor dela. posso dizer, insofismavelmente, que venci na vida tendo alguém como ela como amiga e poder me referir a ela como tal acabei de lembrar que nunca parei pra pensar se ela pensa o mesmo ao meu respeito, mas ai eu penso qual a relevância disso.
agora é hora de voltar pra casa, com as melhores lembranças daqui. infelizmente não dá pra levar os trens e os metrôs e as lojas de tudo a preços “acessíveis”. queria eu, muitíssimo e somente Mãe Gæa sabe o quanto, poder abraçar a LH antes de entrar no avião antes de voltar pro Pará. mas a gente vai reunir de novo, eu sei, só não sabemos quando. 
mas vamos.

domingo, 31 de julho de 2022

THE MAN WHO FELL TO EARTH – crítica e análise da série

ouvindo: GISM, Detestation, de 1983.
era pra ter tido mais postagens este mês mas apareceu muito trampo pra fazer e escrevi muitos contos, então não deu não. ‘bura ver mês que vem que acontece.

“It’s a matter of prescience,
No, not the science fiction kind.
It’s all about ignorance,
And greed and miracles for the blind.
The media parading, disjointed politics
Founded on petrochemical plunder,
And we’re its hostages.” 
– Bad Religion, “Kyoto Now!”

The Man Who Fell To Earth
, série de televisão de 2022, criada por Jenny Lumet[1] e Alex Kurtzman (Star Trek, Transformers, Watchmen, Cowboys & Aliens). produção conjunta da Secret Hideout, Timberman/Beverly, StudioCanal e CBS. distribuído pela Paramount.

pra entender a série The Man Who Fell To Earth, deste ano. é preciso, inicialmente, ver e entender três filmes. sendo estes, nessa ordem O Dia em que a Terra Parou – que comentei NESTE POST –, O Homem que Caiu na Terrae Starman.
O Dia em que a Terra Parou
, de 1951, dirigido por Robert Earl Wise (1914-2005), roteiro de Edmund Hall North (1911-1990), sobre o conto O Mestre Sou Eu, de 1940, escrito por Hiram Gilmore “Henry” Bates (1900-1981). produzido e distribuído pela 20th Century Fox.
O Homem que Caiu na Terra
, de 1976, dirigido por Nicolas Jack Roeg, roteiro de Paul Mayersberg, sobre o livro homônimo de Walter Stone Trevis. produzido e distribuído pela British Lion Films.
Starman
, de 1984, dirigido por John Carpenter e roteiro de de Bruce Ansile Evans (Assassinos[2], Conta Comigo[3]) e Raynold Gideon (Paixão Eterna, A Ilha da Garganta Cortada[4]). produção conjunta da Industrial Light & Magic e Delphi II Productions. distribuído pela Columbia Pictures.

O Homem que Caiu na Terra é baseado no livro homônimo do estadunidense Walter Stone Trevis (1928-1984[5]), publicada em 1963. é um filme de 1976, dirigido por Nicolas Jack Roeg (1928-2018) (A Convenção das Bruxas[6], Eureka, Inferno ou Paraiso) e seu roteiro foi escrito por Paul Mayersberg. o livro eu pretendo ler ainda esse ano, mas não vou criar expectativa porque já tenho uma pica de coisa pra ler antes pra outros fins.
já Starman foi produzido pelo MICHAEL DOUGLAS[7] e quem era pra dirigir primeiro era o Adrian Lyne (9 ½ Semanas de Amor, Atração Fatal, Lolita), mas ele ‘tava trampando o OBRIGATÓRIO Flashdance, de 1983. depois era pra ser o Peter Hyams (TimeCop: Guardião do Tempo, Morte Súbita, 2010: o ano que faremos contato, Fim dos Dias, Deu a Louca nos Monstros). depois era pra ser o Tony Scott (1944-2018) (Top Gun, Um Tira da Pesada 2, Inimigo do Estado, Maré Vermelha, Jogo de Espiões). e então o projeto passou pras mãos do JOHN FUCKIN HELL MASTER OF UNIVERSE CARPENTER[8], com roteiro de Bruce Ansile Evans e Raynold Gideon, indo pros cinemas em 1984.
mas então que tem um documentário italiano chamado Starman, de 2020, dirigido e escrito por Gianluca Cerasola, contando a trajetória do astronauta italiano Luca Parmitano, da Agência Espacial Europeia[10], único europeu a ter comandado a Estação Espacial Internacional e o primeiro a realizar caminhadas espaciais.
Starman
, de 2020, dirigido e escrito por Gianluca Cerasola
EXCETO ESTE ÚLTIMO STARMAN, estas obras dialogam a questão do “visitante” extraterreste/alienígena/extraterráqueo/extraterreno vocês entenderam que vem à Terra com alguma missão que só pode ser realizada aqui, geralmente pra conscientizar nossa espécie que está cometendo suicídio social[9], ambiental, cientifico, tecnológico, o escambau. 

mas qual é o papo de The Man Who Fell To Earth, no fim das contas?
Chiwetel Ejiofor (Amstad, Quatro Irmãos, O Gângster, 2012, Perdido em Marte. Doutor Estranho) interpreta um extraterreste/alienígena/extraterráqueo/extraterreno vocês entenderam, oriundo do planeta Anthea, é enviado à Terra para descobrir/desenvolver uma tecnologia que salve o ecossistema de sua terra mater, destruída em decorrência de guerras nucleares. após uma referência/homenagem ao primeiro Exterminador do Futuro e outra a Mad Max e parar numa delegacia de polícia, ele toma o nome Faraday da oficial que o “atende”,  obviamente em homenagem ao físico britânico Michael Faraday (1791-1867).
como eu já sabia que tinha visto a cara dessa oficial em algum lugar, fui dar uma fuçada na ficha técnica da série e descobri que quem a interpreta , é a Martha Campbell Plimpton, que atuou SOMENTE n’Os Goonies[11] e também na ficção científica que não tem cara de ficção científica A Costa do Mosquito, de Peter “DEAD POETS SOCIETY” Weir (O ano que vivemos em perigo, Sociedade dos poetas mortos[12], A Testemunha, O show de Truman, Mestre dos mares), cujo roteiro foi baseado no romance homônimo de Paul Theroux, publicado originalmente em 1981.
Os Goonies
, de 1985, direção de Richard “Máquina Mortífera” Donner e roteiro de Chris Columbs, sob história de Steven Spielberg. produzido pela Amblin Entertainment e distribuído pela Warner Bros. Internacional.
A Costa do Mosquito
, de 1986, direção de Peter Weir e roteiro de Paul Joseph Schrader, baseado no romance homônimo de Paul Theroux. produzido pela Saul Zaentz Company e distribuído pela Warner Bros. Internacional.

então Faraday vai em busca de Justin Hammer Gravity Falls (Naomie Harris [007: Skyfall{13}, Moonlight, Mandela: Longo Caminho para a Liberdade]), física e engenheira formada pelo MIT, cuja tese de doutoramento é sobre uma nova tecnologia de produção de energia limpa, que poderia substituir os combustíveis fosseis (i.e., petróleo). após muitas pendengas e idas e vindas, e Faraday ter conhecido Joshua (Clarke Peters [K-Pax{14}, Marley & Eu, Um lugar chamado Nothing Hill]), pai de Justin, e Molly (Annelle Olaleye), unigênita da cientista, cientista como o pai, vão atrás de Hatch Flood (Rob Delaney [Deadpool 2, Rocketman{15}), cientista britânico que quase leva a empresa criada pelo pai, Cliver Flood (Laurie Kynaston), pro buraco..
essa empresa “familiar” se chama OriGen não confundir com a InGen, de O Mundo Perdido: Jurassic Park, cuja CEO é a irmã de Hatch, Edie não, não o mascote do Maiden (Sonya Blade Cassidy), mãe de Clive (Laurie Kynaston) e gestora com mão de ferro thatcheriana. os irmãos Fenris[16] são ferradamente encoxados assediados pelo agente da CIA Spencer Clay (Jimmi Page Simpson) para que os Hatch entreguem a ele Faraday porque sabe que Faraday o levará ao Thomas Jerome Newton (Bill Ward[17] Nighy) que – OLHA SÓ QUE COISA! – enviou o Faraday à Terra pra terminar a quest que não conseguiu fazer porque – OLHA SÓ QUE COISA!² – a CIA caiu em cima dele e fez de tudo para desacreditá-lo publicamente, o que o fez sumir do mapa e fuck off and die Central Intelligence of America. Clay despiroca valendazideia a ponto de tirar sua superior – Drew Barrymore Finch (Kate Mulgrew[18]) – da jogada, que o colocou n[est]a jogada, para conduzir a operação sozinho.
O Mundo Perdido: Jurassic Park
, de 1997, dirigido por Steven NÃO PRECISO DIZER QUEM É Spielberg e roteiro de David Koepp (Missão: Impossível, Quarto do Medo, O Efeito Dominó, trilogia Homens de Preto). sobre o livro homônimo de John Michael Crichton (1942-2008), publicado em 1995. produção conjunta da Amblin Entertainment e da Universal Pictures. distribuído pela Universal Pictures.

no fim das contas, no frigir dos ovos, no cantar do cisne, [a série] The Man Who Fell To Earth acaba sendo inicialmente e não somente uma continuação direta do filme homônimo. tudo que ‘tá na série ‘tá no filme do Roeg aparece diretamente e INdiretamente nessa série, mas não pegando o timing expressionista alemão do filme – ao contrário, centrando-se então na sci-fi fuckin hard, na qual físicos especialistas em eletromagnetismo e energias limpas, engenheiros mecânicos, engenheiros de produção, matemáticos, musicistas e engenheiros eletricistas deleitar-se-ão para um caralho e ISOCRONICAMENTE tratando racismo[19], misoginia, machismo, sexismo, etarismo, violência e abuso policial, tretas familiares quando tem muita grana pra caralho na jogada, crise na ciência, tretas diplomáticas, crise na tecnologia e questão ambiental  no .12 NA SUA CARA sem meias palavras de duplo sentido. Lumet e Kurtzman não têm medo algum de apedrejar todas as janelas possíveis e todas as discussões estão lá, muitas vezes, de forma simultânea que PROPOSITALMENTE não te deixam respirar até aparecer as letras dos créditos ao final de cada episódio. tem até uma zuada com a guerra na Ucrânazista, mas isso terás que descobrir sozinh@. 
[a série] The Man Who Fell To Earth não tem um ritmo linear, tem momento que tem que fazer muita força pra conseguir acabar o episódio e nem sempre a construção climática tem o resultado esperado. Faraday e Clay competem severamente pra saber qual personagem te deixa mais puto com o maior número de presepadas que aprontam. É VIRTUALMENTE E HUMANAMENTE IMPOSSÍVEL não odiar Edie Flood, que está totalmente dedicada odiada em fazer o espectador passar raiva, tal como É VIRTUALMENTE E HUMANAMENTE IMPOSSÍVEL não criar empatia pelos dramas e derrotas e frustrações de Justin Falls e Hatch Flood, muitíssimo mais pela primeira. Molly e Clive representam o espectador quanto a ser jogado no olho do furacão e se perguntar-se, continuamente, o que ‘tá acontece-ndo de fato a nível microscópico e a a nível macroscópico na série. a analista da CIA Lisa Simpson Dominguez (Joana Ribeiro) é a, a seu modo, verdadeira veia da Havan dessa temporada, muito mais que o retardoido do Clay, a Edie é caloura do parquinho perto dela e é isso que a salva de ser totalmente encarcada fist fucked with two mãos full hard full mode pela Finch[20]. por fim, mesmo que este quem vos fala já tenha morrido por dentro faz uma cara[21], É VIRTUALMENTE E HUMANAMENTE IMPOSSÍVEL não amar o Joshua Falls. se não criares nenhum apreço por este personagem, tu estás morto desde o momento que foste concebido ainda no ventre da tua mãe.
[a série] The Man Who Fell To Earth convence, e mais ainda se veres o filme homônimo antes ou depois de sacares a série, mesmo que funcionem muito bem de forma independente. não são obras “fáceis” e “acessíveis”, não só por serem ficção científica, mas por forçarem ao máximo o que o/a espectadora tem para poder pegar tudo que a[s] obra[s] te[ê]m a oferecer.dá pra abrir n discussões acadêmicas ou não sobre o que o Super Sentai Trevis, Roeg, Mayersberg, Lumet e Kurtzman botam na mesa com The Man Who Fell To Earth. se tu conseguires chegar ao sexto episódio e conseguir terminar, tu consegues fechar a temporada.
assista The Man Who Fell To Earth.
 




[1] já posso ficar admirado por ela ser filha do Sidney Arthur FUCKIN Lumet (1924-2011), cineasta estadunidense, responsável por filmes como O Veredicto, Serpico, Assassinato no Expresso Oriente e Negócios de Família;
[2] o dirigido pelo Richard Donner e estrelando o Stallone e o Banderas, cuja morte do personagem  foi RIDÍCULA, feat. PATÉTICA;
[3] FILME QUE DISPENSA APRESENTAÇÕES;
[4] não recomendo nem pra ver como passatempo porque não tem nada pra ver!
[5] MAZULHA ESSA COINCIDÊNCIA!
[6] CLÁSSICO OBRIGATÓRIO!
[7] DISPENSA APRESENTAÇÕES;
[8] idem; 
[9] não preciso dizer quem eu ‘tô citando;
[10] instituição intergovernamental criada em 1975 a partir da fusão da Organização Europeia de Desenvolvimento de Lançamento (no original European Launcher Development Organisation, de, acrônimo ELDO) – criada em 1960 – e da Organização Europeia de Investigação Espacial  (no original European Space Research Organisation, de, acrônimo ESRO) – criada em 1964 –, dedicada à exploração do espaço e atualmente com 22 Estados-membros;
[11] não conhece? se mata, cachorro imundo, faz esse favor rápidão vai, assiste e depois volta pra terminar esse texto;
[12] idem comentários 3 e 11;
[13] no qual ela foi a primeira preta a interpretar a famosa secretária Money Penny e pelo qual a Adele recebeu o Oscar de Canção Original;
[14] CARALHO, EU NEM LEMBRAVA MAIS DESSE FILME!
[15] tenho até que ver essa porra, mais um pra fazê-lo é ver esse bicho fazendo o Elvis Presley;
[16] não, não o totem da tribo escandinava do RPG Lobisomem: o Apocalipse e sim os irmãos Andrea e Andreas von Strucker, sobrinhos do Barão Werner von Strucker, criados pelo roteirista estadunidense Christopher Claremont e seu compatriota, o artista John Salvatore Romita, cuja primeira aparição foi na edição 194 de Uncanny X-Men, de junho de 1985; 
[17] referência óbvia tanto ao batera do Black Sabbath quanto ao cartunista homônimo ao baterista do Black Sabbath;
[18] eu sabia que conhecia essa caralha de alguma série. fui wikipediar sim, criei esse verbo agora, podem usar que não vou cobrar royalties e descobri que ela fez a capitã Kathryn Janeway em Star Trek: Voyager e a Rayner Fleming no CRÁSSICO do cine mentira Remo: Desarmado, mas Perigoso. sobre ele, rever o comentário 11;
[19] NÃO. EXISTE. RACISMO. REVERSO. EM. NENHUM. LUGAR. DO. MUNDO.
[20] preciso até ver esse filme com o Hanks, inclusive, uma hora rola;
[21] isso em si já dá uma série de postagens, e só postagem MONSTRA. mas não se iludam PORQUE ISSO NÃO VAI ACONTECER.










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sexta-feira, 15 de julho de 2022

EX-DRUMMER - crítica e análise do filme

 ouvindo: GISM, M.A.N. (Military Affairs Neurotic), de 1987.

respondasem pensar: qual foi o último filme estadunidense que chutou sua boca? qual foi o último filme estadunidense que te deixou fudido das ideias? resposta difícil. mais fácil um filme brasileiro ter te deixado assim. sim, o que o brasileiro médio pensa sobre o cinema brasileiro já vale aquele textão no jeito entretanto, é inegável dizer que europeus e asiáticos são campeões mundiais e olímpicos em fazer filme pra acabar com o psicológico do cabocu dá pra fazer um post só listando as pedradas made in Eurasia. e então temos, tem-se Ex-Drummer, filme belga de 2007, escrito, dirigido e produzido por Koen Mortier, baseado no livro homônimo do escritor, poeta, dramaturgo e colunista Herman Brusselmans, publicado em 1994.
Ex-Drummer, de 2007, escrito, dirigido e produzido por Koen Mortier, baseado no livro homônimo do escritor, poeta, dramaturgo e colunista Herman Brusselmans

eu gosto de cinema. eu gosto de punk rock. eu gosto do conceito de arte como ferramenta de crítica social através do incômodo e do mal estar, de deixar o espectador FUDIDO, na merda. quando vi as críticas de Ex-Drummer feitas pelo Lucas Maia, do Refúgio Cult[1] e pelo cara do Getro[2], pensei “CARALHO, ESSE É O FILME PRA VER E COMENTAR”. ontem vi e..... 
caralho, a pegada do filme é tensa pra porra. é perfeitamente compreensível parar o filme muitas vezes pra parar e tomar um ar pra continuar. a metodologia de fotografia e montagem é totalmente alinear, pra bagunçar mesmo e propositalmente seu cérebro e senso de direção, o roteiro é assim também, não te deixa quieto até mesmo nos momentos mais “legalzinhos”, sem aspas e com muitas ressalvas. atrevo-me dizer que é o Apocalypse Now! dos filmes de punk rock.
Apocalypse Now!
, de 1979, dirigido por Francis Ford Coppola e escrito por ele e John Millius[3], baseado no romance O Coração das Trevas, do escritor e marinheiro anglo-polonês Józef Teodor Konrad Korzeniowski, a.k.a. Joseph Conrad (1857-1924).

pode não parecer, mas exceto Lio (interpretada por Dolores Bouckaert), a esposa de Dries (o narrador do filme), ninguém é o que se pode chamar de “mentalmente estável”[4]. falando no Dries (interpretado por Dries Vanhegen), ele é um escritor famoso e o filme começa com ele sendo visitado por um trio: Keon de Geyter, um neonazista (interpretado por Norman Baert) e dois portadores de necessidades especiais[5], Jan Verbeek (interpretado por Gunter Lamoot) e Ivan Van Dorpe (interpretado por Sam Louwyck) que vão convidar Dries para ser baterista da banda que só vai tocar uma música em um só evento e depois terminar. 
mas o Concurso de Rock de Leffinge é só o estopim da cagada ensaiada completa, já que o Dries é, de longe, o personagem mais cretino e escroto da história, por motivos de espremer o pior do pior de Geyter, o Van Dorpe e o Verbeek e suas respectivas famílias para conseguir material de inspiração para seu próximo livro – tanto que, SOMENTE PARA ISSO, aceita integrar a empreitada, a ponto de ministrar o nome do projeto. quando te perguntarem porque rico não vale porra nenhuma e só quer que pobre se foda, apresente Dries.
recomendo, dicumforçamente, ver sozinho ou com alguém que vá na mesma vibe, porque... Ex-Drummer faz parecer Hermes e Renato ser um Patati-Patatá Especial de Dia das Crianças. posso dizer que imagino as caras deles [do Fausto[7] e do Franco Fanti, do Marco Antônio Alves, do Felipe Fagundes Torres, do Adriano Pereira e do Bruno Sutter] vendo a película belga e eles dizendo “caralho, doido; caralho, doido; caralho, doido; vai se fuder, doido; vai se fuder, doido; vai se fuder, doido; vai se fuder, doido; não é possível, doido; não é possível, doido; não é possível, doido”. se ELES ficariam assim, imagina quem... como dizer?... não trabalha com humor negro[7] e arte[8] e quem ‘tá fora totalmente dessa seara vai levar paulada com viga de concreto do começo ao final de Ex-Drummer.
não necessariamente respondendo às perguntas que abri o post, mas posso dizer que lembro de Kids, dirigido por Larry Clark (Bully[9], Desafios da Rua) e escrito pelo roteirista, músico e cineasta Harmony Korine (Levando A Vida Numa Boa[10], Julien Donkey-Boy). não querendo fazer comparação de qualidade, equalização, a puta que pariu, mas... os filmes do Larry Clark podem ser ótimos aperitivos para Ex-Drummer. PODEM SER.
Kids
, de 1995, dirigido por Larry Clark e escrito por Harmony Korine. produzido pelos estúdios Independent Pictures, The Guys Upstairs, Killer Films, Shining Excalibur Films e Kids NY Limited, e distribuído pela Shining Excalibur Films.

eu penso assim: se faz chocar, faz pensar. Ex-Drummer não é nada fácil, é mastigar concreto protendido com soda cáustica. mas concordo totalmente com o cara do Getro sobre esse texto ser uma obra sobre o que é a miséria humana e o que o ser humano é capaz de fazer enquanto se vê em momentos de desespero e impotência. e tudão ao som de punk rock de qualidade e de responsa. Ex-Drummer vai querer te fazer desistir de ver a pelo menos 5 a 5 minutos de filme, até mesmo se teu cérebro for localizado no intestino, teu reto desemboque na tua boca e tenhas noção e discernimento zero sobre trato social e convivência com outrem.
ou seja e enfim: não tem como ficar impassível a Ex-Drummer, é punk pra quem gosta de punk, mas não é necessariamente cinema pra quem gosta de cinema.
citando Clooney: “boa tarde e boa sorte com Ex-Drummer”.






in memoriam Fausto Fanti Jasmin 
 




[1] ver essa crítica com spoilers clicando AQUI!
[2] ver essa crítica com spoilers clicando AQUI!
[3] SIM! O DIRETOR DE CONAN, O BÁRBARO E INFERNO VERMELHO!
[4] se é que existe alguém assim nessa vida, consta-se;
[5] eu usaria um dos termos usuais, mas não é do meu agrado, nenhum dos dois me convém;
[6] quando ele ainda era vivo, visto que o filme é de quando ele ainda era vivo/
[7] tem um cara que vai trabalhar a problemática desse termo, EU NÃO SOU ESSE CARA;
[8] podem ter certeza que não estou incluindo stand up nesse balaio;
[9] que também preciso comentar por aqui, inclusive;
[10] ‘tava considerando ver o filme porque tem surf e skate, desisti quando vi o trailer.










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