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YEAH, HOUSTON, WIR HABEN BÜCHER!

e ai que tenho três livros de autoria publicada que fiz praticamente tudo neles e vou fixar esse post aqui com os três pra download e todos...

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quarta-feira, 27 de dezembro de 2023

ESSE ANO... ESSE ANO...

ouvindo: Estado Putrefacto, Condenado, de 2022 + Primitivo, Exitos Ruidosos de Cantinas y Percales, de 2018.

“Hello my friend we meet again
It’s been a while where should we begin
Feels like forever
Within my heart are memories
A perfect love that you gave to me
Oh I remember” 
– Creed, “My Sacrifice”

primeiro que grande parte desse trimestre, passei a me questionar “quando e como a gente aprende a não se frustrar mais com as pessoas por causa das mudanças delas?”, então passei a me questionar “quando e como as pessoas aprenderam a não se frustrar mais comigo por causa das minhas mudanças ou por eu não mudar?”. conversando com um amigo que conheci através de amigos, ele me disse que isso acontece quando a pessoa começa a prestar mais atenção em si do que nos outros e a pessoa se dá conta que tem que estar em primeiro lugar da sua própria importância, e essas frustrações vão embora. mas isso sem ser posto como egoísmo e como amor e respeito próprios, o amor próprio e respeito próprio acontecem assim.
isso serve pra dizer que esse ano, muita gente saiu da minha vida. esse ano, muita gente voltou pra minha vida. esse ano, mais gente saiu da minha vida do que gente que voltou pra minha vida. esse ano, gente entrou na minha vida e já saiu – algumas, nem deu pra estabelecer quaisquer laços. eu sei porque gente que saiu da minha vida saiu da minha vida, cada pessoa com seus motivos bastante específicos. não posso dizer que entendo todos estes motivos bastante específicos, mas eu respeito. porém, os motivos bastante específicos que eu entendo eu vou fazer o meu impossível pra corrigir em mim o que os tornaram possíveis pra que eles não sejam repetidos em outras pessoas – MULHERES, PRINCIPALMENTE. não posso dizer que sei e entendo porque fez quem voltou pra minha vida fazê-lo, não sei e não vou perguntar porque eu tenho quase certeza que não vou gostar dos motivos, então eu vou me fazer esse favorzão de (me) poupar disso (e também quem voltou pra minha vida).
 esse ano, saiu gente da minha vida porque eu cai n(ovamente outra vez e de novo n)a mancada de querer que me tratasse como eu tratei e quebrei a cara lindamente. esse ano, descobri que tem gente na minha vida que basta pedir ajuda que a pessoa vai te ajudar e não vai te perguntar porquê. esse ano, descobri que tem gente que me ajudou porque me respeita pra caralho porque eu nunca escrotizei (essa gente), tampouco gratuitamente – surpresa extremamente agradabilíssima, pontuo). esse ano, pessoas me fizeram pré tão monstruosas que eu não consigo pensar em nada além de agradecer pra sempre por isso que nem sei como pensar em retribuir, apesar de saber que retribuir (ou pensar em retribuir/agradecer) já seria uma tremenda duma ofensa pra essas pessoas.
esse ano, aplicando a filosofia de “de peso morto na minha vida, eu já me basto e têm vezes que nem eu me suporto”, sai da vida de muita gente porque eu notei que a pessoa não incluía mais porra nenhuma na minha vida e eu não incluía mais porra nenhuma nas vidas de muita gente. isso me fez muito bem e espero que as pessoas de quem me afastei tenham a mesmíssima perspectiva. se não... tudo bem também.
tem um caso bastantão específicão de uma pessoa que decidiu sair da minha vida esse ano, mas esse caso já vale um post por si, mas vou declinar porque essa “pessoa” já alugou um tríplex na minha cabeça com esse assunto; a ponto de, por bem pouquíssimo íssimo íssimo íssimo íssimo, esse assunto não me adoeceu valendo. e vou terminar essa menção honrosa dizendo que quase que vou a um cartório pra mudar meu nome pra “PROCON” de tanto que só TODO MUNDO veio me encher a porra do saco perguntando que porra tinha acontecido pra essa “pessoa” ter feito o que fez. fora que ainda pegay ranço de star wars, de qualquer coisa – QUALQUER. COISA. – relacionada à franquia. isso me fez adotar a filosofia/política de não dar mais papo pra gente mais fracassada na vida do que eu.
falando (‘tá, sim, vou falar isso pela última vez nesse post) em filosofia/política adotada pra vida, em algum post do instagram, em algum momento, não lembro quando, eu vi um post que dizia “eu nunca perco, eu ganho ou aprendo”. frase pronta de [picareta] coach, muito bem sei, mas muita, MUITA coisa ficou muito mais fácil de se lidar na vida depois que muita, MUITA situação confirmou a não-falseabilidade desta frase.
esse post não é um pedido de desculpas pelas coisas que eu fiz pras pessoas terem saído da minha vida. menos ainda, um agradecimento pelas pessoas, às pessoas que voltaram pra minha vida. tampouco, um às pessoas que me fizeram as pré que eu agradecerei pra sempre por isso...
na verdade, pensando bem, bem, bem, bem, bem... esse post... pode ser é um agradecimento às pessoas que saíram da minha vida, às que voltaram pra minha vida, às que não ficaram tempo suficiente pra laços afetivos serem criados, às que fizeram as pré que nunca conseguirei retribuir/agradecer: por causa dessas pessoas, todas. eu sou uma pessoa menos pior do que quando elas chegaram ou foram embora ou fizeram o que fizeram pra eu estar aqui agora. 
eu não vou prometer que vou ser uma pessoa melhor a partir de agora, o máximo que posso fazer é prometer ser alguém menos pior do que fui esse ano e pras pessoas ao meu redor e que podem chegar, a minha vida. ou não. 
e eu ODEIO. FAZER. PROMESSAS. 










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segunda-feira, 16 de outubro de 2023

sobre os (não-)ateus e/ou (não-)drogados e/ou (não-)militantes da universidade pública

a pessoa fala de consumo de drogas dentro da universidade pública como se consumir drogas fizesse parte de processo avaliativo das disciplinas e como se a renovação da matrícula a cada semestre dependesse do consumo periódico/constante de drogas.
¿sabem quem fala esse tipo de merda, que se consome drogas dentro da universidade pública com a mesma habitualidade de quem bebe água? 
quem não sabe que bebida alcoólica também é droga, que remédio pra dormir também é droga, que tem todo um lobby político-econômico da indústria de bebidas e da indústria farmacêutica pra criminalizar o consumo de outras drogas, nem sabe onde fica o campus de uma universidade pública mais próximo da sua casa, não sabe como uma universidade pública funciona porque nunca estudou em uma e, no máximo, só se informa do que acontece no mundo pela internet. geralmente, através de conteúdo altamente duvidoso. sim, se deve duvidar de tudo, mas tem conteúdo que não dá não. fora que esse pessoal, esse mesmíssimo pessoal ai não sabe ler uma porra de um trabalho, quer logo julgar o trabalho pelo título, ao invés de ir lá ao resumo e ver do que se trata tampouco, a porra da introdução do trabalho. não menosprezando menosprezando sim e foda-se, mas esperar o quê de quem, né non?
“ah, mas eu estudei em uma universidade pública” 
egresso de universidade pública que fala isso era o que, na minha época de CEFET, chamávamos de “número de matrícula”: entra/va mudo e sai/a calado. só sabe/sabia chegar à sala de aula e ir embora, só frequenta/va evento na instituição pra pegar carga horário. sabe/sabia, no máximo, no máximo, caminho da secretaria e do refeitório. ‘tá/‘tava errado? não, não ‘tá/‘tava. ‘tá errado quando quer se meter a dizer “na minha época da universidade”, quando nem viveu sua “época da universidade”. faz o favor pra todo mundo de ir se fuder, vai. 
“na minha época, só tinha militante comunista” sem saber nem que porra é comunismo, apesar de que, realmente, militante, independente da ideologia[1], é chato para um caralho. “tinha muito marxista”, marxista é um bicho muito chato e muito emocionado, mas o “número de matrícula” sabe nem que porra é marxismo, não sabe citar uma obra, um texto, um mísero ensaio. “eu só tive professor doutrinador”, pessoa sabe nem que porra é doutrinação e, mesmo tendo pai professor ou mãe professora (ou não), não sabe que professor mal tem tempo pra se coçar, que dirá pra se preocupar em doutrinar outrem. “pessoal só queria saber de greve” sabe nem pelo que o pessoal fazia greve, caralho. “pessoal fazia troça de mim porque eu era/sou cristão” pessoal tem mais o que fazer do que perseguir alguém pela sua religião, tanto que tem evento eclesiástico dentro dos liceus e geral nem tchum, totalmente foda-se. mazagora o que eu vi de fresc@ enchendo a porra do saco quando teve evento de religião afro-brasileira, CARALHO.
pessoal pensa que, na universidade pública, pessoal não tem o que fazer e vai fazer os outros virarem ateus e/ou drogados e/ou militantes[2] pra queimar o filme do ensino superior. deixa eu contar um segredo pra vocês: sabem quem vira ateu e/ou drogado e/ou militante na universidade pública? isso mesmo, quem já tem predisposição pra virar ateu drogado militante e só precisava dum insert coin, press start pra sê-lo. isso quando @ alecrim não deixa sua religião e vira drogado e/ou militante. isso quando @ alecrim já não entrou ateu e/ou drogado (viciado em remédio pra dormir ou pra qualquer outra porra também é ser drogado sim e vai se fuder se tu pensas o contrário)  e/ou militante. ninguém, NINGUÉM vai te amarrar, pegar as drogas e enfiar tua goela abaixo ou ameaçar matar tua família ou cancelar tua matrícula se tu não usares drogas, se tu não abandonares tua religião ou se tu não ingressares em algum movimento (geralmente, o movimento estudantil[3]).

eu já não gostava de militante antes de ingressar no CEFET, os militantes que conheci no CEFET me fizeram gostar menos ainda de militante. quando ingressei na UFPA, os militantes que conheci através dos meus amigos fizeram eu pegar um indiscutível, inexorável e insofismável RANÇO de militante. muito mais porque eu andava bebia igual um filho da puta que viu o time perder o campeonato em casa mesmo tendo a vantagem e descobriu que é corno assim que chegou em casa com gente que andava com esses caralhos que fez muita gente me confundir com eles, o que me fez perder oportunidades de estágio e de comer muita mulher[4]. se fiquei puto com isso?
NÃO, IMAGINA, FIQUEI FELIZ PARA UM CARALHO COM ISSO. PODEM TER CERTEZA DISSO!

VOLTANDO 
pessoal da direita diz que “o pessoal da esquerda controla a narrativa da universidade pública” e quer colocar gente lá pra “assumir o controle dessa narrativa[5]”. um excelentíssimo exemplo dessa patifaria é “ah, mas o professor de esquerda não gostou do meu trabalho e não deixou passar, disse pra eu fazer outro”.
eu até achava isso frescura e mania de perseguição. ai fui ver uns trabalhos ai de “gente de ‘direita’” e PUTA QUE PARIU, DOIDO, só tema sem pé nem cabeça, totalmente desconexo da realidade acadêmica e do que seu curso propõe. o homo universitarius padrão já não gosta de ler material acadêmico, convenhamos, é um fato que TODO MUNDO sabe e NINGUÉM nega. o homo universitarius de direita lê menos ainda e acaba fazendo uma merda maior ainda, acaba fazendo um trampo de conclusão de curso só pra se livrar mesmo. ‘tá errado? não, não ‘tá.
mazessa galera ai, essa mesma galera que lê muito menos do que o habitual, que caga pra pesquisa (mesmo que não queira enveredar pela pesquisa, mesmo porque ninguém é obrigad@ mesmo), que não sabe de PORRA NENHUMA que ‘tá acontecendo no lugar que assiste aula, que só sabe o nome de quem ‘tá ministrando disciplina porque é obrigatório fazê-lo que também propaga esse tipo de merda: “pessoal usa droga como quem bebe água e diz ‘bom dia’”; “na minha época, só tinha militante comunista”; “tinha muito marxista”; “eu só tive professor doutrinador”; “pessoal só queria saber de greve”; “pessoal fazia troça de mim porque eu era/sou cristão” e mais uma lista de bobagens que só é pra passar raiva. geralmente, essa galera é a que mais faz mais merda quando ninguém ‘tá vendo e deixa na surdina, criticando abertamente quem faz com todas as letras possíveis e em caixa alta e neon que dá pra ver de high above fields of marte[7]. NÃO IRONICAMENTE E NÃO COINCIDENTEMENTE, esse pessoal, esse mesmíssimo pessoal também é o mesmíssimo pessoal que não sabe ler uma porra de um trabalho, julga o trabalho pelo título, ao invés de ir ao resumo e ver do que se trata porque não entendeu o título; tampouco, a porra da introdução do trabalho. mas como falei, esperar o quê de quem? que fossem os Josés Maria Bassalo[8] e as Sônias Albuquerque[9] de suas gerações? não, né, porra? não mesmo. “não” em todas as línguas faladas pela nossa espécies, em todos os períodos até o da confecção deste texto. 
pessoal da direita quer colocar gente na universidade pública pra “assumir o controle da narrativa” pra quebrar a academia pelo lado de dentro pra poder sucatear pra poder justificar privatização da mesma. longe de mim dizer que gente de direita não pode cursar universidade pública, porque ela é – TEORICAMENTE É, DEVERIA SER[10] – de todos para todos e para todos e uma das graças do liceu é justamente a diversidade (ainda que com seríssimos limites e seríssimas restrições, porque ninguém merece bolsominion, lulaminion, neonazi[11], ancap[12], socialista lambedor de rabo da URSS com camisa do Che Guevara[13] e liberal privatista[14]) é a graça da academia.
podem até me chamar de teórico da conspiração[15], paranoico[16], o caralho que for isso nos coloca em rota de colisão, estamos em rota de colisão[17], mas do jeito que o direitista/liberal brasileiro médio é gerado e concebido por uma chocadeira queimada, césio-137 no lugar do cérebro e uma tara incurável/intratável por privatização, não se pode-se duvidar jamais dessa possibilidade. ademais, sabem gosta duma doutrinaçãozinha de leve e no jeitão? isso mesmo, direitista. preciso lembrar do projeto “escola sem partido”? as escolas confessionais são controladas por esquerdistas/progressistas[15]? pois então.
DISCLAIMER: VAI SE FUDER SE TU VIERES COM O PAPO DA “AH, MAS A ESQUERDA TEM A ‘IDEOLOGIA DE GÊNERO’ QUE QUER QUE TODO MUNDO ACEITE”!
vai ter gente que vai falar das aceitações de indivíduos que não são “facilmente” aceitáveis? sim, vai. indivíduos que foram historicamente e socialmente marginalizados e ignorados e que SÃO historicamente e socialmente marginalizados e ignorados. não vou cair na hipocrisia de que a esquerda também marginaliza e ignora muitos destes indivíduos e não os usa quando lhe convém, porque sim, a esquerda marginaliza e ignora muitos destes indivíduos e só os usa quando lhe convém. não precisei de ninguém pra me dizer isso porque eu vi e já fui massa de manobra quando eu ainda não era ciente disso e não era conveniente pra muita gente que eu tivesse ciência disso.
PORÉM, não quer preto na universidade? vai ter preto na universidade. não quer indígena na universidade? vai ter indígena na universidade. não quer mulher trans na universidade? vai ter mulher trans na universidade. vai ter pardo, mameluco, estrangeiro, portador de necessidade especial, o caralho que for na universidade porque sim. TODO MUNDO SE FODE PAGANDO IMPOSTO PRA TODO MUNDO ESTAR NA UNIVERSIDADE SIM E PORQUE SIM.
“ah, mas a universidade não é lugar pra esse tipo de gente” – quem diz “pessoal usa/va droga como quem bebe água e diz ‘bom dia’”; “na minha época, só tinha militante comunista”; “tinha muito marxista”; “eu só tive professor doutrinador”; “pessoal só queri/a saber de greve”; “pessoal faz/ia troça de mim porque eu era/sou cristão” e mais uma lista de bobagens que só é pra passar raiva vai dizer. tenho uma excelentíssima e maravilhosíssima notícia pra mim e uma péssimíssima e horribilíssima notícia pra esse tipo de gentalha: A UNIVERSIDADE É LUGAR PRA ESSE TIPO DE GENTE TAMBÉM SIM E PORQUE SIM, POR MAIS QUE VOCÊS NÃO QUEIRAM E VOCÊS NÃO TEM QUE QUERER PORRA NENHUMA.

quem ficar incomodado com isso, pode ir pra Ucrânia ou pra (Terror)Israel, os dois países estão aceitando brasileiros. aqui não vão fazer falta.


quer ser ateu? seja, mas não encha a porra do saco d@ abiguinh@.
quer ser religios@? seja, mas não encha a porra do saco d@ abiguinh@.
quer ser drogad@? seja, mas não encha a porra do saco d@ abiguinh@.
quer ser militante? seja, mas não encha a porra do saco d@ abiguinh@.
não quer fazer universidade? não faça, mas não encha a porra do saco d@ abiguinh@.

sim, viver em comunidade é uma merda, mas o máximo que podemos fazer é facilitar a vida de todo mundo, começando por não escrotizar a vida de todo mundo e pra todo mundo. 
sim, a teoria é uma maravilha.
sim, falar é mais fácil do que fazer.



postagem dedicada ao Prof. Dr. José Maria Filardo Bassalo[18] (1935-2015), que eu tive a indizível honra de conhecer quando ainda vivo; a toda que conheci de movimento estudantil que não foi otári@ comigo quando eu ‘tava na graduação[19] e a tod@s @s junkies que conheci em igual interim.
¡vocês foram e são, no melhor sentido da palavra, foda! .





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[1] existem direitas e existem esquerdas, mas isso é conversa pra outro post.
[2] militante de direita ou militante de esquerda, ambos são igualmente insuportáveis para um caralho.
[3] queria mandar aqui um grande “HAIL AND KILL!” pra todo mundo que conheci de movimento estudantil que não era otári@ e não foi otári@ comigo.
[4] como se já não fossem suficientes meus defeitos e péssimos hábitos da época pra queimar meu filme gratuitamente.
[5] se vocês soubessem a raiva que tenho da ressignificação desse termo para utilização nesse contexto...
[6] outra conversa pra outro post.
[7] malz, não deu pra não fazer a referência.
[8] José Maria Filardo Bassalo (1935-2015), engenheiro civil pela Escola de Engenharia do Estado do Pará, bacharel em Física pela Universidade de Brasília; mestre e doutor em Física pela Universidade de São Paulo. 
[9] Sônia Cristina de Albuquerque Vieira, doutora e mestra em Ciências Sociais, com ênfase Antropologia pela Universidade Federal do Pará; e licenciada plena em Ciências da Religião pela Universidade do Estado do Pará.
[10] tem que espancar neonazi até suástica nazi virar cata-vento. nem dá pra fazer ração pra bicho com carne de neonazi porque o bicho vai ficar envenenado e, posteriormente, imprestável pra qualquer uso.
[11] eu já falei que ancap não é gente e sua opinião é automaticamente desconsiderada em qualquer situação? ancap não é gente e sua opinião é automaticamente desconsiderada em qualquer situação.
[12] ironicamente esse pessoal seria morto no regime soviético e/ou pelo Che Guevara.
[13] idem nota 11.
[14] teórico da conspiração e conspiracionista são a mesma coisa? não sei, responde ai nos comentários. 
[15] paranoicuzão ou paranoicuzinho?
[16] idem nota 7.
[17] sim, EXISTEM DIFERENÇAS entre esquerdistas e progressistas. sim, também é outra conversa pra outro post.
[18] curiosidade curiosa: ele foi avô de um maluco que fez segundo e terceiro anos do ensino médio comigo, inclusive.
[19] podem até me chamar de “maldito hipócrita do caralho” porque namorei com duas, a Heiđrun, a Ina e a Annie. eu falei pra caralho delas aqui em muitos e muitos posts.

quarta-feira, 4 de outubro de 2023

A/ÀS GERAÇÕES QUE SE PERDE[RA]M EM SI

 ouvindo: Mutant Strain, Murder Of Crows, 2023.

“Overburdened, underwhelmed, their ethical decree
That’s your moral compass but what good is it to me?” 
– Bad Religion, “True North”
apesar de todos os meus defeitos e péssimos hábitos, eu já tinha um ranço gratuito de gente velha/idosa desde que eu era muleque. tenho quarenta anos e, dependendo do velho por perto, prefiro que fique em silêncio mesmo. algo que sempre me deixa, desde sempre, encaralhado para um caralho é cumprimentar alguém com uma ofensa ou comentário depreciativo e gente velha/idosa tem o péssimo habito de ser personagem épica[1] nisso.
passar dos anos, só foi agravando, ainda mais quando eu soube da “justificativa” “não, é só brincadeira, pra descontrair, pra entrosar, pra quebrar o gelo” pra comportamentos e falas preconceituosos/depreciativos de diversos vieses, que, se prestarmos bastante atenção, (estes comportamentos e falas) vão se sendo repetidos indefinidamente entre as gerações a ponto de ser naturalizados, culturalizados[2], socializados e, resultantemente, imperceptíveis a ponto de não considerar uma avaliação e ulterior (auto)correção de quem os profere. e então, velh@/idos@ ficar de uma frescura extrema quando recebe o mesmo tratamento, e alguém (quando não, amigo teu ou parente teu ou afins de proximidade) “ah, tem idade pra ser teu pai, tua mãe, avó, avô; isso que tu estás fazendo é falta de respeito”.
aham. “falta de respeito”. ‘tô sabendo.
como o trem piorou de forma colossal quando ingressei o ensino superior, quando conheci uns muitos professores que deveriam levar um beijo de .12 em cada joelho por dia antes de saírem de casa pra ministrarem aula pra aprenderem a respeitar aluno – não respeitavam seus favoritos, que dirá os seus que não eram. então, agora, corno vai vir e dizer “ah, tal professor não é assim não”. aham. “não é” pra caralho também, eles que não se ouviam falando e/ou não eram tratados assim. nesse instante, nota-se que isso faz parte de uma cultura tão enraizada do professor universitário médio/padrão ser naturalmente cretino que povo nem se sente que isso acontece. sim, certo, é assunto pra outro post[3].
chegando onde eu queria chegar de fato com essa postagem...
agora fudid@ vem me dizer pra ter pena dos idosos que foram presos pelos ATOS TERRORISTAS do oito de janeiro do ano corrente. 
como é que esse pessoal, essa velharada, falava pra gente mesmo? 
“se estivesse em casa, isso não ter acontecido”? 
“boa romaria faz, na sua casa vive em paz”? 
dependesse de mim, apodreciam todos na cadeia nas mesmíssimas condições que um monte de gente que rouba pra comer fica só porque roubou pra comer e não tem o caso acelerado na justiça enquanto empresário que dirige bêbado e mata alguém, paga uma fiança, sai pela porta da frente e sem ser fichado[4]. eu nem vou entrar na seara dos policiais militares que fazem a mesmíssima coisa em serviço e dá em nada pra eles “porque ‘estavam em serviço’ e essas coisas acontecem”, porque também é outra discussão para outro momento. 
“ah, mas [meu pai, minha mãe, avô, avó] ‘tá preso em condições subhumanas, não ‘tá tomando o remédio, não tem o que comer; chora todos os dias, querendo voltar pra casa.” 
FODA-SE, MEO ERMAUM!
como é que esse pessoal falava mesmo? 
“direitos humanos para humanos direitos”? 
“direitos humanos esterco da vagabundagem”? 
“direitos humanos é coisa de esquerdista vagabundo”? 

depois das prisões[5], eles, seus parentes e correligionários (todos de índole tão golpista e terrorista quanto, perceba-se) ficaram chorando nos meios de comunicação “direitos humanos, cadê os direitos humanos?” “aaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaain, como é que deixam essas pessoas viverem nessas condições?” POR FAVOR, NÉ, PORRA?!
exprime minha opinião sobre esse bando de vagabund@s desocupad@s 01
exprime minha opinião sobre esse bando de vagabund@s desocupad@s 02 
exprime minha opinião sobre esse bando de vagabund@s desocupad@s 03

avó de uma chegada minha do ensino médio virou doida de quartel e ‘tava no 8.01.2023. certo dia, essa chegada colocou umas fotos temporárias no grupo do ensino médio[6] de uma festa da família dela que ‘tava rolando perto de um Líder no qual só gente “lisa” mora perto[7] e “vovó... zona” com uma FUCKING tornozeleira eletrônica na canela. pois, em belo e determinado momento, ninguém mais, ninguém menos que a FUCKING PF bate lá pra saber porque FUCKING MOTIVO a velha não ‘tava na casa dela aquele horário, depois das 21h30, e levou metade da festa presa porque não queriam deixar a velha ir em cana de novo. infelizmente, muitíssimo infelizmente, o trem não apareceu na tv porque gente com muita grana abafou porque muita gente na mesma condição que a “vovó... zona” foi no balaio presa porque ‘tava na mesmíssima condição.
se vocês acreditam que os tempos (ditos pós-)modernos estragaram nossos jovens e nossas crianças (ver os incels, femcels, embelezos, esquerdomachos, esquerdominas, ancaps, esquerda cirandeira, channers), digo para prestarem a devida atenção para quanto e como estes mesmíssimos tempos estragaram (muitos d)os velhos e (d)os idosos, sendo que, se tem uma coisa pra qual a internet foi bastante útil, foi pra mostrar o quanto velhice não é sinônimo de acúmulo de sabedoria, visto o quanto essa velharada foi estimulada a mostrar o quanto o brasileiro médio – independente da idade, do grau de instrução, do credo e da região[8] – é conservador e preconceituoso a ponto de assustar o próprio brasileiro médio.  
se tivermos – “nós”: a parcela da geração X nascida na década de 1970[9], os millenials[10], as gerações W[11] e Dragon Ball Z[12]– , que levar um ensinamento de gente velha/idosa em consideração, que seja este “seja uma pessoa melhor do que eu sou, seja uma pessoa melhor do que eu fui”.
os tempos presentes, portanto, mostraram que há dois desafios. o primeiro consiste em não permitirmos que os jovens e as crianças sigam pelo mesmo rumo que essa velharada. o seguinte é não nos permitirmos (sim, nós, geração X, millenials et geração W) ser o que esta “melhor idade” foram e são. a crise na economia, na sociedade e no clima resultam de muitas das decisões deles (o quanto isso é culpa do capitalismo também é assunto para outro post) e não podemos nos omitir do quanto gerações X, Y, W e Z somos tanto quanto culpados. 
não posso precisar se perdemos o norte, se nunca tivemos um norte ou se ele chegou, algum dia, a existir. mas talvez tenha passado da hora de fazermos o da nossa geração, o do nosso agora porque os das gerações anteriores à X se mostraram inúteis, desprovidos e de sentido e significado, além de não-ressignificáveis. não dá pra dizer que não é uma coisa ruim.
a única certeza que consigo inferir é: se não quisermos ser os velhos chatos do futuro, temos que corrigir pra ontem nossos hábitos e os das gerações vindouras, porque uma solução os-sofrimentos-do-jovem-wertheriana não vai resolver e é tudo que a extrema-direita e a esquerda radical conservadora[13] quer: tod@s @s rebeldes, insurgentes, descontentes, crític@s e dissidentes à ela[s] @s fora de seu[s] caminho[s], facilitando sua vitória.
essa é mais uma luta entre tantas, que não reduz as outras, porque faz parte das outras e as outras fazem parte delas.
jamais esqueçamos: a revolução começa a partir da crítica e da autocrítica, enquanto plano das ideias e ação. nada é incriticável. é possível não ser chato e não passar pano pra nada. começando por nós mesmos.




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[1] trad. “personagem com habilidade lendária em alguma habilidade”.
[2] sim, essa palavra existe.
[3] isso se eu já não tiver escrito sobre isso em algum momento a anteriori.
[4] vocês sabem de qual (terrorista) deputado federal goiano estou falando, mas tem mais exemplos disso do que estrelas cujos brilhos vemos à noite quando dá pra conseguir ver.
[5] prisões estas que deveriam levar todos os militares envolvidos, inclusive; serem enquadrados, demitidos, tornados civis e presos; porque, se depender da justiça militar – essa sim a verdadeira vergonha do serviço público brasileiro, o verdadeiro e inconteste amontoado de vagabundo desocupado inútil por metro quadrado da América Latina – nenhum vai preso; no máximo, afastado e ainda recebendo pra isso, POR MÊS, mais do que muito assalariado vai ganhar em uma vida todo dia.
[6] como é de conhecimento geral, não dá pra tirar print de fotos temporárias.
[7] sim, consideremos o quão um imóvel fica valorizado quando um supermercado grande passa a fazer parte das proximidades, ainda mais quando é bairro “nobre”.
[8] Tocantins não fica no norte do Brasil; na verdade, é um ponto cego. quem nasce no RJ, ES, SP, PR, SC e RS é SUDESTINO!
[9] a geração X compreende todo mundo nascido entre 1960 e 1980. também tenho que pontuar aqui que não teve geração baby boomer na América Latina, Ásia, África, Europa Oriental e Oceania, sendo um fenômeno sociocultural exclusivo da América Anglo-Saxã e Europa Ocidental.
[10] minha geração, diga-se logo; também alcunhada de geração Y, sendo todo mundo nascido entre 1980 e 2000.
[11] todo mundo nascido entre 1990 a 2000.
[12] todo mundo nascido entre 1990 a 2010.
[13]  romance publicado originalmente sob o título Die Leiden des jungen Werthers, em 1774, de autoria do romântico alemão Johann Wolfgang von Goethe (1749-1832).
[14] sim, existem progressistas conservadores! não abre teu olho pra ver se tu não rodas nas mãos deles!

domingo, 12 de setembro de 2021

liberdade, a rebelde liberdade (o pagamento ao futuro) – poema

ouvindo: Besthöven, Depois de um Ataque Aéreo, de 2001

liberdade, a rebelde liberdade (o pagamento ao futuro)

nada como, em um só dia:
acordar sozinho;
tirar as roupas sujas do quarto;
tirar as baganas de cigarro do quarto;
tirar as garrafas vazias do quarto;
passar pano no quarto;
lavar banheiro do quarto; 
lavar as cuecas sujas acumuladas no banheiro;
usar roupas limpas;
pagar uma conta feita no dia anterior;
almoçar com amigos com quem não se almoçava há uns dez anos;
beber muito e não ficar bêbado;
comer muito e não passar mal no fim do processo;
ganhar frutas e suco de frutas; 
despedir-se dos amigos, esperando vê-los novamente e chorando, por isso, somente, quando eles não ao seu campo de visão e audição;
voltar pra casa andando; 
encontrar no caminho de volta a última tia legal ainda viva;
após chegar, fazer 45 flexões de braço;
e depois 45 agachamentos livres;
tomar banho;
fazer um suco com as outras frutas e tomar com pão;
fazer um licor deste suco com velho barreiro e o outro suco de frutas;
ver umas coisas do trabalho;
tomar outro banho;
trocar o lençol de cama;
usar roupa limpa pra dormir;
comer antes de dormir,  mas o suficiente pra não passar mal quando for dormir;
ver filme antes de dormir;
dormir sem sonhar.
para que, no dia seguinte, comece-se a pagar os frutos de ter plantado liberdade rebelde sem perspectiva de futuro e o futuro finalmente chegar para cobrar seu tributo.


» 01 de setembro de 2021 « 













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terça-feira, 10 de agosto de 2021

TEMPO - crítica e análise do filme

 ouvindo: Neil Young, Time Fades Away, de 1973

as obras do cineasta indiano-estadunidense Manoj Nelliyattu Shyamalan, a.k.a. “M. Night”, tem três tipos de consumidores: os que amam suas obras, os que odeiam e os amam ou odeiam por não entenderem porra nenhuma dos textos. o que eles têm em comum são, ao final de todos os filmes, é “QUE PORRA FOI ESSA, DOIDO?!?”.
do outro lado da régua, têm-se as adaptações de Histórias em Quadrinhos para o Cinema. eu já falei das minhas favoritas nesse post aqui e, enquanto ontem, vi o novo Esquadrão Suicida – do James “Super” Gunn (cedo ou tarde vou dissecar esse filme aqui também) e baseado na equipe homônima da DC Comics –, hoje vi o Tempo, escrito e dirigido pelo próprio Shyamalan, baseado na graphic novel[1] francesa Castelo de Areia, do roteirista e cineasta francês Piérre Oscar Levy e do desenhista suíço Frederik Peters.

Super, roteiro e direção de James Gunn, de 2010
Tempo
, roteiro e direção de M. Night Shyamalan, de 2021
Castelo de Areia
, roteiro de Piérre Oscar Levy e arte de Frederik Peters, também de 2010, lançada no Brasil em 2011 pela Caleidoscópio

enquanto Castelo de Areia é um título, no mínimo, fascinantemente tenso demais para um caralho que consegue agradar sem dar nada mais que HIPÓTESES para o que acontece com os personagens num recôncavesco[1]/praiano no qual toda a narrativa é desenvolvida (Festim Diabólico Empfindungen? HAHAHA), sendo um excelentíssimo exemplo do quão as HQs podem ser, de muitas maneiras e variações, qualquer coisa, EXCETO infantis.
Tempo é uma adaptação, no mínimo, ESTRANHA PRA CARALHO. eu descobri que tinha uma adaptação pra cinema após ir ter procurado a versão pra HQ[2] pra baixar. “claro, foda-se por que não?”. o filme não é ruim, mesmo sendo mazerrado do que acertado, e muitíssimo melhor adaptado quanto os blockbusters Esquadrão Suicida (o desse ano), Loki e WandaVision. explicando: mesmo funcionando muitíssimo mais como produção original que adaptação (der ERSTE Jurassic Park Empfindungen), Shyamalan não tem medo de transformar Castelo de Areia em uma ficção científica contendo uma crítica caralhalmente fuderosa à indústria farmacêutica – que pode tanto lembrar Johnny Mnemonic, quanto Orphan Black, até mesmo o ora vilão, ora antiherói Cardíaco, da Marvel – que explica o porquê dos frequentadores da praia morrerem de velhice extremamente acelerada enquanto presentes à praia.

Johnny Mnemonic, roteiro do escritor William Gibson sobre seu conto homônimo de 1981, direção de Robert Longo para a Alliance Communications, de 1995
Orphan Black, série criada por Graeme Manson e John Fawcett para uma parceria entre a filial canadense do canal Space e a filial estadunidense do canal BBC, transmitida entre 2013 e 2017
Cardíaco
(alter-ego de Elias Wirtham), personagem criado por para a Marvel Comics em 1990 pelo desenhista Erik Larsen e pelo roteirista David Michelinie (criador do Venom, do Carnificina e do Máquina de Guerra, a propósito); sua primeira aparição foi na edição #344 da revista The Amazing Spider-Man, de fevereiro de 1990

mesmo que, por mais que eu odeie admitir porque é foda mesmo e foda no pior sentido, Tempo é uma porra dum filme genérico que quer muita coisa e não consegue porra nenhuma: quer ser terror mas não consegue, quer ser suspense mas não consegue. no que se arrisca a ser ficção científica ainda consegue algum crédito, mas seria muitão mais digno de nota se conversasse com os outros dois gêneros e não precisava daquela porra de final feliz depois que os irmãos Trent Reznor (no original, Félix; interpretado, enquanto novo, por Alex Wolff e, enquanto velho, por Emun Elliott) e Maddox (no original, Zoe; interpretada, enquanto nova, por, respectivamente, Alexa Swinton e Thomasin McKenzie; e, enquanto velha, por Embeth Davidtz[3]) Cappa conseguem fugir da praia, fazendo uma referência FUDIDA à Fuga de Absolom. se o caralho do Shyamalan (UI!) tivesse visto a porra d’O Enigma de Outro Mundo, do Carpenter, e visto a porra d’O Enigma do Horizonte, do Paul MORTAL KOMBAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAT Anderson e até mesmo a porra do francês[4] Les Revenants[5], do Robin Campillo, cada um (filme) até entender, mas entender MESMO, creio que certamente caralhalmente entenderia qual pegada deveria ter utilizado em Tempo. ver pelo menos dez vezes cada filme, pelo menos – só pra constar/garantir. 

Fuga de Absolom, de 1994; roteiro de Michael Gaylin e Joel Gross – baseados no romance The Penal Colony, de Richard Herley, de 1987 –, direção de Martin Campbell, para uma parceria entre a Pacific Western e a Allied Filmmakers
O Enigma de Outro Mundo; de 1982; roteiro de Bill Lancaster – baseado de Who Goes There?, de John Wood Campbell Jr. (1910-1971), de 1938 -, direção de John Howard Carpenter
O Enigma do Horizonte, de 1997; roteiro de Philip Eisner (A Era da Escuridão - Crônicas Mutantes) e direção de Paul William Scott Anderson; para uma parceria entre a Paramount Pictures, a Golar Productions e a Impact Pictures
Les Revenants, de 2004; roteiro e direção de Robin Campillo
 
não se iluda pensando que a leitura da HQ facilita a do filme porque não facilita não. nem inventa. o máximo que vai fazer é te familiarizar com os elementos narrativos do texto fonte, principalmente com Charles (Rufus Sewell), o médico que é cidadão de bem conservador de direita típico[6], como os caras do Pilha de Gibis perfeitamente o alcunharam no “resenhamento” de Castelo de Areia. todavia, sua participação é vital para tanto para o desenrolar da história quanto para sentir ainda mais o pesar por cada personagem que se vai, sendo que no filme, esta função é de Kara (no original, Sophie; interpretada, enquanto nova, por, respectivamente, Kylie Begley e Mikaya Fisher; e, enquanto velha, por Eliza Scanlen), após perder o filho que tem com Trent (é Zoe quem tem o bebê no original, de Louis – que VAI SABER-SE O PORQUÊ – corno do Shyamalan não colocou no texto cinematográfico).
mesmo com todos seus defeitos caralhentos e não ter sequer metade da carga emocional (e praticamente ZERO da carga erótica [apesar da gravidez de Kara/Sophie que já volta “dali” de mãos dadas com Trent]) que o texto de Levy e Peters contém, Tempo funciona muitão melhor em si mesmo que Esquadrão Suicida, Loki e WandaVision porque é fechado em si mesmo, tudo o que é necessário ‘tá lá, não é pra ser vendido a conta-gotas e, no final, mostra ser por demais sólido, mesmo que uma rocha sólida bastante irregular e que fira suas mãos quando a tiver em mãos. mesmo que, muitíssimo possivelmente – creio eu –, seja uma aula de como uma rocha sólida não deva ser.
cuidado com Tempo, mas vá sem medo à Castelo de Areia.




[1] relativo a “recôncavo” – essa palavra não existia, mas agora existe HAHAHA;
[2] eu ia chamar de HQ, mas ver a crítica da Isabela Boscov me fez consertar a mancada a tempo;
[3] eu casava fácilzão era hoje com essa mulher;
[4] AMBIGUIDADE TOTALMENTE PROPOSITAL DO CARALHO;
[5] RECOMENDO PARA UM CARALHO, VÁ VER PARA ONTEM!
[6] IRONICAMENTE et AINDA BEM, todo Charles que conheço é gente fina pra caralho.









BIS
ZU
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BREAKIN
FUCKIN
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!!!

segunda-feira, 19 de outubro de 2020

AMIZADE DESFEITA - análise e crítica do filme

ouvindo: Anti-Nowhere League, We Are…The League, de 1982

como atualmente tenho menos espaço na partição C: do HD que memória RAM e tenho uma pasta de quase 26 Gb de filme guardado na partição D: do mesmo armazenador a fins de só pra comentar aqui e depois deletar, esse resto de mês e parte de novembro vou fazer uma maratona de “análises e críticas de filmes” pra ir liberando espaço no D: e mandando coisa do C: pra lá. e vamos começar com um dos filmes mais locos que vi em 2018, chamado Amizade Desfeita, do ano de 2014. 
Amizade Desfeita
, de 2014, dirigido por Levan “Leo” Gabriadze e escrito por Nelson Greaves
Amizade Desfeita é uma produção russo-estadunidense dirigida por russo Levan “Leo” Gabriadze e escrito por Nelson Greaves (24 Horas: O Legado), que também produz o filme, em conjunto com Timur Bekmambetov (O Procurado, Abraham Lincoln: Caçador de Vampiros, Guardiões da Noite, Guardiões do Dia)[1] e Jason Blum (Whiplash, Corra!, Atividade Paranormal), para a estadunidense Blumhouse Productions e para a russa Bazelevs Films, sendo que foi distribuído internacionalmente pela Universal. 
assistindo Amizade Desfeita dá pra entender porque, mesmo custando “só” um milhão de doletas, arrecadou cerca de 64k5 doletas no mundo todo – ou seja, mais do que se pagando, visto que um filme deve render, no mínimo, o triplo do seu valor total de custo para ser considerado. e Amizade Desfeita quebrou a banca, tal qual A Bruxa de Blair da vida, o primeiro. tal qual A Bruxa de Blair, Amizade Desfeita também tem continuação
Amizade Desfeita 2: Dark Web
, de 2018, escrito e dirigido por Stephen Susco
A Bruxa de Blair
, de 1999, escrito e dirigido por Daniel Myrick e Eduardo Sánchez
e olha que o primeiro A Bruxa de Blair mergulhou num mar de tubarões que foi o ano de 1999. só pra lembrar rapidinho o que foi 1999[2] no cinema pra quem esteve lá e pra apresentar pra quem não esteve:
Matrix, escrito e dirigido por Lana Wachowski e Lilly Wachowski
South Park: Maior, Melhor e Sem Cortes, dirigido por Trey Parker e escrito por ele, em conjunto com Matt Stone e Pam Brady
O Gigante de Ferro, dirigido por Phillip Bradley Brad Bird[3] e escrito por Tim McCanlies, sobre o romance The Iron Man: A Children's Story in Five Nights, de 1968, do escritor inglês Edward James Ted Hughes (1930-1998)[4]
Star Wars: Episódio I - A Ameaça Fantasma, escrito e dirigido por George Lucas
13º Guerreiro, dirigido por John SE NÃO CONHECE ELE, RAPA DAQUI AGORA McTiernan e escrito por William Wisher, Jr. e Warren Lewis, sobre o romance Comedores de Mortos, de 1976, do estadunidense Michael Crichton (1942-2008)
10 Coisas que Eu Odeio em Você, dirigido por Gil Junger e escrito por Karen McCullah Lutz e Kirsten Smith
O Homem Bicentenário, dirigido por Chris Columbus[5] e escrito por Nicholas Kazan, sobre o conto homônimo, de 1976, e do romance O Homem Positrônico, de 1993, ambos do escritor e cientista russo-estadunidense Isaac Asimov (1920-1992)
Quero Ser John Malkovich, dirigido por Spike Jonze e escrito por Charlie Kaufman
O Sexto Sentido, escrito e dirigido pelo M. Night Shyamalan
Godzilla 2000, dirigido por Takao Okawara e escrito por Hiroshi Kashiwabara e Wataru Mimura
À Espera de um Milagre, escrito e dirigido pelo Frank Darabont, sobre o livro homônimo do Stephen King
Clube da Luta, dirigido por David Fincher e escrito por Jim Uhls, sobre o livro homônimo de Chuck Palahniuk
A Múmia, escrito e dirigido por Stephen Sommers
Detroit Rock City, dirigido por Adam Rifkin e escrito por Carl V. Dupré
American Pie - A Primeira Vez é Inesquecível, dirigido por Paul e Chris Weitz, escrito por Adam Herz
Buena Vista Social Club, escrito e dirigido por Wim Wenders
Beleza Americana, dirigido por Sam Mendes e escrito por Alan Ball

voltando à Amizade Desfeita. é preciso situar que o filme fez esse sucesso ABruxadeBlairiano em decorrência de sua história, visto que o filme é praticamente “passado” na internet e 2014. a tríade não, não a do WoD Facebook-Twitter-Instagram ‘tava cuns caralhos e o WhatsApp também ‘tava com tudo e tinha acabado de chegar ao Brasil com a nova tecnologia de telefonia celular não lembro qual era e não vou pesquisar, foda-se. e tinha o Skype[6] também, né? tem que falar do Skype, porque ele é a ambientação principal da narrativa aqui comentada. 
após alguém não identificado upar na internet um vídeo da estudante secundarista Laura Barns (Heather Sossaman) mutcho mutcho loca em uma festa, desmaiada e se cagando. como se as coisas não pudessem piorar – mas elas sempre pioram –, o vídeo viraliza e ela passa a ser motivo de chacota da escola. não aguentando a pressão, Laura mete uma bala na cabeça.
EXATAMENTE UM ANO APÓS O SUICÍDIO DE LAURA, estão em uma conferência de Skype Blaire Lily (Shelley Hennig) – a então “melhor amiga de infância” de Laura –, Mitch (Moses Storm) – namorado de Lily –, Jess (Renee Olstead), Ken Masters (Jacob Wysocki), Adam Warlock (Will Peltz) e um usuário desconhecido conhecido como “billie227”. toda vez eles querem se livrar do “indesejado” mas sempre sem sucesso, até Blaire conferir a quem pertence à conta – para surpresa geral, a conta era de Laura. após situações meio que absurdas e ser revelado que cada um dos participantes tem algum tipo de vínculo com Laura, todos passam a ser mortos – acredita-se que por seu espírito, que viera para dar aquela forra do povo que fez bullying dela. eu, particularmente, acredito que é a Laura mesmo que veio tocar o foda-se no negócio.
‘TÁ CERTO 
eu vejo Amizade Desfeita sob três perspectivas. a primeira é quanto ao fenômeno social bullying. “ain, se ela não tivesse bebido tanto, isso não teria acontecido”. FODA-SE, MEU IRMÃO, a mina chapou? chapou. mas não era nada pra filmar e muito menos upar na rede. a regra é clara: ACONTECEU NA FESTA, FICA NA FESTA. eu já sofri bullying pra caralho, eu já fiz bullying pra caralho, ninguém precisa me dizer o quanto o ensino médio é escroto quanto a isso. não conheci ninguém que se matou em decorrência de bullying, mas conhecer gente que conheceu não melhora as coisas. dizem que o Brasil tem potencial pra ser um EUA da vida ia ser legal pela expectativa de vida, não pelas taxas de suicídio entre jovens, que é praticamente o dobro do Brasil e, consequentemente, maior que qualquer outro país do G8 e da própria América Latina.
a minha segunda perspectiva quant’à obra remete e ainda’bre um link a terceira perspectiva. em algum dos seus vídeos do seu canal do YouTube o filósofo brasileiro Henry Alfred Bugalho disse que obras artísticas são necessariamente obras de seus tempos, produzidas sob problemas dos tempos, visando tratar com pessoas de seus tempos, podendo ou não utilizar ferramentas e metodologias de produção dos tempos nos quais foram produzidas. Amizade Desfeita é uma obra do nosso tempo falando pra gente do nosso tempo de problemas do nosso tempo, se valendo da atemporal roda de amigos pra falar merdas sobre tudo e principalmente sobre o que todo mundo fala quando ninguém está escutando – neste caso, Laura – e se valendo de duas ferramentas de nosso tempo. como dito, o Skype. como dito, a internet.
a minha terceira perspectiva parte do como Skype ambientação principal da narrativa um dos filmes mais icônicos do Alfred Hitcock é Festim Diabólico, de 1948, que, em suma, se passa em somente um cenário.
Festim Diabólico
, dirigido por Alfred Hitcock (1899-1980) e escrito por Arthur Laurents (1917-2011), sobre a obra Rope’s End, de 1929, do teatrólogo e escritor britânico Anthony Walter Patrick Hamilton (1904-1962)

Amizade Desfeita se passa em um cenário particionado em cenários, em cenários que fabricam um cenário. não é integralmente em plano sequência como o texto hitcockiano, óbvio, além de não ter um trabalho de fotografia e iluminação, sendo esta última a das câmeras dos notebooks e dos lugares pelos quais os personagens e coadjuvantes transitam, dando um senhor ar de credibilidade ao que o Greaves e o Gabriadze, creio, devem ter proposto ao desenvolver a obra. esta, inclusive[7], também não tem trilha sonora, sendo todo o som ambiente – tal qual o primeiro parâmetro (A Bruxa de Blair) –, que deve ter facilitado pra caralho a vida do pessoal da mixagem de som e da edição de som, por não terem tanto som pra trabalhar em cima.
a edição é um caso à parte justamente pelo caso do “cenário particionado em cenários, cenários fabricando um cenário”, é um jogo muito interessante de se acompanhar, tem umas jogadas de câmera muito boa, que o som vai acompanhando tudo e parece que estamos na conversa devido à limpeza de som enviado e recebido. essa limpeza de som também chega a incomodar quando rolam os gritos e chiados e barulhos intensos. não duvido que tenha sido verdadeiramente intencional. e deu muito certo.
meu problema com Amizade Desfeita é: ser muito longo. fosse uma hora, NO MÁXIMO, ‘tava de excelente duração. ESTOURANDO, uns setenta minutos. ‘tá. sim. tem o caso da exigência do cinema de ter cerca de uma hora e meia, no mínimo. mas, pra mim, não funcionou com todo esse tempo, ficou cansativo, a ideia meio que se perdeu. eu não sei se o Levan Gabriadze e o Nelson Greaves tinham a pretensão de “revolucionar” o cinema de horror e o caralho. mas certamente eles deram uma senhora contribuição inquestionável ao gênero com o texto. este tem os poréns de comparação com Festim Diabólico? tem, mas tem seus méritos próprios que cobrem estes poréns. Amizade Desfeita tem os poréns de comparação com A Bruxa de Blair? tem, mas tem seus méritos próprios que cobrem estes poréns, ainda mais tendo em vista a diferença de propósitos e qualidade do refinamento dos produtos finais. mesmo porque comparar a qualidade de vídeo de uma câmera de mão da primeira metade da década de 1990 com uma câmera de notebook da primeira metade da década de 2010 é justo pra caralho, né? (dependendo do notebook, a qualidade de vídeo da câmera é a mesma de uma câmera de mão da primeira metade da década de 1990 mesmo).
no mais, creio que um texto realmente aproximado a poder comparar Amizade Desfeita é o Pulse/Kairos, mas isso vou tratar em outro post[8], inclusive[9].
Kairo
, de 2001, dirigido e escrito por Kiyoshi Kurosawa
Pulse
, de 2006, dirigido por Jim Sonzero e escrito por Wes Craven e Ray Wright, com base em [ver filme abaixo]

e, oh, no decorrer do filme, se acaba-se descobrindo quem upou o vídeo da Laura.

assista Amizade Desfeita.





[1] ele também produziu o Ben-Hur de 2016, mas se faça o favor de ignorar sua existência.
[2] sim, agora tu cantas a música homônima do Capital Inicial.
[3] eu falo de uma das primeiras animações que o Brad Bird trabalha, The Plague Dogs, nesse post aqui. 
[4] eu apresentei um trabalho sobre esse longa na época da minha graduação, falo dele AQUI! 
[5] vale o mesmo comentário do John McTiernan.
[6] dispensa apresentações.
[7] caralho que “inclusive” se tornou meu novo marcador linguístico HAHAHAHAHA.
[8] ‘tá quase pronto até, só falta ajeitar um detalhe aqui e ali e subir.
[9] olha ai de novo o marcador.










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terça-feira, 29 de setembro de 2020

UM HOMEM SEM IMPORTÂNCIA - crítica e análise do filme

 ouvindo: Judas Priest, Sad Wings of Destiny, 1976


a produção cinematográfica brasileira do período da ditadura militar[1] varia primeiro entre dois extremos, os clássicos atemporais e os as porras completamente esquecíveis, e então aos meio-termos que um ou outro valem a conferida. como eu confio cegamente e inconscientemente nas sugestões de filme que meu parça Rodolfo me indica e, dessa vez, ele me indicou um nacional (eu tinha indicado pra ele o Politicamente Incorreto[2]): Um Homem Sem Importância, escrito e dirigido pelo cineasta espanhol radicado brasileiro Alberto José Bernardo Salvá Contel (¡eita nome!) (1938-2011)[3] e lançado em 1971.

Um Homem Sem Importância, escrito e dirigido por Alberto José Bernardo Salvá Contel

o filme, iniciado ao som de “Born to Be Wild”, dos estadunidenses do Steppenwolf[4], conta a história de Flávio (Oduvaldo Vianna Filho[5]), um desempregado na casa dos trinta anos que foi demitido da casa de boliche na casal trabalhava em decorrência um bando de muleque bêbado que tava zuando o repositor dos pinos. Flávio, segundo seu pai (interpretado por Rafael de Carvalho [1918-1981]), já passou por uns 10, 12 empregos em dois anos o irmão de Flávio (interpretado por José D’Artagnan Mello [1961-2019]).

“Born to Be Wild”, do Steppenwolf

só que, além de Flávio inventar de colocar no currículo que tem experiência em certas áreas e levar lindamente na cara quando é upado pra trabalhar nas mesmas, conhece peças extremamente raras na pelega de arrumar emprego – como (Mário Prieto), seu amigo de infância, e o nipo-brasileiro (Katsuo Kon) – e ainda se mete em situações, no mínimo... posso dizer inusitadas. como encontrar a filha da puta que começou a confusão que desembocou na demissão de Flávio do boliche (Dita Côrte-Real [1936-1974[6]), acompanha de dois amigos (Silvio Froes e Célio de Barros).

ao último lugar que vai, não consegue a vaga [de contínuo[7]], mas conhece Selma (Glauce Rocha [1930-1971][8]), com quem tem um rolo de uma noite antes de voltar pra casa e brigar valendo com o pai na mesa do jantar sobre as velhas discussões de formação, trampo, necessidades e oportunidades. o monólogo de Flávio pode ser considerado desnecessário mas é característico de filmes nacionais do período quanto a(o) protagonista do texto.

ainda que Um Homem Sem Importância me lembre pra caralho em muitas passagens e detalhes a magnus opus musiliana, Um Homem Sem Qualidades, funciona como apresentação do panorama do Brasil não ser a maravilha econômica que pintam sobre a época da ditadura à própria época do filme, e Flávio fazer parte da População Economicamente Ativa – i.e., o percentual populacional a partir de 15 anos de idade inserido no mercado de trabalho ou que, de forma ou outra, está procurando se inserir nele para exercer algum tipo de atividade remunerada (PENA, 2015) – , somando o fato que, às palavras de Tatiana Kolodin Ferrari e Gutemberg Hespanha Brasil (2015),

“Existem três forças que agem sobre o mercado de trabalho determinando a taxa de desemprego: a oferta de trabalho, a demanda por trabalho e os salários. Se os mercados fossem eficientes, essas forças iriam atuar de forma a gerar um estado de equilíbrio, eliminando qualquer disparidade de desemprego entre as regiões no longo prazo. Entretanto, a ação dessas não consegue reduzir completamente as disparidades [...] Na tentativa de explicar as causas dessas diferenças e a persistência entre as taxas de desemprego regionais, surgiram duas abordagens: a de desequilíbrio e a de equilíbrio.” (KOLODIN, BRASIL, 2015:674) 


logo, aplicando estes dois conceitos ao apresentado no Anuário Estatístico do Brasil de 1971 nos tocantes à escolaridade e acesso ao emprego, essas putarias de “todo mundo tinha emprego” e de “todo mundo tinha acesso a emprego” eram isso mesmo: putarias. sendo que, se hoje, 2020, o negócio já é absurdamente díspar a nível socioeconômico no país, pensem como era no ano do Tratado sobre a Proibição da Colocação de Armas Nucleares e Outras Armas de Destruição em Massa no Leito do Mar e no Fundo do Oceano e em seu subsolo. 

o Brasil sempre teve mão-de-obra pra caralho, mas e a qualificação? pra chegar essa qualificação a essa mão-de-obra? como fica essa caralha? pra chegar essa mão-de-obra a essa qualificação? e somem o fato que a industrialização brasileira é uma piada. 

tem tecnologia de ponta? tem. 

tem ciência de ponta? tem. 

tem produção cientifica de ponta? tem.

todavia, BRASIL NÃO CONSEGUE NEM SER PAÍS DE BASE ECONÔMICA AGRÍCOLA DECENTE QUE DIRÁ DE BASE ECONÔMICA A PARTIR DE INDÚSTRIA.

sabe a Índia? sabe a China? primeiro país tem 1b2mi pessoas e obteve a independência em 1947, segundo tem 1b3mi habitantes quase na virada do século XIX pro XX. e eu preciso dizer no que Brasil perdeu pra Índia e pra China: não que sejam 100% melhores pra viver que o Brasil. todavia, rolou aqui um processo tão fudido de sabotagem e um de autossabotagem que aqui não tem 250mi habitantes e não temos nem uma porra de programa nuclear funcional, que dirá um espacial. isso a ponto de que, se tu considerares Um Homem Sem Importância um retrato social AGRADÁVEL do Brasil da época, tu estás, NO MÍNIMO, assim, NA MELHOR DAS HIPÓTESES, assinando COM SANGUE teu diploma de inexorável e insofismável retardado acerca da história do país.

se o Brasil mudou pra melhor da época de Um Homem Sem Importância pra cá?

se tu acreditas que sim, tenho uma PÉSSIMA notícia pra te dar.






[1] caso haja dúvidas da existência de ditadura militar, dar uma olhada nessa bibliografia aqui rápidão:

1. U.S. Forces Stood Ready to Aid ’64 Brazil Coup, de Lewis H. Diguid, publicado no jornal The Washington Post de 29 setembro 1976;

2. The Situation of Brazil, documento oficial da CIA de 13 de fevereiro de 1969;

3. Documento da CIA relata que cúpula do Governo militar brasileiro autorizou execuções, artigo de Rodolfo Borges publicado no site do ElPais Brasil em 10 de maio de 1968;

4. Documento da CIA sobre execuções “implode” versão oficial da ditadura, (também) de Rodolfo Borges publicado no site do ElPais Brasil em 15 de maio de 1968;

5. Comissão debaterá arquivos da CIA sobre assassinatos durante a ditadura militar, de Carlos Penna Brescianini para a Agência Senado em 23 de maio de 2018;

6. Document No. 12. U.S. Support for the Brazilian Military Coup d’État, 1964;

7. The United States and the 1964 Brazilian Military Coup, de Matias Spektor para o The Oxford Research Encyclopedia of Latin American History, de 2016;

8. Memorandum From Director of Central Intelligence Colby to Secretary of State Kissinger, de William Egan “Bill” Colby (1920-1996), diretor da CIA de 1973 a 1976.

[2] eu comento esse filme nesse post aqui.

[3] Espanha também ‘tava no caralho em decorrência da ditadura militar capitaneada pelo militar Francisco Franco Bahamonde (1892-1975) a partir do golpe executado em 1939 pela coalização Nacionales – triunfante da Guerra Civil Espanhola (1936-1939) – e terminada no ano da morte do “Generalíssimo” Franco.

[4] escrita pelo guitarrista Mars Bonfire (pseudônimo de Dennis Eugene McCrohan) para o álbum Steppenwolf, primeiro da banda, lançado em 1968.

[5] (1936-1974), também diretor, cineasta e dramaturgo.

[6] ela atuou também no filme Dona Flor e Seus Dois Maridos, de 1976, escrito e dirigido por Bruno Barreto, sobre a obra homônima do escritor Jorge Leal Amado de Faria (1912-2001), publicada em 1966.

[7] servente, pessoa que trabalha em serviços gerais.

[8] este foi seu último papel.mas antes participou de nada mais que Rio, 40 graus, de 1955, dirigido por Nelson Pereira dos Santos (1928-2018), escrito por ele e Arnaldo de Farias; Os Cafajestes, de 1962, dirigido por Ruy [Alexandre] Guerra [Coelho Pereira] e escrito por ele e Miguel Torres; e os metafodônicos e caralhalmente obrigatórios Terra em Transe, de 1967, escrito e dirigido por Glauber [de Andrade] Rocha (1939-1981); e A Navalha na Carne, de 1969, dirigido por Braz Chediak e escrito por ele + Fernando Ferreira, Emiliano Queitroz e Plínio Marcos, com base na peça homônima escrita por esse último.






R E F E R Ê N C I A S C O N S U L T A D A S

________. Document No. 12. U.S. Support for the Brazilian Military Coup d’État, 1964. Disponível em <https://global.oup.com/us/companion.websites/9780195375701/pdf/SPD12_US_Support_Brazil_Coup.pdf>.

BRASIL. Anuário Estatístico do Brasil – 1971. Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística. Ministério de Planejamento e Coordenação Geral. Disponível em <https://biblioteca.ibge.gov.br/visualizacao/periodicos/20/aeb_1971.pdf>

DIGUID, Lewis H. U.S. Forces Stood Ready to Aid ’64 Brazil Coup. The Washington Post, 29 setembro 1976. Disponivel em <https://www.cia.gov/library/readingroom/docs/CIA-RDP91-00901R000700060125-0.pdf>.

BORGES, Rodolfo. Documento da CIA relata que cúpula do Governo militar brasileiro autorizou execuções. ElPais Brasil, 10 de maio de 2018. Disponivel em <https://brasil.elpais.com/brasil/2018/05/10/politica/1525976675_975787.html>.

BORGES, Rodolfo. Documento da CIA sobre execuções “implode” versão oficial da ditadura. ElPais Brasil, 15 de maio de 2018. Disponível em <https://brasil.elpais.com/brasil/2018/05/11/politica/1526053261_197839.html>.

BRESCIANINI, Carlos Penna. Comissão debaterá arquivos da CIA sobre assassinatos durante a ditadura militar. Agência Senado, 23 de maio de 2018. Disponivel em <https://www12.senado.leg.br/noticias/materias/2018/05/23/comissao-debatera-arquivos-da-cia-sobre-assassinatos-durante-a-ditadura-militar>.

COLBY, William Egan. 99. Memorandum From Director of Central Intelligence Colby to Secretary of State Kissinger. Central Intelligence Agency, Office of the Director of Central Intelligence, Job 80M01048A: Subject Files, Box 1, Folder 29: B–10: Brazil. Secret. Washington, 11 de abril de 1974. Disponível em <https://history.state.gov/historicaldocuments/frus1969-76ve11p2/d99>. 

ESTADOS UNIDOS. The Situation of Brazil. Central Intelligence of America, 13 de fevereiro de 1969. Disponível em <https://www.cia.gov/library/readingroom/docs/CIA-RDP91-00901R000700060125-0.pdf>.

ESTADOS UNIDOS. Telegram. Department of State, julho de 1972. Disponível em <http://cnv.memoriasreveladas.gov.br/images/pdf/docs/Doc16_53384-6-006.pdf>.

FERRARI, Tatiana Kolodin; BRASIL, Gutemberg Hespanha . Comportamento do desemprego regional no Brasil: uma aplicação de teste de convergência em painel. Nova Economia (UFMG. Impresso), v. 25, p. 673-688, 2015. Disponível em <https://www.scielo.br/pdf/neco/v25n3/1980-5381-neco-25-03-00673.pdf>.

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