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YEAH, HOUSTON, WIR HABEN BÜCHER!

e ai que tenho três livros de autoria publicada que fiz praticamente tudo neles e vou fixar esse post aqui com os três pra download e todos...

quinta-feira, 22 de março de 2018

HERMENÊUTICO - poema

HERMENÊUTICO

Faz alguns anos atrás, lembro como se fosse ontem,
O Frango falando no Facebook 
“Quando música sertaneja e pagode fazem sentido na vida, é porque já se chegou verdadeiramente ao fundo do poço”
[era exatamente isso ou alguma merda muitíssimo parecida].
E agora, eu aqui em pé, no Guajará Ver-O-Peso Centenário,
Já li um ensaio inteiro do Benedito Nunes  e outros pra usar na porra do estágio
E o motora  ouvindo no talo
Sertanejo universitário de cotovelo descarado
Eu aqui imaginando
Que deves saber cantá-los de cabo a rabo.
Se os sabes, é porque fazem todo o sentido do mundo pra você
Como hardcore  e Arraial do Pavulagem  fazem pra mim.
E, por mais que eu odeie, até ‘sascanções são texto
E algum(a) desocupado(a) ad extremum  insofismavelmente já se debruçou sobre elas para dissecar analiticamente se valendo de um procedimento metodológico de viés
Hermenêutico.
Será que hoje será lida por tal processo?
Essa semana?
Essa semana, eis-me novamente tendo esperança e sonhos indevidos que não deveriam ser desenvolvidos e alimentados e nutridos.
Talvez seja a última chance de dar um passo firme e sólido e certeiro não sabemos pra onde –
pra onde?

Tudo é Texto
intertexto
intratexto
subtexto
sobretexto
Como se classificam, a nível de texto, sentimentos?
Como se classificam, a nível de texto, desejos?
Como se classificam, a nível de texto, esperanças?
E então finalmente como designar
Sentimentos e Desejos e Esperanças
Simultaneamente
reconfigurados e ressignificados
a nível de
Poesia à
Mulher-Idealizada-e-Desejada-Todo-Santo-Dia
e então investigar tal composição textual a nível
Hermenêutico?

E se esses malditos sertanejos [entre tantos outros]
Juntos comporem, de modus Poeticæ , nossa história
Até então e enfim
Estarmos juntos?

… se é que algum dia então e enfim… 
estarmos juntos

seja ou não
a nível

hermenêutico.


:: 21 de março de 2018 ::

sexta-feira, 9 de março de 2018

[pretensão do poema a ser perfeito e pleno] - poema

[pretensão do poema a ser perfeito e pleno]

Saudade da maciez de Vossos seios
de vosso insofismável Atrair
inquestionável Convidar
de navegar neles dedos como se
canoas de pescadores em fiordes.
Saudades do ensolarar de Vossos mamilos
onde olhos incautos encontram seus fins
por sóis de primeira grandeza serem
em si mesmos.
Quando meus lábios
a Vossos mamilos
obtive sucesso
onde Ícaro não teve
pois
tentou tocar [somente tocar?]
enquanto fixei moradia
(permanente?).
Saudades das copas das árvores ancestrais e atemporais
impávidas e irredutíveis
que carregais ao colo intrínseco
[no qual também habito]
onde posso descansar tranquila e ternamente
seja enquanto
chuva ou sol ou granizo ou neve
ou queda de estações espaciais na Terra,
onde o clima sempre tenro
ameno
agradável
plenamente doce e dócil
e habitável.
Saudades dos rios
que têm Vossos pés enquanto nascentes
e partes mais elevadas
Vossa Vênus e ancas e quadris
– se o conceito e definição de Pureza
Doçura
Inspiração
Poesia
Contemplação
fazem-se inseridos completos e reais e plenos
infinitos em si mesmos
no corpo e na essência toda e qualquer [quaisquer]
Mulher
além de atender a tais parâmetros e propriedades
Sois
composta de luz do coração de estrelas
e todas as pétalas ainda nas flores 
caminho ao qual se chega à
Perfeição
e é esta em si mesma.
Saudades de iluminares a mim somente
choveres a mim e me cobrires
em pétalas
submergir em Vossas Marianas virilhas
indefinidamente
contemplar Vossa constelação
de duas estrelas em linha reta.
Saudades…
de quando a Musa descia para ser fisicamente contemplada
e então eis-me
esperando estrelas e planetas realinharem
para o enfim retorno d’Ela.


:: 07 e 08 de março de 2018, Estágio Supervisionado na Docência: Epistemologia da Religião, Prof. Ph.D. Douglas Rodrigues Conceição ::

sábado, 3 de fevereiro de 2018

KAISA BEIJOS-DE-MOÇA - poema

KAISA BEIJOS-DE-MOÇA

“Não, tu não és um sonho, és a existência 
Tens carne, tens fadiga e tens pudor 
No calmo peito teu. Tu és a estrela 
Sem nome, és a morada, és a cantiga 
Do amor, és luz, és lírio, namorada! 
Tu és todo o esplendor, o último claustro 
Da elegia sem, anjo!”
– Marcus Vinicius de Moraes (1913-1980), “Cântico”.

Como vireis? Como vireis?
Descendo os raios de sol?
Desfilando pelos raios de luar?
Como estareis? Como estareis?
Se vierdes ao Sol,
Vossos cabelos brilharão como a Lua?
Se vierdes à Lua
Cintilarão tal como o Astro-Rei?
Por Vossa voz aparentas ser
A calmaria do lago à qualquer luz
Nele refletida.
Mas então
– Pessoalmente –
Sois um pequeno que torna-se um
Rio estrondoso?
Carrega-me, Musa Correnteza, carrega-me!
Leveis-me em Vosso ventre
enquanto
O mundo sucumbe ante Vossa passagem!
Ou sereis Musa-Rouxinol
Arrulhando aos sussurros aos meus ouvidos
Me pondo para dormir
Com os braços ao redor de Vossas pernas
E cabeça sobre Vosso bojo
Olhos fechados
Quase adormecido
– Esperar-me-eis dormir para
Voltar para onde sois oriunda?
Deixar-me-eis ao Sol para ser acordado aos beijos pela Lua?
Ou à Ela, para ser incendiado pelo Sol?
E, ao despertar, sereis
Lembrança concreta?
Alucinação vívida?
(vivida?)
Delírio (auto-)induzido?
E então perambularei por Mannheimr  com
Vossos cânticos aos ouvidos que infindamente ressoarão
Ao Vosso encalço: insano perscrutar e impossível localização?
Ou
Vós de sacra e em cristais nobres talhada
Voz
Em Vós mesma
Ávida
Arfante
Sôfrega
acordares-me e levares-me
a
Vossos-Lábios-Todos
para em
Vossas unhas
e
Vossas pernas
e
Vossos lábios
me possuir:
me inserindo e me
conduzindo
em Vosso
interior?
Que Vossos calcanhares beijem
de minha cintura a joelhos!
Que Vossas unhas tracem
Pontos e Retas e Curvas e Sinuosidades de meus ombros à alcatras!
Que nasçam em
Muros de Arrimo e em
Paredes de Contenção de Energia Nuclear
Rosas e Violetas e Labiadas e Mesambrintemos 
a partir de nossos beijos!
E regadas estas flores com
Nossos chegares juntos ao
Paraíso.
Consoma-me!
Atomiza-me!
Particula-me!
através de ondas eletromagnéticas de idiossincráticas freqüências e comprimento de ondas
características à
Vós
enquanto
Divindade!
E as palavras de Vossas solares mãos
a meus ombros
enquanto
a mim
Vossos melhores beijos
Beijos melhores e tão saborosos
quanto
os Beijos-de-Moça
que a Moça-que-Não-Sei-o-Nome
vende no ônibus na tarde chuvosa.
E Vossos elípticos lunares não-lunáticos olhos
– que já contemplaram o Mundo
como ele foi e está sendo e ainda será
– aos meus enquanto a mim
Vossos melhores beijos – não Beijos-de-Moça e sim
Beijos-de-Mulher-Feita-e-Atemorosa.
E por fim então seja Verdade, Sonho, Delírio ou Miragem
com braços com braços
ao redor de meu corpo e minha cabeça a Vosso colo.
Ninar-me-eis aos arrulhos de iniciado anoitecer
enquanto
não mais rios retumbantes revoltosos
e trovejares
e relampejares e raiares somente a mim
Vossos melhores
Beijos-de-Mulher-Plena-e-
à minha testa
Vossos melhores
Beijos-de-Moça.


:: 01 e 02 de fevereiro de 2018 ::

sexta-feira, 2 de fevereiro de 2018

HARDSONETOCORE PARA PROFESSORA LUIZA

HARDSONETOCORE PARA PROFESSORA LUIZA

As nuvens brincando ao redor do sol no céu
Não torna mais fácil aceitar o fato de que a Senhora foi pro Beleléu.
E então o céu escurecendo violeta escondendo todas as estrelas
Me lembram que, mesmo estando tudo péssimo, pra Senhora tudo ainda era uma beleza.

Agora sua voz vai ressoar só dento da minha cabeça...
O mundo como incógnita da equação, seus conselhos uma certeza.
Eu me perguntei uma vez o que a Senhora não sabia
Respeito à religião alheia, Paysandu, Corinthians, Matemática e Física.

Onde eu estive quando a Senhora mais precisou?
Graças à Vossa reza e cafés, minha luz continuou...
Mais um pesar pra suspirar (às lágrimas) diariamente...

Me lembro da primeira vez que Vos vi, como se fosse ontem
Me lembro da última vez que Vos vi, como se fosse ontem
Enquanto puder lembrar, de Vos amar como a minha Mãe, sempre será como se fosse ontem...

:: para Luiza Maria Ferro Santana (1949-2017) ::
:: 02 de fevereiro de 2018, a partir do primeiro quarteto, pensado em 31 de janeiro de 2017 ::

quinta-feira, 1 de fevereiro de 2018

PEQUENA ESTRELA DA TARDE - poema

PEQUENA ESTRELA DA TARDE

“Não achas que a mulher parece com a água, pescador?
Que os peitos dela parecem ondas sem espuma?
Que o ventre parece a areia mole do fundo?
Que o sexo parece a concha marinha, pescador?”
– Marcus Vinicius de Moraes (1913-1980), “Pescador”.

E então descereis a mim,
plena e radiante:
envolta em níveas vestes
não tanto quanto
Vossa tez.
Tomar-me-eis em mãos
após despir e catalogar minh’Alma
somente através dos olhos,
levar-me-eis ao colo
para que eu desça
de Vosso queixo a ombros
e finalmente aos
seios.
Estes
cujos cumes
meio-termo tez
de Carmim-Vossos-Cabelos
e
do Níveo-Vossa-Pele
– estrelas vistas ainda a céu azul do entardecer
pois
incomparavelmente vivas e radiantes
mantêm-se,
permanecem!
Nos cumes de tais cumes
fincado a uma árvore
eviscerado
saboreado pelos familiares de Huginn e Muninn 
por nove anos lunares  e nove noites sem-Lua
permanecerei:
A fins de Vos ter
enquanto
Única-Estrela-Radiante-em-Meu-Céu-Independente-de-Horário
fazendo-se notar
até mesmo
durante nublados e choveres.
E então
em suma conhecer
Vossos segredos e vontades
e desejos
e suspirares
para então:
Vós, com os olhos me incendiares
e, Em Chamas!,
descer-Vos
conhecer-Vos
saber-Vos
a partir deste poço de desejos que tens como
boca
desbravar-Vos
conhecer-Vos
saber-Vos
integralmente.
Todavia
sempre como
ponto de partida:
os dedos e as palmas das pontas destes
suavemente
a Vossos
seios
e
as bordas internas dos lábios
ternamente
a Vossos
mamilos.


:: 26 a 31 de janeiro de 2018 ::

segunda-feira, 18 de dezembro de 2017

poema sem título do domingo

[SEM TÍTULO POR ENQUANTO]

Boi Pavulagem vai trazendo o fim de tarde...
Boi Pavulagem vai levando embora a tarde embora...
Boi Pavulagem vai trazendo a noite...
Boi Pavulagem vai levando embora o sol embora...
Boi Pavulagem, leve embora...
Boi Pavulagem, leve embora...
Essa nau de lembranças e memórias.
Boi Pavulagem, sopre embora...
Boi Pavulagem, sopre embora...
Boi Pavulagem, sopre-me embora...
Boi Pavulagem, sopre-me embora...
Boi Pavulagem, sopre-A embora...
Boi Pavulagem, sopre-A embora...
Boi Pavulagem, sopre tudo embora...
Boi Pavulagem, sopre tudo embora...
Boi Pavulagem, guarde os sonhos d’Ela ...
Boi Pavulagem, guarde o sono d’Ela ...
Boi Pavulagem, que o céu em sonhos d’Ela sejam tão Vosso azul...
Boi Pavulagem, que Vossa constelação A guie na escuridão da noite...
Boi Pavulagem, atenda as preces e orações que Ela fizer antes de dormir...
Boi Pavulagem, atenda as preces e orações que Ela fizer depois de acordar...
Boi Pavulagem, atenda minhas preces e orações para que Ela se salve de Si Mesma...
Boi Pavulagem, atenda minhas preces e orações para que Ela se proteja de Si Mesma...
Boi Pavulagem, atenda minhas preces e orações para que Ela se cuide de Si Mesma...
Boi Pavulagem, (quando) atendereis minhas preces e orações para que eu me salve de mim mesmo...?
Boi Pavulagem, (quando) atendereis minhas preces e orações para que eu me proteja de mim mesmo...?
Boi Pavulagem, (quando) atendereis minhas preces e orações para que eu me cuide de mim mesmo...?
Boi Pavulagem, por que não consigo mais Vossa constelação quando a Lua se faz presente no firmamento...?
Boi Pavulagem, onde eu me perdi...?
Boi Pavulagem, onde eu perdi a fé...?
Boi Pavulagem, eu perdi a fé...?
Boi Pavulagem, eu já tive fé alguma vez...?
Boi Pavulagem, eu já tive realmente fé alguma vez...?
Boi Pavulagem, (ainda) ouvis minhas súplicas e lágrimas...?
Boi Pavulagem, já ouvistes minhas súplicas e lágrimas...?
Boi Pavulagem, acudais meus clamores e lamentos e A leve para brilhar no azul junto a Vós...!
Boi Pavulagem, acudais meus clamores e lamentos e que Ela seja uma nova constelação...!
Boi Pavulagem, se não consigo contemplar-Vos radiando no céu, como então Ela...?
Boi Pavulagem, Ela ainda relumbra aos meus olhos...?
Boi Pavulagem, Ela refulge aos meus olhos...?
Boi Pavulagem, Ela já rutilou aos meus olhos alguma vez...?
Boi Pavulagem vai trazendo o fim de tarde...
Boi Pavulagem vai levando embora a tarde embora...
Boi Pavulagem vai trazendo a noite...
Boi Pavulagem vai levando embora o sol embora...
Boi Pavulagem, leve embora...
Boi Pavulagem, leve embora...
Essa nau de lembranças e memórias.
Boi Pavulagem, sopre embora...
Boi Pavulagem, sopre embora...
Boi Pavulagem, sopre-me embora...
Boi Pavulagem, sopre-me embora...
Boi Pavulagem, sopre-A embora...
Boi Pavulagem, sopre-A embora...
Boi Pavulagem, sopre tudo embora...
Boi Pavulagem, sopre tudo embora...


:: Hospital Militar de Fortaleza, 17 de dezembro de 2017 ::

quinta-feira, 14 de dezembro de 2017

“Como, diante de uma criança que sofre, diante de uma criança que morre, diante da mãe dessa criança, como ousar celebrar a bondade ou a onipotência de um Deus e as maravilhas de sua criação? Crer em Deus, crer num Deus ao mesmo tempo bom e onipotente, é tolerar o intolerável! É o que chamo de covardia: aceitar o inaceitável. Violar, parece-me, o dever de compaixão, de solidariedade, para aqueles que estão no horror, com aqueles que enfrentam a atrocidade. [...] Ninguém, diante de uma criança que sofre e que morre, ninguém diante da mãe dessa criança, ousaria dizer ‘o mundo é maravilhoso’; ninguém ousaria dizer : ‘Este mundo foi criado por um Deus bom e onipotente’. Pois bem, o que não se pode dizer diante de uma criança que sofre, não se deve jamais dizer, JAMAIS, porque há sempre em algum lugar crianças que sofrem de forma atroz. Não vamos transigir com o horror!”
– André Comte-Sponville para Edmond Blattchen: “O título: Nome de Deus”. IN: “André Comte-Sponville: o alegre desespero”. Trad. Maria Leonor F. L. Loureiro. São Paulo: Editora UNESP. Belém: Universidade do Estado do Pará, 2002.

terça-feira, 12 de dezembro de 2017

“três poemas em um dia”

!SEM TÍTULO!

FALAR de Arte é falar de como a luz reflete em Vossa pele
De como Vossos cabelos se dispõem sobre Vossos ombros e costas
E como os arrumas com Vossos dedos e mãos.
Falar de Arte é falar como Vossos pés em sapatilhas
E como balanças as pernas enquanto sentada
E as linhas destas até Vossos quadris.
Falar de Arte é falar como Vossos olhos fixam e atentam enquanto o/a Professor/a fala
De como o ar entra por Vossas narinas enquanto sentada
De Vós em pé de lá pra cá ou de lá pra cá ou mesmo estática
[estética-estática]
E Vós despindo-Vos ou vestindo-Vos.
Falar de Arte é falar de Vós despida suada mediante movimento
Não somente A-Dupla – comungando e unificando o Universo e ao Todo –
Mas principalmente Vós-Convosco
Identificando, (Re)Conhecendo, Transitando
A Poesia, -Enquanto-Arte-Poesia e -Enquanto-Si-Mesma-Poesia,
Não se submete à nenhuma Arte
Tampouco à qualquer religião
Por ser Sua própria Religião e Divindade
E inclusive Seus princípios e meios e fins
Sendo cada verso escrito a uma Musa ímpar e pleno exercício
de Religiosidade.
-Enquanto-Arte-Poesia
e
-Enquanto-Si-Mesma-Poesia
Não se submete à nenhuma Arte
A Arte-em-Si e Arte-Independente-de-Outras-Artes
Seriam cada uma uma Religião independente e idiossincrática
E Sua Própria Religiosidade
E Ritos e Rituais
E princípios e meios e fins
Sendo que o exercer da Religião
Dá-se pelo exercer da Arte-em-Si e da Arte-Independente-de-Outras-Artes
– ou até mesmo -Multidisciplinar-A-Outras  e -Interdisciplinar-A- Outras –
Onde a Transcendência é chega
Quando a Obra enfim finda
Ou então CONTEMPLADA
pelo religioso ou pelos não-devotos-deste-Totem.
Então: onde termina de ser Arte e começa a ser Religião
Sendo simultaneamente Arte E Religião?
Onde termina a Religião e começa a ser Arte
Sendo simultaneamente Religião E Arte?
Onde e
Quando e
Como
A Mulher deixa de ser humana e passa a ser... se torna
Musa?
Poesia?
Forma Artística Perfeita e Ideal?
Musa sois a meus olhos – sejam abertos, sejam fechados
Poesia sois já pelo tanto por mim para Vós escrito
Forma Artística Perfeita e Ideal sois por Vossos tamanhos e formas e traços
Serem dentro e totalmente e além de meus padrões de
Agrado. 
Onde termina a Arte e começa a ser Religião
Sendo simultaneamente Arte E Religião?
Onde e
Quando e
Como
A Mulher deixa de ser
Mais-que-Humana
sendo
Musa
Poesia
Forma Artística Perfeita e Ideal
e passa a ser... se torna
Hierática?


:: do 1º ao 53º verso: não lembro em qual aula comecei ::
:: restantes do texto escrito em aula da disciplina História e Teologia das Religiões Afro-Brasileiras, Prof.ª Dr.ª Taíssa Tavernard de Luca ::
:: 12 de dezembro de 2017 ::




[¡sem título!]

SONHO e suspiro
Convosco despida
suada
banhando
banhada
deitada
de cabelos dispostos sobre ombros e costas.
Sonho acordado mordendo os lábios
Convosco despida
medindo com as mãos
os contornos
dos seios
do abdome
das coxas
da virilha.
Vós respirando de boca aberta enquanto o fazeis
Passando a língua nos lábios
Rangendo os dentes
Olhos semi-cerrando
abrindo
fechando
continuamente
momentaneamente.
Sonho e suspiro alto
Invejando imensuravelmente e veementemente
Ser Vossos dedos e mãos
Para então descobrir-Vos e conhecer-Vos
Novamente e continuamente;
Ser Vosso corpo, em todas texturas e contornos e segredos
Para serem
Desvendados por Vossas mãos e dedos.
Suspirar Convosco
Suspirar por Vós
Suspirar sonhando meus dedos os Vossos aos Vossos contornos
Vos despindo
despida
Vos [continuamente re]conhecer
Então poderia eu saber
Vossas linhas
Vossos números após a vírgula
Vossos vetores e ângulos de atrito
Vossas vicinais e índices de vazios
?
E como Vosso corpo como horizonte
E então amanhece e o sol se põe
E os compostos químicos e suas respectivas percentagens Vos engendram enquanto rio...?
E então suado e arfante, retorno do sonho
Por ter-Vos idealizado
Primeiro
Suada e arfante e tremendo e sem voz
Então
Rosto ao colchão, o primeiro coberto pelos cabelos
Sussurrares
quase que inaudivelmente
Ainda não estares
devidamente
plenamente
Satisfeita.


:: do 1º ao 30º verso: não lembro em qual aula os escrevi ::
:: restante do texto escrito em aula da disciplina História e Teologia das Religiões Afro-Brasileiras, Prof.ª Dr.ª Taíssa Tavernard de Luca ::
:: 12 de dezembro de 2017 ::





[¡sem título!]

É dezembro
Já deveria estar chovendo copiosamente
Diariamente.
Vossos cabelos castanhos
Já deveriam (DEVEM) estar chovendo em meu rosto
Simultaneamente minhas mãos à Vossa cintura.
Dezembro em processo
Sol escaldante em processo
Deveríamos (DEVEMOS) já juntos ser o/um Sol
E/Ou
Uma Máquina-de-Rendimento-Perfeito de
Queima constante e contínua de gordura e caloria
E produção imparável de suor.

Vamos fundar onde nossa própria Siderúrgica?

É, é dezembro!
Produziremos/Produzamos
Janeiro:
A Quatro-Mãos e
A Quatro-Pés e
A Duas-Bocas e
A Dois-Troncos? 

Verão em Mercúrio e não Belo Horizonte no Outono

Sobre e em Vosso corpo
Industrializar!
A partir de Vossas formas e medidas
A Ciência totemizar!
Tomados estes alicerces
Meu sangue e carne sacrificar!
E então

Através de Vós
Em Unificado e Unificando e Unificante a Vós
Enquanto Portal e Passagem

Ascenderei

e

Transcenderei

de somente Prosa
e
Poesia
e
Parágrafo
e
Verso

e
serei

em seus todos conceitos abertos e fechados
possíveis e impossíveis
simultaneamente e idiossincraticamente

CIÊNCIA E TECNOLOGIA


:: 1º ao 22º verso escritos em um ônibus Guajará-Ver-o-Peso ::
:: restante do texto escrito em aula da disciplina História e Teologia das Religiões Afro-Brasileiras, Prof.ª Dr.ª Taíssa Tavernard de Luca ::
:: 12 de dezembro de 2017 ::

quarta-feira, 29 de novembro de 2017

A CAPRICHOSIDADE DA FÊMEA POESIA - poema

A CAPRICHOSIDADE DA FÊMEA POESIA

seria pedir demais, pedir demais
tufos de Vossos cabelos espalhados
pelo chão de meu quarto?
seria pedir muito, pedir muito
um buraco na minha cama
com o formato de Vosso corpo
do tanto de estares lá deitada?
pedir demais ou pedir muito
passar dias contigo
até enjoar de Vossa cara
e então
quando estiveres longe
lamentar por não estar
dormindo abraçado contigo?
pedir muito ou pedir demais
teres uma escova de dentes
e uma toalha de banho
e sandálias de dedo
em meu quarto?
seria pedir em demasia, em demasia
saber como vestidos
e sutiã e calcinha
desmontam de Vosso corpo
deixando somente, somente
Vossos traços originais
e
iniciais?
tanto seria pedir, tanto seria
poder ver água descendo
correndo
de cima abaixo de Vosso corpo
e então
Vossos cabelos como ondas
do mar
que terminam à
beira?
poderiam minhas mãos
ser pés
dento destas ondas
finadas à praia?
poderíamos ser
espada e fiorde
estando eu na condição de
eternamente
protegido
intocável
esquecido
em Vós?


:: 29 de novembro de 2017 ::

quinta-feira, 23 de novembro de 2017

SONHOS COLORIDOS COM PAPEL CREPOM - poesia

SONHOS COLORIDOS COM PAPEL CREPOM

Eu te vi dormindo de olhos abertos
Com o que sonhavas tu?
Sonhavas radiantemente com uma usina nuclear
Caindo do céu.
Sonhos coloridos, sonhos coloridos de papel crepom:
Sonhos lívidos e vividos
De completa extinção
Da espécie humana.
Uma vez sonhei com um mundo totalmente
Reciclável
Porém nem tudo se recicla
Por exemplo, algumas ideias e ideologias
E muitos sonhos e conceitos e doutrinas.
Afinal, quais serão as ideologias e doutrinas
Que nos salvarão de nós mesmos
– se é que temos alguma chance de redenção ou salvação?
Se conseguimos chegar até aqui e agora
É devido a muitos -cídios, subjugação de civilizações
Imposição de religiões e completo estupro do meio ambiente
Em todas as possíveis condições.
Sonhos atualmente são coloridos a computador, caneta piloto, caneta quatro cores e lápis de cor
Mas o mundo também já foi sonhado
Com tinas tiradas de pedras, minérios, folhas, cascos e ervas
Quando o ser humano ainda tinha plena ciência
Que era somente um personagem em uma peça
E não roteirista e diretor.

Quando
Ficamos tão arrogantes?
Como
Nos tornamos tão prepotentes?
Para onde
Foram nossa Humildade e Respeito?
Por que
Nos voltamos tanto para dentro de nós mesmos
A ponto
De nos esquecermos
De nós mesmos?

Quando – Nós – Nos – Perdemos? – Esquecemos?
Como   – Nós – Nos – Perdemos? – Esquecemos?
Onde    – Nós – Nos – Perdemos? – Esquecemos?

Quando e Como e Onde
Desaprendemos a cantar a
Canção do Mundo?

Quando e Como e Onde
Desaprendemos a pintar o Mundo com suas cores?

Quando e Como e Onde
Desaprendemos a sonhar o Mundo colorido?

sabemos as respostas de todas estas questões
Temos coragem de proferí-las em voz alta?


:: 23 de novembro de 2017 ::
:: 01º ao 26º verso escritos no Guajará Ver-o-Peso ::
:: versos restantes: Teoria e Métodos em Ciências da Religião, Prof. Dr. Manoel Ribeiro de Moraes Júnior ::

quinta-feira, 16 de novembro de 2017

AS BALIZAS EPISTEMOLÓGICAS DO PROCEDIMENTO CIENTÍFICO - poema

AS BALIZAS EPISTEMOLÓGICAS DO PROCEDIMENTO CIENTÍFICO

E Vós brincando com esta caneta em mãos
Que inveja dela, quem dera fossem meus dedos.
Herr Professor  falando sobre desejar a Mulher-do-Próximo
– “Não faça com os outros o que você não quer que seja feito com você” –
Vosso marido ficaria tudo menos feliz se soubesse
Como sonho acordado Convosco sozinho e Convosco
No campo de visão.
Como NÃO sonhar Convosco Vos tendo no campo de visão?
Foge da Ética Vos querer e Vos desejar
O QUANTO Foge da Ética Vos querer e Vos desejar?
Também foge da Moral?
O que é Ética?
O que é Moral?
Como estar dentro da Ética Vos tendo no campo de visão?
Não é Vossa culpa serdes Radiantemente-Princesal que sois.
Terdes Vossos Traços
Possuíres Vossos Contornos
... e Vossa Voz...
... e Vossos Lábios...
... e Vossos Olhos...
AH!, Vossos Traços...!
AH!, Vossos Contornos...!
AH!, Vossos Olhos...!
AH!, Vossos Lábios...!
Ah!, quem dera Vossos Contornos
Olhos
e
Lábios
pudessem somente um dia para mim
  ser.
Para onde vou com meu desejo?
Para onde vou com minha vontade?
Vou ao Paraíso-somente-a-Quem-Escreve-Poema-e-Poesia
Somente com passagem de ida por ter a certeza que lerás este escrito
Enquanto discorre/trata/observa/trata/ministra.
Mas Como e Onde e Quando existirão Poema-e-Poesia
Se não existir a
Musa?
Como e Onde e Quando existirão Poema-e-Poesia
Se não existires em específico
VÓS?


:: Teorias e Métodos dos Estudos das Religiões, Prof. Dr. Donizete Rodrigues ::

:: 16 de novembro de 2017 ::

terça-feira, 14 de novembro de 2017

“The Nalu are recent converts to Islam (Silva 1956; Carreira 1961; Frazão-Moreira 2009), and a pre-Islamic cosmology exists in a syncretic form according to which supernatural beings (genies, or 'irans' as they are called in Guinea-Bissau protect people and the territory. Places where these beings live are considered sacred and, as such, they are preserved as taboo objects and ritual places. In general, natural beings, whether animals or plants, are seen as elements of the world at the same level as humans in a holistic and systemic vision of the universe. This pre-Islamic Nalu cosmology is thus another illustration of what many authors, such as Stathern (1995 [1980]) or Ingold (1996, 2000), have been arguing when they say that non-Western views cannot be adapted to a naturalist eye influenced by an anthropocentric viewpoint and the opposition between culture and nature.”
- Amelia Frazão-Moreira, “Ethnobiological research and the ethnographic challenges in the 'ecological era'”. IN: Etnográfica, outubro de 2015, 19 (3): 605-624.

quarta-feira, 7 de junho de 2017

¡poema sem título!

[!sem título!]

EM uma tarde ensolarada à beira de um rio
Passares as pontas das unhas em meus dedos
Descendo de modo indiano dos cotovelos
Vossos cabelos negros esvoaçando, quase cobrindo Vosso rosto…
Como Vossos olhos brilham à luz do sol?
Vossa pele aquecida avermelhando…
Vossa mudez diante Baia do Guajará
À vista da Escadinha
Onde, próximo domingo, Batalhão das Estrelas
lançar-se-á.
Posso não estar perto
Incomodando
Importunando
Ou mesmo desejando “bom dia” e perguntando como está e se dormiste bem
Estar perto”
… a um país de distância no mesmo país…
Mas não se engane
Não estarei por perto como na música do Capital Inicial
E sim: em cada Poema e Poesia que lermos
Em cada verso que eu escrever
Toda vez que ouvires cantares Atkinsianos , Grohlianos  e Graffinianos 
E estares despindo a Vós e então
Banhar-Vos
Pois eu serei os versos a Vossos olhos
As melodias a Vossos ouvidos
E a água – seja fria, seja quente –
Em Vosso corpo.
Um dia, esvairemos deste mundo
E seremos somente
Memória e Narrativa
E um dia
Nem isso mais.
Todavia não precisamos de nós somos sussurros no tempo.
De certa maneira, faz-me sentir mal o que sinto por Vós
Faz-me Pior estarmos longe
E não saber como estás
Nem que seja superficialmente…
Somos vítimas de nossas escolhas:
Admito ter escolhido errado por me afastar…
Como um devoto vive e sonha
Sem ter sua Musa?
Mas:
Há como voltar?
Tenho ciência que pode não ser mais como antes
(¿será?)
Mas há como voltar?
Dois pés atrás, receios, limites
– Condições de Temperatura e Pressão Pré-Determinadas.
Permita-me novamente Vosso abraço
Vossa voz e boa-vontade e bem-querer
E “hummmmm’s” em bico.
Todavia
E se não puder, deixarão:
Os céus de ser azuis?
As ondas de correr pro mar?
Literatura-em-Verso de ter sentido?
Mulheres de ter cunho e Todo-Poético
– Principalmente as de Vossos vieses e contornos?
Para Vós, muitíssimo possivelmente
Quase certamente
Não.
Para mim:
inquestionavelmente.

:: Seminários de Pesquisa, Prof. Dr. Douglas Rodrigues da Conceição ::
:: 06 de junho de 2017 ::

terça-feira, 30 de maio de 2017

[poema sem título]

[!sem título!]

AH!, quem me dera, quem me dera
Passar as pontas dos dedos em Vossa barriga
E então Vos abraçar por trás
Afundando o rosto em Vossos cabelos.
Ah, Iansã[1] e Frigga[2] me permitissem
Abrir com as pontas dos indicadores e médios
Vossos punhos cerrados
E então cruzarmos os dedos
E então que tais Mães tragam Chuva
Quando nós de testas dadas
E eu procurar Vosso nariz com o meu
E Vossa boca com a minha
E então Ela à minha.
Comunguemos através de um beijo
Também simultaneamente
Em um abraço 
(a um abraço).
Repouse as palmas das mãos e queixo em meus ombros
Enquanto minhas mãos em Vossa bunda e rosto em Vossos cabelos.
Lágrimas não desatarão Vossa maquiagem
E sim Procela
(mais cedo ou mais tarde suor produzido a dois
[¿será?]
[¡TOMARA!]).
Tomara um dia
Enfim um dia
Finalmente um dia
Nós deitados, enquanto Aiê[3] se desfaz em chuva,
Eu colocando Vossos cabelos atrás de Vossas orelhas
Ver Vossos olhos, à altura dos meus, brilhando a fogo baixo,
Nossos pés se aquecendo juntos
Enquanto adormecemos abraçados
durante esse quase-escurecer.

[1] Nas religiões de matriz africana, deusa dos ventos e tempestades; filha de Iemanjá e irmã de Xangô – deus da justiça –, Ogum – deus dos metais e da guerra –, Ossaim – deus das ervas e da cura –, Omulu – deus das enfermidades – e dos Ibejis – os deuses da infância. 
[2] Segundo vários mitólogos, este nome é um dos vários utilizados para, na mitologia nórdica, designar a deusa Frigg, esposa de Óðinn.
[3] Nas religiões de matriz africana, o mundo material, onde os humanos residem, já que Orum é a morada dos deuses. O mito de sua criação tem várias versões, mas conheço somente as presentes n’As Melhores Histórias da Mitologia Africana, de A.S. Franchini e Carmem Segranfredo (Artes e Ofícios, 2009, 246 páginas) e As Senhoras Pássaros da Noite, de Carlos Eugênio Marcondes de Moura (Edusp/ Axis Mundi, 1994). 



:: Seminários de Pesquisa, Prof. Dr. Douglas Rodrigues da Conceição ::
:: 30 de maio de 2017 ::