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YEAH, HOUSTON, WIR HABEN BÜCHER!

e ai que tenho três livros de autoria publicada que fiz praticamente tudo neles e vou fixar esse post aqui com os três pra download e todos...

domingo, 25 de agosto de 2019

POEMA DE TWITTER - poema do sábado

POEMA DE TWITTER

acordo
café
anime
animê
animé
poesias de notas do rodapé do Gullar
quisera eu acordar e te ver
embrulhado ventre e embrulhadas coxas sobre véus e lençóis
vermelhos e brancos
de contraste à
tua pele
morena

:: 24 de agosto de 2019 ::

quarta-feira, 21 de agosto de 2019

mais poemas perdidos encontrados – volume (perdi a conta)

Onde foi que vi Vossos olhos antes de ontem? 
Eu não lembro... Não lembro de olhos com’os Vossos 
antes de ontem.
Onde meus olhos contemplando boca como a Vossa
Nunca antes... Nunca d’antes a meus olhos boca como a Vossa
e rosto como o Vosso
pescoço como o Vosso
Sem contar a grandeza perfeita de Vossas medidas
que só podem ser contabilizadas e registradas
por quem escreve e lê e estuda
Poesia.  


:: biblioteca Paulo Freira, Centro de Ciências Sociais e Educação da Universidade do Estado do Pará, durante reunião do grupo de pesquisa Literatura e Quadrinhos, do grupo Arte, Religião e Memória (ARTEMI) em junho de 2019 ::

sábado, 17 de agosto de 2019

primeiro poema – sem título, sem título – para Malu

o sol quando nasce, nasce da água
o sol quando acorda, nasce do mar
o sol quando desce pra deitar e repousar
volta pra água ou
vai repousar no mar
quando Tu adentras o mar...?
é pra saber
onde o sol repousa
e também lá se estirar
quando o sol está regando com raios
os jamboeiros e ipês e sapucaias
cujas flores cujas pétalas
decoram todos os caminhos que
tu percorres
desde a hora
desde o momento
que nasces da água
que despertas do mar...
irrigares
os resedás e cinamomos e quaresmeiras
cujas flores
compõem Teus cabelos
e as 
manacás-da-serra e jasmins-manga e cerejeiras
cujas pétalas
compõem Tua carne
e então voltares
para desfadigares
à água
ao mar...


:: 16 de agosto de 2019 ::










“FELIZ ANIVERSÁRIO!!!” e “MUITAS FARRAS NA VIDA!!!” pro meu Irmão MARCELO MELO YONEZAWA e pra minha boa amiga e Irmã-de-Literatura KAREN MONTEIRO CARMONA!!!!


BIS ZU DEM BREAKIN FUCKIN NEUEN POST!!!!

sexta-feira, 16 de agosto de 2019

… dessa madrugada em claro…

baixei essas quando eu deveria estar dormindo pra dar uma lida assim que possível e atrasar ainda mais a finalização do meu projeto de doutorado, que também é sobre HQ. as que me aprazerem, eu comento por aqui assim que possível
Frank Miller’ RoboCop
(adaptação de Steven Grant, arte de Steven Grant e cortes do Nimbus Studios) 
(essa é quase certeza eu comentar, mesmo que seja escrota!!!!)


Fables: 1001 Nights of Snowfall
(roteiro de Bill Willingham; arte de Brian Bolland, Charles Vess, Derek Kirk Kim, Esao Andrews, Jill Thompson, John Bolton, Mark Buckingham, Mark Wheatley e Michael Wm Kaluta; capas de James Jean)


Sundiata: Leão do Mali
(roteiro e arte de Will Eisner)
(idem RoboCop)


Literatura Brasileira em Quadrinhos - O Enfermeiro, de Machado de Assis
(eu não gosto de Machado de Assis, mas bora ver se em HQ fica menos intragável mais palatável)


Flashpoint - Abin Sur - The Green Lantern 
(roteiro de Adam Schlagman, arte de Felipe Massafera e cores de Rod Reis)


Point of Impact
(roteiro de Jay Faerber e arte de Koray Kuranel)


Starlight
(roteiro de Mark Millar, arte de Goran Parlov e cores de Ive Svorcina)


Juiz Dredd Megazine Vol.02
(vários roteiristas e vários artistas)


HQ Curtas
(roteiro de Bruno Bispo e arte de Victor Freundt)

The Last Defenders
(roteiro de Joe Casey e Keith Giffen, arte de Jim Muniz e cores de Antonio Fabela)
(SÓ PEGUEI POR CAUSA DO NOME DO KEITH GIFFEN MAS ‘TÔ QUASE CRENTE QUE VOU ME ARREPENDER DA GRAÇA)

Blue Estate
(roteiro de Andrew Osborne sobre história de Viktor Kalvachev e Kosta Yanev; com arte de Viktor Kalvachev, Toby Cypress, Nathan Fox e Robert Valley)

bem, é isso ai, vou dormir um pouquim porque ainda vou ter que ler e resenhar uns artigos mais tarde que vou usar no PPDoc pré-projeto de doutorado e farei isso lendo as HQs em questão eeeeeeeeeeeeeeeeee é isso ai!




“FELIZ ANIVERSÁRIO ATRASADO!!!” e “MUITAS FARRAS NA VIDA!!!” pra minha Irmã-de-CEFET E Irmã-de-Curso-e-Armas JACQUELINE LIMA COELHO SAMPAIO!!!!


BIS ZU DEM BREAKIN FUCKIN NEUEN POST!!!!

quinta-feira, 8 de agosto de 2019

CHUVA DE ANTES QUE A TARDE ACABE - poema da terça-feira

CHUVA DE ANTES QUE A TARDE ACABE
chegarei antes das quatro da tarde
e o céu ainda estará azul e o sol inclemente.
terei que limpar meu quarto
e o banheiro deste
antes das cinco da tarde.
antes das seis da tarde
eu estarei pelado no quintal
tomando banho de chuva
torrente torrencial...
chuva chuvaral...
antes do fim de tarde
antes que a tarde acabe
vou me limpar de tudo que me afligiu
semestre passado e último mês
a partir deste mês
recomeçar de vez
com a chuva que cairá hoje
tirando tudo do passado e de aflição
do caminho
recomeçar de vez...!
chuva de fim de tarde
antes que a tarde acabe



:: 06 de agosto de 2019 ::

quarta-feira, 7 de agosto de 2019

WOLVERINE VERSUS BLADE – crítica da HQ

eu vi essa no Poder Marvel agora mais cedo de madrugada e “foda-se, por que não? eu gosto do Wolverine e do Blade (exceto quando colocam o Blade com outros personagens da Marvel)”.
baixei. 

Wolverine versus Blade tem roteiro de Marc Guggenheim (Law & Order, CSI: Miami, Arrow, Legends of Tomorrow, o filme do Lanterna Verde [em co-autoria com Greg Berlanti, Michael Green e Michael Goldberg], Perfect Dark Zero [em co-autoria com Dale Murchie], Call of Duty 3 [em co-autoria com Richard Farrelly e Adam Gascoine. X-Men: E de Extinção) e arte de Dave Wilkins (Batman, Star Wars, G.I. Joe, Lanterna Verde, Justiceiro), sendo mais uma história do Blade que do Wolverine pela ambientação vampiresca mais que mutante, ainda que os vampiros estejam transformando mutantes em sanguessugas.
se tu fores facilmente impressionável com arte, Dave Wilkins te convence eu achei espalhafatosa pra caralho e não precisava desse artifício, muito videogamística pro meu gosto o plot desenvolvido pelo Guggenheim é bacaninha até: Varkis é um messias vampírico – mas mezzo mutante (!!!!!!!!!!) – destinado a liderar os vampiros do culto conhecido como Credo a subjugar a humanidade e cabe aos dois, após todas as ladainhas e clichês do caralho que o gênero “versus” pede, resolver a presepada. 
o clichê da luta entre os protagonistas é uma merda (marcaste nessa, Guggenheim). o Doutor que não tem Doutorado, logo não é porra nenhuma de Doutor Estranho faz uma participação especial, inclusive, já que tem misticismo dos violentos na narrativa e dá um bom norte pro Logan da situação, isso é bom porque a história começa em um determinado ponto e termina em outro, não dá trela pra continuação e não usa uma história de uma história pra se escorar.  e pra quem gosta de pancadaria e sangue pra encher uma piscina, é um deleite.
Wolverine versus Blade não é uma HQ que vai salvar tua vida, mas cabe muito bem a uma viagem de ônibus ou a uma espera pra ser atendido no consultório ou quando a pessoa com quem sairás demora uma vida pra se arrumar etc etc etc.  

fase bônus: falando no putardo do Strange, passem longe dessa bomba aqui, Damnation (que a Panini traduziu, corretamente como “Danação”), que também pegay (UI!) no Poder Marvel, escrita a quatro mãos por Donny Cates (Venom, Thanos, Jornada nas Estrelas, God Country [muito fudido esse título, leia assim que tiver oportunidade) e Nick Spencer (a maravíncrivel Morning Glories), cujo trabalho de arte fica a encargo do brasileiro Ivan Reis (Xena, Capitã Marvel, Liga da Justiça, Authority)
Damnation é uma das maiores cagadas da Marvel dessa década que tu vais ler só pra ficar com raiva. passe longe. não querendo ser bairrista mas a única coisa que salva dessa porra é a arte do Reis, porque o resto................... vá tomar no cu da série ESCROTA!


e é isso ai, eu vou dormir, já deveria estar dormindo, diga-se. ‘tava lendo HQ e ai decidi comentar essa, mas eu ainda tenho um montão na lista pra comentar e mais cedo mais tarde, estão por aqui!



BIS ZU DEM BREAKIN FUCKIN NEUEN POST!!!!

segunda-feira, 5 de agosto de 2019

poema sem título do sábado

sábado amanhece 
amanhece melancólico.
parece amanhecer mais
devagar que
ontem.
quem foi embora ontem?
quem foi embora hoje?
barco navega 
canoa navega 
popopó navega 
transatlântico navega 
petroleiro navega 
destroier navega 
corveta navega 
catamarã navega 
gaseiro navega 
cruzador navega 
graneleiro navega 
karve navega 
birreme navega 
submarino navega 
navega pra onde, navega...?
navega de onde, navega...?
navega sem volta
pra onde?
navegar pra onde não há volta
ao olhar pra trás
não tem caminho de volta
quando se navega de ida, não há volta...
quando se navega de volta, não há volta...
não há volta
não há volta...





:: 03 de agosto de 2019 ::

sábado, 3 de agosto de 2019

poema sem título da sexta-feira

quando amanhece, as estrelas vão embora: 
pelo o que sabemos, vemos somente a luz 
de estrelas já mortas. 
na noite seguinte, outras tomam o lugar? 
na noite seguinte 
outras chegam pra tomar lugar? 
as pessoas morrem aqui na Terra 
e em outras planetas que também tenham seres vivos 
que tenham noção de estrelas e ciclos 
eu só sei que vou embora sem me despedir
pra não correr o risco de ser enrolado e
acabar ficando.
ninguém precisa saber até ser a hora
ninguém precisa saber até
ser tarde demais
e não ter
como chamar de volta.
navegar, navegar
não olhar pra trás, pra trás
navegar pras estrelas...
ou se tornar uma estrela?
se lembrar olhando pras estrelas...
quem ainda olha pras estrelas...?
quando amanhecer eu vou embora com as estrelas
sem me tornar uma.





:: 02 de agosto de 2019 ::

sexta-feira, 2 de agosto de 2019

BELCHIOR - PARAÍSO - 1982

BELCHIOR
PARAÍSO
1982
– todas as letras e músicas de Belchior, exceto onde indicado
E QUE TUDO MAIS VÁ PARA O CÉU
(Belchior, Jorge Mautner)
Um dia você me falou, em Andaluzia e em Valladolid
Granada fica além do mar, na Espanha
Molhou em meu vinho seu pão
E também me falou em coisas do Brasil
O FMI, Tom, poeta tombado na guerra civil

O homem da máquina então, então me falou
Vá embora poeta maldito!
O teu tempo maldito também já terminou

E eu fui embora sorrindo, sem ligar pra nada; como vou ligar
Para essas coisas quando eu tenho a alma apaixonada?

Mas teu cabelo é mais negro que o negro
Da asa da graúna, de um negro mais sutil
Preto como os tipos pretos que compõem a palavra anil

E à noite eu entro no CinemaScope
Tecnicolor, World Vision, daqueles de cowboy
De que vale a minha boa vida de playboy?
E eu compro este ópio barato
Por duas gâmbias, pouco mais
Mas como dói...  
Eu entro num estádio e a solidão me rói

E eu quero mandar para o alto
O que eles pensam em mandar para o beleléu
E que tudo mais vá para o céu

E eu quero mandar para o alto
O que eles pensam em mandar para o beleléu
E que tudo mais vá para o céu
E que tudo mais vá para o céu
E que tudo mais vá para o céu

MONÓLOGO DAS GRANDEZAS DO BRASIL
Todo mundo sabe/todo mundo vê
Que tenho sido amigo da ralé da minha rua
Que bebe pra esquecer que a gente
É fraca
É pobre
É víl
Que dorme sob as luzes da avenida
É humilhada e ofendida pelas grandezas do brasil
Que joga uma miséria na esportiva
Só pensando em voltar viva
Pro sertão de onde saiu

Todo mundo sabe
(principalmente o bom deus, que tudo vê)
Que os homens vão dizer que a vida é dura e incompleta
Pra quem não fez a guerra e não quer vestibular
Pra quem tem a carteira de terceira
Pra quem não fez o serviço militar
Pra quem amassa o pão da poesia
Na limpeza e na alegria
Contra o lixo nuclear.

Como uma metrópole,
O meu coração não pode parar
Mas também não pode sangrar eternamente

Ta faltando emprego
Neste meu lugar
Eu não tenho sossego
Eu quero trabalhar
Já pensei até em passar a fronteira.
- eu vou pra São Paulo e Rio
(Eldorados da além-mar)
A estrada é uma estrela pra quem vai andar.
Oh! Não! Oh! Não!
Ai! Ai! Que bom que é
A lua branca, um cristão andando a pé!
Ai! ai! que bom, que bom se eu for
Pés no riacho, água fresca, nosso senhor!

Vou voltar pro norte/ semana que vem
Deus já me deu sorte/ mas tem um porém
Não me deu a grana/ pra eu pagar o trem.

MA

EEi! Ma! Você é tão boa!
(MA em hindu é mulher)
EEi! Ma! Como você voa!
Não me dá nenhuma colher de café
EEi! Ma! Você ri à toa!
Contigo jogo melhor que Pelé
Ma não é qualquer pessoa, não
Enquanto eu pretendo ser, ela é

O sol tem sete estágios
As estrelas também
Um elefante é tão elegante
Procuro Ma, a minha amante

Os magos chegam bem cedo
Montados em incríveis motos
Encontro Ma, minha amante
Sentada numa flor de lótus

DA COR DO CACAU
(Guilherme Arantes)
A minha morena é cor do cacau
sabor de banana é sol tropical

Este balanço é pra te embalar
esta canção é prá te encantar
estes acordes são recordação
que nunca é tarde, não, no coração
O meu Reggae é pra regalar
a minha Salsa é pra temperar
o meu Calipso é pra refrescar
ah, e o Merengue é pra suspirar

BELA
Ela
É
Bela
Bela como a luz elétrica
Mensagem pura
Como as letras do alfabeto
Estas estrelas
Como poema concreto
Claro projeto
Como um lugar comum secreto
Ela

Ela o avesso do verso: O processo
A prosa; o trabalho em progresso
Meu lance de dez no acaso do sucesso
Mensagem de amor na votação do congresso
Meu voto é dela!

Ela
Minha (a) ventura, minha bem – aventurança
Minha mãe, minha irmã, minha mulher, minha criança
Raiz do meu cantar, matriz da minha contradança
Bárbara beatriz é ela

Ela
Sensibilidade de fortaleza à luz do dia
Toda a sensualidade da bahia
Folia da utopia da anarquia da poesia
Inferno e paraíso é ela

APARAÍSO
Amo tua voz e tua cor
E teu jeito de fazer amor
Revirando os olhos e o tapete
Suspirando em falsete
Coisas que eu nem sei contar
Ser feliz é tudo que se quer

Ah! Esse maldito fecho éclair
De repente a gente rasga a roupa
E uma febre muito louca
Faz o corpo arrepiar
Depois do terceiro ou quarto copo
Tudo que vier eu topo
Tudo que vier, vem bem

Quando bebo perco o juízo
Não me responsabilizo
Nem por mim, nem por ninguém
Não quero ficar na tua vida
Como uma paixão mal resolvida
Dessas que a gente tem ciúme
E se encharca de perfume
Faz que tenta se matar

Vou ficar até o fim do dia
Decorando tua geografia
E essa aventura em carne e osso
Deixa marcas no pescoço
Faz a gente levitar
Tens um não sei que de paraíso
E o corpo mais preciso
Do que o mais lindo dos mortais
Tens uma beleza infinita
E a boca mais bonita
Que a minha já tocou

DO MAR, DO CÉU, DO CAMPO
Fê-pê, Lê-pê, O-pô, Rê-pê,
Aflor do mar, o céu: Rose Selavy.
Lê-pê, A-pá, Ga-pá, O-pô, O-pô, Quê-pê:
A Giocondadá, flor do campo.

Ay! Minha moça ready made passando de virgem à noiva.
My non sense of humour, minha máquina de viver.
Ay! Fonte. Um nu descendo um novo lance de escadados.
Orei, a rainha, o cavalo, o peão, o grande vidro de xadrez.

Cê-pê, A-pá, Nê-pê, Tê-pê, A-pá, Rê-pê,
Cantar o mar no céu, la vie en rose aqui
Estuve pensando en ti, xyz de mi problema:
A culpa é do cinema!

A-E-I-O-U, doble U, dobre o U
Na cartinha da Juju, Misanu.
A-E-I-O-U, dabliú, dabliú,
Que a partilha é de Ubu.

Noiva Maria, denudada por seus parceiros solteiros.
Ay! Dama do meu fliperama, mulher-objeto trovado no chão.
Oh! sonho que o dinheiro compra. Oh! pedra de toque, palavraclosada
Oh! trova clusada. E Kitsh goliardo
Que inventa-provença na minha canção!

A/B/C/D/E/Fê/Guê/
Agá/I/K/Lê/Mê/
N/O/P/Q/Rê/
STUV pensando en ti, XYZ de mi problema:
A cULpa é do cinema

A ESTRANHELEZA
(Arnaldo Antunes)
Pétala de flor na bochecha
Se enfeita, na mata, a menina preta
Fanta-uva, doce corante
Sou feliz, no pé  
verniz diamante

Eê, língua de macaco êê
Perna de serpente
Hóstia manchada de batom
Bomba tomar
Num tá tudo bom

Eê, êe
Eieiei iê
Eieiei iê eê
Eê eê!

Em Saturno há tempestades douradas
No céu (no Céu!!) eu tenho dez namoradas
Tanta estranheleza me encanta
Santa mulher com pele de planta

Eê, língua de macaco, êê
Perna de serpente
Miss mistério no stereo do som
Pérola, tudo tambor tão bom

ELA
Ela contou pra mim que tinha sonhos e se assustava
Por não saber o sentido daquele lance vivido nas ultimas madrugadas
Ela contou pra mim que tinha medo do seu espelho, queria um apoio um conselho
Mas não contava o segredo que seu olhar revelava
Mas a vida era uma festa e as viagens eram fugas
E a solidão, a única amiga a unica certeza da vida
Estava sempre esperando por ela em qualquer porto ou estação
Ela... Uau!
Ela contou pra mim que tinha sonhos e se assustava
Por não saber o sentido daquele lance vivido nas ultimas madrugadas
Ela contou pra mim que tinha medo do seu espelho, queria um apoio um conselho
Mas não contava o segredo que seu olhar revelava
Ela contou pra mim que tinha sonhos
Ela contou pra mim que tinha
Ela contou pra mim que
Ela

A RIMA DA PROSA
Deixe nessa casa sua fala gravada na fita
Permita que eu aperte o botão

O sol glorioso iluminou toda a cidade
E nós cantores
Se a morte chega já deixamos a nossa voz
E alegria nos dentes
Nos olhos dos contentes

A nossa pose na fotografia
Que revela o belo e a bela
Cravo e canela
Verso universo
Romance e folia

Rima da prosa  
que o corpo irradia

segunda-feira, 29 de julho de 2019

CANÇÃO PARA JACQUELINE E MARCEL – poema escrito no buzão

CANÇÃO PARA JACQUELINE E MARCEL

cores do céu escurecendo
tarde sendo noite
tarde virando noite
são essas cores em praia quando anoitece
vocês também veem percebem quando anoitece assim
ou ai sempre anoitece assim que vocês não veem mais...?
voltaram em paz, voltem em paz
não deixem de vir jamais
não deixem de voltar
quando vocês vão voltar?
ir já pensando em voltar
um dos poucos males de viajar é ir já pensando em voltar 
não deixem de voltar
trazer de volta a parte do meu coração que agora com vocês está.
quando amigos reúnem, creio,
são corações partidos se tornando um novamente.
o que são amigos senão corações e mentes
formados por corações e mentes...?
corações e mentes e lembranças...
parece que foi ontem que reunimos.
parece que será mais tarde, daqui a pouco
que reuniremos.
enquanto pudermos lembrar e chorar, sempre estaremos
sempre será aquela noite de sábado
e risos e lembranças e causos
arroz e feijão e frango guisado e ervilha e farinha
e cerveja e refrigerante com ypioca ouro
e quando de novo?
um dia de novo...
quando menos esperamos ou nos pensarmos,
de novo.


:: 29 de julho de 2019 ::

quarta-feira, 24 de julho de 2019

BELCHIOR – OBJETO DIRETO - 1980

BELCHIOR
OBJETO DIRETO
1980
– todas as letras e músicas de Belchior, exceto onde indicado
OBJETO DIRETO
Eu quero meu corpo bem livro do peso inútil da alma
Quero a violência calma de humanamente amar
Eu quero quebrar o quebranto do permitido e do proibido
E nego o que nega os sentidos direito e dom de gozar
A verdade está no vinho “In vino veritas”
Que me faz gauche, anjo torto
Que retempera o meu corpo nos pecados capitais
Pois a pedra no sapato de quem vive em linha reta
É a sentença concreta
Viver e brincar e pensar tanto faz
Substantivo comum um infinito presente
Este, objeto direto, reto, repleto, completo
Presente, infinitamente

NADA COMO VIVER
Nada
Nada como viver
Nada como viver de repente
Nada, nada, nada, nada!
Nada como viver
Nada como viver de repente

Alegria é uma beleza
Com certeza eu viveria
Nessa cor que a moça usa
Além da blusa
Eu quero viver

Amar, prazer, por que não dizer
O palavrão, a palavra, tentação
Amar, prazer, por que não dizer
O palavrão, a palavra, coração

Nada, nada como viver
Nada como viver de repente
Nada, nada, nada, nada
Nada como viver
Comover é comover
Nada como viver de repente

Quando a vida acontecer
Tão bonita mocidade
A palavra independente
O corpo que sente
Sabe fazer

Amar, prazer, por que não dizer
O palavrão, a palavra, sensação
Amar, prazer, por que não dizer
O palavrão, a palavra, sem o senão

Nada
Nada como viver
Nada como viver de repente
Nada, nada, nada nada
Nada como viver
Nada como te ver tão contente

PEÇAS E SINAIS
Nós vamos morar
No mais alto andar
Daquele edifício
Que parece voar

De lá dá pra ver
Um navio que vem vindo
Bombas explodindo em homens
Quase soltos no ar

Em torno ao nosso quarto
Passam helicópteros
E envolvem nossos corpos
Em círculos mortais

A hélice metálica
Risca nosso beijo
E deixa em nossa pele
Peças e sinais

Mas nós não somos bobos
Bomba de hidrogênio
Não vamos permitir
Que a vida acabe assim

Vamos refazer o amor
Um manchão submarino
Bomba H, foguete
Não teremos fim

YPÊ
Contemplo o rio que corre parado
E a dançarina de pedra que evolui
Completamente, sem metas, sentado
Não tenho sido, eu sou, não serei, nem fui
A mente quer ser, mas querendo erra
Pois só sem desejos é que se vive o agora
Vêde o pé do ypê apenasmente flora
Revolucionariamente
Apenso ao pé da serra
Vêde o pé do ypê apenasmente flora
Revolucionariamente
Apenso ao pé da serra

Contemplo o rio que corre parado
E a dançarina de pedra que evolui
Completamente, sem metas, sentado
Não tenho sido, eu sou, não serei, nem fui
A gente quer ter, mas querendo era
Pois só sem desejos é que se vive o agora
Vêde o pé do ypê apenasmente flora
Revolucionariamente
Apenso ao pé da serra
Vêde o pé do ypê apenasmente flora
Revolucionariamente
Apenso ao pé da serra

AGUAPÉ
Capineiro de meu pai
Não me corte os meus cabelos
Minha mãe me penteou
Minha madrasta me enterrou
Pelo figo da figueira que o Passarim beliscou

Companheiro que passas pela estrada
Seguindo
Pelo rumo do sertão
Quando vires
A casa abandonada
Deixe-a em paz dormir
Na solidão

Que vale o ramo do alecrim cheiroso
Que lhe atiras no seio ao passar
Vai espantar o bando, o bando buliçoso.
Das mariposas que lá vão pousar

Esta casa não tem lá fora
A casa não tem lá dentro
Três cadeiras de madeira
Uma sala a mesa ao centro

Esta casa não tem lá fora
A casa não tem lá dentro
Três cadeiras de madeira
Uma sala a mesa ao centro

Rio aberto barco solto
Pau d’arco florindo a porta
Sob o qual ainda há pouco
Eu enterrei a filha morta
Sob o qual ainda há pouco
Eu enterrei a filha morta

Aqui os mortos são bons
Pois não atrapalham nada
Pois não comem o pão dos vivos
Nem ocupam lugar na estrada
Pois não comem o pão dos vivos
Nem ocupam lugar na estrada

Nada
A velha sentada o ruído da renda
A menina sentada roendo a merenda

Nada, nada, nada, nada, nada, nada, nada.
Aqui não acontece nada não
Nada
Nada
Nada
Nada absolutamente nada
E o aguapé lá na lagoa
Sobre a água nada
E deixa a borda da canoa
Perfumada
É a chaminé à toa
De uma fábrica montada
Sob a água que fabrica
Este ar puro da alvorada
Nada, nada, nada, nada, nada, nada
Aqui não acontece nada não
Nada
Nada, nada, nada, nada, nada, nada
Nada absolutamente nada.
* inclui passagem do poema “A Cruz da Estrada”, do poeta brasileiro Antônio Frederico de Castro Alves  
(1847-1871) *

CUIDAR DO HOMEM
Cuidar do homem
Cuidar do homem

Solução, rima, Raimundo
é chegado o fim de tudo
e o mundo pode acabar

Solução, rima, Raimundo
é chegado o fim de tudo
e o mundo pode acabar

Cuidar do homem
Cuidar do homem

De tanto ver, fiquei cego
surdo de tanto escutar
Ainda me sinto gente
mas não posso respirar

Tem veneno em toda terra
Mil fumaças pelo ar
Não tem pássaro nem bicho
E monte líquido de lixo
Se tornou a água do mar

Não tem pássaro nem bicho
E monte líquido de lixo
Se tornou a água do mar

Cuidar do homem
Cuidar do homem

Pra quem pensava que Hiroshima, meu amor
tinha sido exemplar
Há Bomba N, há de Hidrogênio, há Bomba Atômica
Só quem não tem nenhuma simpatia pela raça humana
pode insistir
num desrespeito tão flagrante ao direito de existir
Talvez, se esses caras tivessem uma bela dama
um amor puro
fizessem fama, sobre a cama, como autores do futuro
Por isso, enquanto esses dementes
tomam por amantes bombas e usinas
eu canto, eu danço, eu fumo, eu bebo, eu como, eu gozo
com essas meninas
E se você vier com essa: que eu sou ingênuo, artista louco
digo: eu concordo. Eu pinto, eu bordo
eu vivo muito e ainda acho pouco
Por isso é sempre novo afirmar
Não faça a guerra. Faça o amor
E viva a vida os seus instintos em poder da flor

Por isso é sempre novo afirmar
Não faça a guerra. Faça o amor
E viva a vida os seus instintos em poder da flor

SEIXO ROLANDO
Tudo o que tenho é meu corpo
Sou o que tenho e te dou

Com um corpo como o teu
Não precisas nem de alma
Sente a minha violência
Como uma essência de calma
Anjos, se houvesse anjos
Claro, seriam como tu
No corpo, rosa dos ventos
Tudo é norte, tudo é sul
Se oriente, se ocidente
Toda cor corre pro azul
Não nada como o nada que é o eu
Indescritível nu

Sou um seixo rolado
Na estrada do lado
De lá do sertão
E ser tão humilhado
É sinal de que o diabo
É que amassa o meu pão
Mas meu corpo é discente
E, civilizada a mente
Gosta, cheira, toca, ouve e vê
E, com amor e anarquia
Goza que enrosca e arrepia
Roquerolando em você
Be-bopeando em você
Calipsando em você
Merenguendo em você
Bluesbusando em você
Um boogie-woogie em você
Tango um bolero em você
Chorando em você

JÓIA DE JADE
Trago guardada num quintal dentro de mim
(horto fechado que o povo chama jardim)
A fina flor do alecrim
Cheirosa dama da noite
Rosa de cheiro sem fim

Flora, abomina - deusa encarnada!
Mostra-me a sina: um v de verão
Jazzmin secreto ao sol glorioso
Um mistério gozoso pro meu coração

A face oculta da lua aparece na água do brejo
Vitória régia: a ausência total de desejo
Jóia de jade de onde a luz vem
Lâmina animal - espelho
Que tudo reflete e que nada retém

A paz da verdade preserva mesmo um bichinho
E faz a vontade da erva e do ovo - do ninho
Que as coisas sejam só o que são
Eis o fausto do amor sem defeito
Sujeito objeto de nula intenção

DEPOIS DAS SEIS
Quando a fábrica apitou e o trabalho terminou
Todo mundo se mandou
Sem desejos de voltar
Como o mar não tá pra peixe
Ai, mulata, não negues teu cabelo
E, aproveitando esta deixa
Vem viver, me comer, vem me dar
Renascer, descansar

O sol posto
Enxuga o suor do meu rosto
Que eu não sou cativo por gosto
Estou vivo e berrando da geral
E a moçada é que faz de fato a festa
Em cidade como esta
Onde ser gente é imoral
Conheço a lua
E não conheço o meu quintal
A culpa é tua
Eu cantei todo esse mal

Eu... a andorinha
Contou que, sozinha
Canta, mas não faz verão
Tem boi na linha
É o mesmo trem, a mesma estação
Resumindo
Até logo, eu vou indo
Que é que estou fazendo aqui?
Quero outro jogo
Que este é fogo de engolir

MUCURIPE
(Belchior, Raimundo Fagner)
As velas do Mucuripe
Vão sair para pescar
Vou mandar as minhas mágoas
Pras águas fundas do mar

Hoje à noite namorar
Sem ter medo da saudade
Sem vontade de casar

As velas do Mucuripe
Vão sair para pescar
Vou mandar as minhas mágoas
Pras águas fundas do mar

Hoje à noite namorar
Sem ter medo da saudade
Sem vontade de casar

Calça nova de riscado
Paletó de linho branco
Que até o mês passado
Lá no campo inda era flor

Sob o meu chapéu quebrado
Um sorriso ingênuo e franco
De um rapaz novo encantado
Com vinte anos de amor

Aquela estrela é dela
Vida, vento, vela, leva-me daqui
Aquela estrela é dela
Vida, vento, vela, leva-me daqui

As velas do Mucuripe
Vão sair para pescar
Vou levar as minhas mágoas
Pras águas fundas do mar

Hoje à noite namorar
Sem ter medo da saudade
Sem vontade de casar

Calça nova de riscado
Paletó de linho branco
Que até o mês passado
Lá no campo inda era flor

Sob o meu chapéu quebrado
Um sorriso ingênuo e franco
De um rapaz moço encantado
Com vinte anos de amor

Aquela estrela é dela
Vida, vento, vela, leva-me daqui
Aquela estrela é dela
Vida, vento, vela, leva-me daqui

terça-feira, 23 de julho de 2019

BELCHIOR – ERA UMA VEZ UM HOMEM E SEU TEMPO – 1979

BELCHIOR
ERA UMA VEZ UM HOMEM E SEU TEMPO
1979
– todas as letras e músicas de Belchior, exceto onde indicado
MEDO DE AVIÃO
(Belchior, Gilberto Gil)
Foi por medo de avião
Que eu segurei pela primeira vez na tua mão
Um gole de conhaque, aquele toque em teu cetim
que coisa adolescente, James Dean

Foi por medo de avião
Que eu segurei pela primeira vez na tua mão
Não fico mais nervoso, você já não grita
E a aeromoca, sexy, fica mais bonita

Foi por medo de avião
Que eu segurei pela primeira vez na tua mão
Agora ficou fácil, todo mundo compreende
Aquele toque Beatle, I wanna hold your hand
Agora ficou fácil, todo mundo compreende
Aquele toque Beatle, I wanna hold your hand
Aquele toque Beatle, I wanna hold your hand

RETÓRICA SENTIMENTAL
Moro num lugar comum, perto daqui, chamado Brasil
Feito de três raças tristes, folhas verdes de tabaco
e o guaraná guarani
Alegria, namorados, alegria de Ceci
Manequins emocionadas
são touradas de Madrid
que em matéria de palmeira ainda tem o buriti perdido
Símbolo de nossa adolescência
signo de nossa inocência índia, sangue tupi
E por falar no sabiá, o poeta Gonçalves Dias é que sabia
Sabe lá se não queria
uma Europa bananeira
Diga lá, tristes trópicos
sabiá laranjeiras
Aliás, meu camarada, o cantor popular falou divinamente
Deus é uma coisa brasileira, nordestinamente paciente
Oh! blood moon

BRASILEIRAMENTE LINDA
Olha-me:
oh! yes! oh! yes!
brasileiramente linda
oh! yes! oh! yes!
brasileiramente linda.

mente brasileira
mente lindamente brasileira

Envolve-me
oh! yes! oh! yes!

brasileiramente linda
oh! yes! oh! yes!
lindamente brasileira.

Eu não vou querer o amor somente: é tão banal!
Busco a paixão fundamental,
(edípica vulgar)
de inventar meu próprio ser.

Oh! senhora dona cândida,
coberta de ouro e prata!
descubra seu corpo/rosto:
nós queremos ver-lhe a alma.

Antes que algum rouxinol
diga que é dia, é de manhã,
o sol já vem (here comes the sun!)
vem, estrela camponesa,
vênus, nuvem nua, lua nova, anjo fêmea...

e beija-me, oh! yes! oh! yes!
como se eu fosse um homem livre
oh! yes! oh! yes!
como um gesto primitivo
oh! yes! oh! yes!
do amor humano/animal, substantivo...

do amor humano/moreno, brasileiro.
(no Brasil e no estrangeiro)

O maior amor do ano no cinema americano!

PEQUENO PERFIL DE UM CIDADÃO COMUM
(Belchior e Toquinho)
Era um cidadão comum como esses que se vê na rua
Falava de negócios, ria, via show de mulher nua
Vivia o dia e não o sol, a noite e não a lua

Acordava sempre cedo (era um passarinho urbano)
Embarcava no metrô, o nosso metropolitano...
Era um homem de bons modos:
"Com licença; - Foi engano"

Era feito aquela gente honesta, boa e comovida
Que caminha para a morte pensando em vencer na vida
Era feito aquela gente honesta, boa e comovida
Que tem no fim da tarde a sensação
Da missão cumprida (Introd.)

Acreditava em Deus e em outras coisas invisíveis
Dizia sempre sim aos seus senhores infalíveis
Pois é; tendo dinheiro não há coisas impossíveis
Mas o anjo do Senhor (de quem nos fala o Livro Santo)
Desceu do céu pra uma cerveja, junto dele, no seu canto
E a morte o carregou, feito um pacote, no seu manto
Que a terra lhe seja leve

TUDO OUTRA VEZ
Há tempo muito tempo que eu estou longe de casa
E nessas ilhas cheias de distância
O meu blusão de couro se estragou
Ouvi dizer num papo da rapaziada
Que aquele amigo que embarcou comigo
Cheio de esperança e fé, já se mandou

Sentado à beira do caminho pra pedir carona
Tenho falado à mulher companheira
Quem sabe lá no trópico a vida esteja a mil
E um cara que transava à noite no "Danúbio azul"
Me disse que faz sol na América do Sul
Que nossas irmãs nos esperam no coração do Brasil

Minha rede branca, meu cachorro ligeiro
Sertão, olha o Concorde que vem vindo do estrangeiro
O fim do termo "saudade" como o charme brasileiro
De alguém sozinho a cismar

Gente de minha rua, como eu andei distante
Quando eu desapareci, ela arranjou um amante.
Minha normalista linda, ainda sou estudante
Da vida que eu quero dar

Até parece que foi ontem minha mocidade
Com diploma de sofrer de outra Universidade
Minha fala nordestina, quero esquecer o francês
E vou viver as coisas novas, que também são boas
O amor/humor das praças cheias de pessoas
Agora eu quero tudo, tudo outra vez

Minha rede branca, meu cachorro ligeiro
Sertão, olha o Concorde que vem vindo do estrangeiro
O fim do termo "saudade" como o charme brasileiro
De alguém sozinho a cismar

Gente de minha rua, como eu andei distante
Quando eu desapareci, ela arranjou um amante.
Minha normalista linda, ainda sou estudante
Da vida que eu quero dar

CONHEÇO MEU LUGAR
O que é que pode fazer o homem comum
Neste presente instante senão sangrar?
Tentar inaugurar
A vida comovida
Inteiramente livre e triunfante?

O que é que eu posso fazer
Com a minha juventude
Quando a máxima saúde hoje
É pretender usar a voz?

O que é que eu posso fazer
Um simples cantador das coisas do porão?
Deus fez os cães da rua pra morder vocês
Que sob a luz da lua
Os tratam como gente - é claro! - aos pontapés

Era uma vez um homem e o seu tempo
Botas de sangue nas roupas de lorca
Olho de frente a cara do presente e sei
Que vou ouvir a mesma história porca
Não há motivo para festa: Ora esta!
Eu não sei rir à toa!

Fique você com a mente positiva
Que eu quero é a voz ativa (ela é que é uma boa!)
Pois sou uma pessoa.
Esta é minha canoa: Eu nela embarco.
Eu sou pessoa!
A palavra "pessoa" hoje não soa bem
Pouco me importa!

Não! Você não me impediu de ser feliz!
Nunca jamais bateu a porta em meu nariz!
Ninguém é gente!
Nordeste é uma ficção! Nordeste nunca houve!

Não! Eu não sou do lugar dos esquecidos!
Não sou da nação dos condenados!
Não sou do sertão dos ofendidos!
Você sabe bem: Conheço o meu lugar!

COMENTÁRIO A RESPEITO DE JOHN
(Belchior e José Luiz Penna)
Saia do meu caminho, eu prefiro andar sozinho
Deixem que eu decida a minha vida
Não preciso que me digam de que lado nasce o sol
Por que bate lá meu coração

Sonho e escrevo em letras grandes (de novo)
Pelos muros do país
João, o tempo andou mexendo com a gente sim
John, eu não esqueço (oh no, oh no)
A felicidade é uma arma quente, quente, quente

Saia do meu caminho, eu prefiro andar sozinho
Deixem que eu decida a minha vida
Não preciso que me digam de que lado nasce o sol
Por que bate lá meu coração

Sob a luz do teu cigarro na cama
Teu rosto-rouge, teu batom me diz
João, o tempo andou mexendo com a gente sim
John, eu não esqueço (oh no, oh no)
A felicidade é uma arma quente, quente, quente

VOZ DA AMÉRICA
El condor passa sobre os Andes
e abre as asas sobre nós.
Na fúria das cidades grandes
eu quero abrir a minha voz.
Cantar, como quem usa a mão
para fazer um pão,
colher alguma espiga;
como quem diz no coração:
- Meu bem, não pense em paz,
que deixa a alma antiga.

Tentar o canto exato e novo,
que a vida que nos deram nos ensina,
pra ser cantado pelo povo,
na América Latina.

Eu quero que a minha voz
saia no rádio, e no alto falante;
que Inês possa me ouvir, posta em sossego a sós,
num quarto de pensão, beijando um estudante.
Quem vem de trabalhar bastante
escute e aprenda logo a usar toda essa dor
quem teve que partir para um país distante
não desespere da aurora, recupere o bom humor.
Ai! Solidão que dói dentro do carro...
Gente de bairro afastado,
onde anda meu amor?
Moça, murmure: Estou apaixonada,
e dance de rosto colado, sem nenhum pudor.

E à noite, quando em minha cama
for deitar minha cabeça,
eu quero ter daquela que me ama
um abraço que eu mereça;
um beijo: o bem do corpo em paz,
que faz com que tudo aconteça;
e o amor que traz a luz do dia
e deixa que o sol apareça
sobre a América,
sobre a América, sobre a América do Sul.

ESPACIAL
Olha para o céu: tira teu chapéu
Pra quem fez a estrela nova - que nasceu
Traz o teu sorriso novo espacial
Pra quem fez a estrela artificial

Eu sei que agora a vida deixa de ser vã
Pois há mais luz na avenida
E mais um astro na manhã

Quem volta do seu campo,ao sol poente, vem dizer
Que a estrela é diferente e faz o trigo aparecer
Olha para o céu: tira o teu chapéu
Pra quem fez a estrela nova - que nasceu
Não é pra São Jorge, nem pra São João
Pois não é outra lua e não é balão

Quem mora no Oriente não vai se incomodar
Ao ver que no Ocidente a estrela quer passar
Não há mais abandono nem reino de ninguém.
Se a terra já tem dono, no céu ainda não tem
Por isso vem; deixa o cansaço, apressa o passo
E vem correndo pro terraço e abre os braços
Para o espaço que houver
Quem não quiser deixar a terra em que vivemos
Pelos astros onde iremos vai ouvir
Ver e contar tantas estrelas
Quantas forem nossas naves, noutros mares mais suaves
A voar, voar, voar

MEU CORDIAL BRASILEIRO
(Belchior e Toquinho)
Meu cordial brasileiro (um sujeito)
me conta o quanto é contente e quente
...Sorri de dente de fora, no leito,
sulamericanamente.

Senhor não me perdoa
eu não estar numa boa
perder sempre a esportiva,
frente a esta gente indecente,
que come, drome e consete;
que cala, logo está viva.

Também estou vivo, eu sei,
mas porque posso sangrar;...
e mesmo vendo que é escuro,
dizer que o sol vai brilhar
com/contra quem me dá duro,
com o dedo na cara,
me mandando calar.
Menina,
ainda tenho um cigarro, mas eu posso lhe dar.
Menina,
a grama está sempre verde, mas que quero pisar.
Menina,
a Estrela do Norte nem saiu do lugar.
Menina,
asa branca, assum preto, sertão não virou mar.
Menina,
o show já começou, é bom não se atrasar.
Menina,
é proibida a entrada, mas eu quero falar
com/contra quem me dá duro,
com o dedo na cara,
me mandando calar

Que o pecado nativo
é simplesmente estar vivo,
é querer respirar.

MEDO DE AVIÃO II
(Belchior e Gilberto Gil)
Foi por medo de avião
Que eu segurei pela primeira vez a tua mão
Um gole de conhaque, aquele toque em teu cetim
(Que coisa adolescente, James Dean!)

Foi emoção comum: daquela que arrepia a pele
e leva as mãos, há pouco indiferentes
a correr pelas sedas, pelos cílios, pelos belos
pêlos virgens de lâminas e pentes
(Brilham teus grandes lábios e teus dentes!)

Foi por medo de avião
Que eu segurei pela primeira vez a tua mão
Não fico mais nervoso e você já não grita
(E a aeromoça, sexy, fica mais bonita!)

Não foi a força bruta da beleza
Nem o vigor cruel da mocidade
E sim dois animais em paz com a natureza
E sim dois corpos
Objetos Sensuais contra a lei da gravidade
(Nós nem pensamos na felicidade!)
(Nós nem pensamos na felicidade!)

Foi por medo de avião
Que eu segurei pela primeira vez na tua mão
Agora ficou fácil, todo mundo entende
Aquele toque Beatle, I wanna hold your hand!

Foi por medo de avião
(I wanna hold your hand)
Que coisa adolescente, James Dean
(I wanna hold your hand)  



“FELIZ ANIVERSÁRIO!!!” e “MUTIAS FARRAS NA VIDA!!!” para os meus bons amigos ERIC COELHO PEREIRA e MARICELI VASCONCELOS DA SILVA!!!