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e ai que tenho três livros de autoria publicada que fiz praticamente tudo neles e vou fixar esse post aqui com os três pra download e todos...

quinta-feira, 12 de fevereiro de 2015

Sobre os bombardeios anglo-estadunidenses às cidades alemãs durante a II Guerra Mundial - parte 2

“O zoológico – ele deveria ter constituído uma das partes principais na apresentação dos muitos momentos, horas e anos de horror. Nunca, porém, diz [Hans Dieter] Schafer, consegui ao escrever evocar ‘os acontecimentos terríveis em toda a sua violência’. ‘Quanto mais decidida a minha busca [...], mais eu tenho que entender a dificuldade com que a memória avança’: No que diz respeito ao zoológico, um volume de materiais organizado por Schafer sobre Berlin im Zweiten Weltkrieg [Berlim na Segunda Guerra Mundial] dá uma ideia do que lhe pode ter passado pela cabeça. O capítulo ‘Bombardeios de saturação entre os dias 22 e 26 de novembro de 1943’ contém passagens de dois livros (Katharina Heinroth, Mit Faltem begann’s - Mein Leben mit Tieren in Breslau, München und Berlin [Começou com as borboletas - minha vida com animais em Breslau, Munique e Berlim], Munique, 1979, e Lutz Heck,Tiere - Mein Abenteuer. Erlebnisse in Wildnis und Zoo [Animais - Minha aventura: experiências na selva e no zoológico], Viena, 1952), nos quais se obtém uma imagem da devastação do jardim zoológico por esses ataques. Bombas incendiárias e botijões de fósforo puseram fogo em quinze construções do zoológico. A casa dos antílopes e das feras, o prédio da administração e o casarão do diretor foram completamente incendiados, a casa dos macacos, o prédio de quarentena, o restaurante principal e o templo hindu dos elefantes, seriamente danificados ou destruídos. Um terço dos 2 mil animais que ainda restavam depois da evacuação morreu. Veados e macacos se soltaram, pássaros escaparam pelos tetos de vidro quebrados, ‘surgiram boatos’, escreve Heinroth, ‘de que leões dispararam em fuga até as proximidades da Igreja Memorial do Imperador Guilherme; enquanto, na verdade, eles jaziam, asfixiados e carbonizados, dentro de suas jaulas’. Nos dias seguintes, uma mina aérea arrasa o precioso edifício de três andares do aquário e o pavilhão de trinta metros de comprimento dos crocodilos, juntamente com a paisagem artificial de mata virgem. Agora encontravam-se lá, escreve Heck, entre blocos de cimento, terra, cacos de vidro, palmeiras e troncos de árvore derrubados, lagartos gigantes se contorcendo de dor na água rasa ou caindo pela escada de visitantes; enquanto, no fundo, pela abertura de uma porta escancarada pela explosão, penetrava o clarão vermelho do fogo de Berlim que sucumbia. Também foram horrendos os trabalhos de desobstrução. Os elefantes que morreram em seus estábulos tiveram que ser despedaçados ali mesmo nos dias seguintes, sendo que, como conta Heck, homens se arrastavam dentro das caixas torácicas dos paquidermes e revolviam montanhas de tripas. Essas imagens de horror nos deixam especialmente estarrecidos porque rompem os relatos do sofrimento vivido pelos seres humanos, em certa medida pré-censurados e estereotipados. E pode ser que o terror que nos assoma ao lermos passagens como essas também decorra da lembrança de que o zoológico, que surgiu em toda a Europa graças à necessidade de demonstração do poder principesco e imperial, ao mesmo tempo pretendia ser a reprodução do jardim do paraíso. Constata-se sobretudo que as descrições da destruição do zoológico de Berlim, que de fato sobrecarregam o sensório do leitor médio, só não provocaram nenhum escândalo porque provêm da pena de especialistas, que, como se pode verificar, nem mesmo nas circunstâncias mais extremas perdem a razão, sequer o apetite, pois, relata Heck, ‘os rabos de crocodilo, cozidos em grandes recipientes, tinham o gosto de carne de galinha gordurosa’, e mais tarde, prossegue ele, ‘o presunto e a linguiça de urso foram para nós uma iguaria’”.“O zoológico – ele deveria ter constituído uma das partes principais na apresentação dos muitos momentos, horas e anos de horror. Nunca, porém, diz [Hans Dieter] Schafer, consegui ao escrever evocar ‘os acontecimentos terríveis em toda a sua violência’. ‘Quanto mais decidida a minha busca [...], mais eu tenho que entender a dificuldade com que a memória avança’: No que diz respeito ao zoológico, um volume de materiais organizado por Schafer sobre Berlin im Zweiten Weltkrieg [Berlim na Segunda Guerra Mundial] dá uma ideia do que lhe pode ter passado pela cabeça. O capítulo ‘Bombardeios de saturação entre os dias 22 e 26 de novembro de 1943’ contém passagens de dois livros (Katharina Heinroth, Mit Faltem begann’s - Mein Leben mit Tieren in Breslau, München und Berlin [Começou com as borboletas - minha vida com animais em Breslau, Munique e Berlim], Munique, 1979, e Lutz Heck,Tiere - Mein Abenteuer. Erlebnisse in Wildnis und Zoo [Animais - Minha aventura: experiências na selva e no zoológico], Viena, 1952), nos quais se obtém uma imagem da devastação do jardim zoológico por esses ataques. Bombas incendiárias e botijões de fósforo puseram fogo em quinze construções do zoológico. A casa dos antílopes e das feras, o prédio da administração e o casarão do diretor foram completamente incendiados, a casa dos macacos, o prédio de quarentena, o restaurante principal e o templo hindu dos elefantes, seriamente danificados ou destruídos. Um terço dos 2 mil animais que ainda restavam depois da evacuação morreu. Veados e macacos se soltaram, pássaros escaparam pelos tetos de vidro quebrados, ‘surgiram boatos’, escreve Heinroth, ‘de que leões dispararam em fuga até as proximidades da Igreja Memorial do Imperador Guilherme; enquanto, na verdade, eles jaziam, asfixiados e carbonizados, dentro de suas jaulas’. Nos dias seguintes, uma mina aérea arrasa o precioso edifício de três andares do aquário e o pavilhão de trinta metros de comprimento dos crocodilos, juntamente com a paisagem artificial de mata virgem. Agora encontravam-se lá, escreve Heck, entre blocos de cimento, terra, cacos de vidro, palmeiras e troncos de árvore derrubados, lagartos gigantes se contorcendo de dor na água rasa ou caindo pela escada de visitantes; enquanto, no fundo, pela abertura de uma porta escancarada pela explosão, penetrava o clarão vermelho do fogo de Berlim que sucumbia. Também foram horrendos os trabalhos de desobstrução. Os elefantes que morreram em seus estábulos tiveram que ser despedaçados ali mesmo nos dias seguintes, sendo que, como conta Heck, homens se arrastavam dentro das caixas torácicas dos paquidermes e revolviam montanhas de tripas. Essas imagens de horror nos deixam especialmente estarrecidos porque rompem os relatos do sofrimento vivido pelos seres humanos, em certa medida pré-censurados e estereotipados. E pode ser que o terror que nos assoma ao lermos passagens como essas também decorra da lembrança de que o zoológico, que surgiu em toda a Europa graças à necessidade de demonstração do poder principesco e imperial, ao mesmo tempo pretendia ser a reprodução do jardim do paraíso. Constata-se sobretudo que as descrições da destruição do zoológico de Berlim, que de fato sobrecarregam o sensório do leitor médio, só não provocaram nenhum escândalo porque provêm da pena de especialistas, que, como se pode verificar, nem mesmo nas circunstâncias mais extremas perdem a razão, sequer o apetite, pois, relata Heck, ‘os rabos de crocodilo, cozidos em grandes recipientes, tinham o gosto de carne de galinha gordurosa’, e mais tarde, prossegue ele, ‘o presunto e a linguiça de urso foram para nós uma iguaria’”.
– Winfried Georg Maximilian Sebald (1944-2001), Literatura e Guerra Aérea, tradução de Carlos Abbenseth e Frederico Figueiredo.

terça-feira, 10 de fevereiro de 2015

Sobre os bombardeios anglo-estadunidenses às cidades alemãs durante a II Guerra Mundial - parte 1

“‘É praticamente impossível atirá-las nas montanhas ou em campos abertos depois de terem sido fabricadas no país de origem com emprego de tamanha mão de obra.’ A consequência das imposições que prevalecem no processo de produção, das quais nem os responsáveis, sejam eles indivíduos ou grupos, podem se furtar, nem mesmo com a maior boa vontade, é a cidade arruinada que aparece diante de nós numa fotografia anexada ao texto de [Alexander] Kluge. A foto é acompanhada de uma legenda com a seguinte citação de Marx: ‘Vê-se como a indústria, em sua história e em sua existência, que se tornou objetiva, é o livro aberto das forças da consciência humana, a psicologia humana existindo em sua forma [...]’ (grifos de Kluge). A história da indústria como o livro aberto do pensamento e sentimento humanos – é possível que a teoria materialista do conhecimento, ou outra teoria do conhecimento qualquer, subsista diante de tal destruição? Ou não temos aí, pelo contrário, o exemplo irrefutável de que as catástrofes que, de certo modo, preparamos sem notar, e depois parecem irromper de repente, antecipam numa espécie de experimento o ponto em que, de nossa história que por tanto tempo consideramos autônoma, recaímos na história natural?”
– Winfried Georg Maximilian Sebald (1944-2001), Literatura e Guerra Aérea, tradução de Carlos Abbenseth e Frederico Figueiredo.

quinta-feira, 5 de fevereiro de 2015

[zweite] DICHTUNG AND DIE MARIE...

[¡sem título!]

EU já te vi sorrir tanto
(e gozar também)
Que devo admitir que simplesmente
Não consigo te imaginar chorando.
Não somente gosto de te ver dormindo
Como inclusive
Gosto de dormir abraçado convosco –
Morrer e Ressuscitar...
Pois é, a maioria de minhas amigas e até algumas ex
(sem nomes aqui, sem nomes aqui)
Já foi dito a elas... bem, eu disse a elas sobre nós
Bem, as reações foram das melhores
(e fico muito feliz por isso)
Mas... e se fossem das piores
Bem... quem se importa?
Me importa muito saber se estás bem comigo
Se estiver, o que interessa o resto?
Eu já disse em outros poemas
E seria aqui bem-cabível repetir
Que o que me interessa mesmo
São seus beijos nos meus
E suas mãos nas minhas
Durante
Nossas testas juntas
E olhos fechados
E agora os palestrantes estão falando
Daqui é possível ouvir a chuva
Lembrando d’ocê dormindo enquanto chove
Enquanto o banho
Águia e sabão e água pelo seu corpo
Saudade de seu corpo anexo ao meu
Saudade que às vezes não me deixa sair da cama
Einsamkeitsdichtungsmotiv*
Sehnsuchtsdichtungsmotiv** 
E tu és meu motivo de poesia atualmente
(prosa futuramente)
„Sanmariesdichtungsmotiv“*** 
„Sanmariesnarrativesmotiv“**** 
E hoje então nós para nós não somente em poesia
E me acredite, meu amor:
Eu dificilmente poderia estar mais feliz.

:: 30 de janeiro de 2015 ::

* Do alemão, “solidão como motivo de poesia”
** Do alemão, “saudade como motivo de poesia”
*** Do alemão, “Sanmarie como motivo de poesia”
**** Do alemão, “Sanmarie como motivo de narrativa”

segunda-feira, 2 de fevereiro de 2015

(erste) DICHTUNG AN DIE MARIE...................

[¡sem título!]

O Goðr* mais velho da aldeia me chamou pra dizer que Mãe Audhumla** lhe chamou
Em um sonho:
Disse pra me dizer pra eu ser paciente
Que Gunnhildr-do-Marajó*** seria minha em braços de novo
E seus cabelos de mar ondulado seriam de novo meu repouso
Suas mãos de princesa às minhas novamente,
E Sua constelação iluminaria nosso próximo beijo-de-reencontro.
Pelo Pai de Todos!
A melhor lembrança são as faixas presas aos cabelos dela com as cores de Bifrost****
Girando de saia vermelha junto com as outras princesas, primogênitas, secundogênitas e caçulas dos Jarls*****
Batendo palmas marcando ritmo ao redor da Vaquinha-nossa-Mãe. Marinheira-do-Arrozal, Marinheira-do-Arrozal:
Onde estás Vós que não cantando aos meus ouvidos?
Marinheira-do-Arrozal, Marinheira-do-Arrozal:
E Vossa pele com aroma de flores recém-desabrochadas?
Onde está? Onde está?
Minha Princesa-de-Pele-de-Pedras-de-Runas
Capaz de produzir calor de Mußpellheimr****** mesmo que o frio seja de Jotunnheimr*******?
Onde está? Onde está?
A Donzela de Olhos-de-Cor-de-Árvores-Ancestrais que me escolheu como Seu
E que sopra a melancolia e a tristeza embora como Mestre Thor******** sopra os Modi********* de volta a seus lares?
Ser paciente... ser paciente... paciência e frustração
Mãe e Mestra Audhumla, por favor, respondei a Vosso filho:
Ainda falta muito para domingo chegar
Para eu ter outra vez minha Princesa-do-Pavulagem só e somente para mim
Para vê-la à nave do knorr********** com o vento esvoaçando em seus cabelos
E sorrindo para mim?

:: 30 de janeiro de 2015 ::

* Termo para denominar o chefe de um clã da era pré-medieval escandinava.
** Na mitologia escandinava, a vaca que lambeu o gelo que deu origem aos nove mundos.
*** Gunnhildr – a pronúncia correta é Gunnrildár; o “r” tem o som de “r” inicial das palavras “remorso”, “recado”, “recarga”, etc. Do nórdico antigo, significa “princesa da guerra” e/ou “mãe de reis”.
**** Na mitologia escandinava, a ponte do arco-íris que liga Asgard aos outros nove mundos, que são Múspellsheimr, Niflheimr, Álfheimr, Vanaheimr, Svartálfheimr, Jötunheimr, Ásgarðr (também chamada de Ásaheimr), Miðgarðr (também chamada de Manheimr) e Hel.
***** Chefe de um clã da era pré-medieval escandinava.
****** Como dito, um dos nove mundos da mitologia escandinava, mais precisamente a terra dos gigantes de fogo.
******* Como dito, um dos nove mundos da mitologia escandinava, mais precisamente a terra dos gigantes de gelo.
******** O deus do trovão da mitologia escandinava, filho de Odin e Frigga.
********** Termo para denominar o guerreiro de um clã da era pré-medieval escandinava.
*********** Tipo de drakkar, navio curto e largo utilizado pelos vikings que tinha por principal característica uma cabeça de dragão na proa, a conjunção de velas e remos, navegação tanto em águas profundas quanto rasas e usado para o transporte de soldados, mercadorias e nas.

sábado, 17 de janeiro de 2015

CANÇÃO PARA LAURA - conto completo

CANÇÃO PARA LAURA

“Lamento, não o sofrimento
Me lembro do teu falar
Que tem a força da água
Batendo na beira-mar
No coração de quem ama
Sempre tem uma esperança
Que faz os olhos falar”
– Arraial do Pavulagem, “Recado”, Gente da Nossa Terra, 1995.


UM COPO DE PLÁSTICO CHEIO DE CAFÉ AINDA QUENTE E UM CIGARRO ACESO NA MÃO ESQUERDA SOBRE O JOELHO DIREITO ENQUANTO A DIREITA APOIAVA O QUEIXO. Lembrou-se quando era ela treinando e seu pai a observando, mas não àquela distância e degraus acima n’arquibancada. Tinha o cuidado para que as cinzas caíssem no chão e não sob o casaco, a calça e as botas, compradas antes da viagem. Com o polegar da mão do café, ajeitou os cabelos atrás das orelhas antes de mais um gole. Procurava não pensar em nada além dos uchikomi que assistia impassivamente. Fora do ginásio chovia, começando a noite.
– Eles também querem ser astronautas como a senhora – o homem que sentou ao seu lado disse, sem virar-se para ela, que deu mais um trago, soltando a fumaça pelo nariz também sem virar-se para ele. As duas mãos segurando o copo de café, cotovelos nos joelhos. – Eles começaram assim que já podiam andar e aqui estamos – ele continuou, fingindo não vê-la sorrir discretamente. – Vovô disse que eles são mais aplicados como ele, a senhora e eu não fomos. – Ela franziu as sobrancelhas, tomando mais um gole. Virou-se para ele, com o indicador em riste. Trouxe o dedo de volta ao lembrar-se que tinha a idade da neta quando o pai a trouxe para este mesmo ginásio, a este mesmíssimo dojô, para que gastasse melhor sua energia de infante. Até o liceu, pouquíssimas coisas tiravam seus pés do dojô. Mais um trago. – A senhora ainda pretende voltar?
A vida até aquela noite passou rente a seus olhos negros com a mesmíssima intensidade que a expirada de nicotina saiu de suas narinas. Infância. Adolescência. Gravidez. Academia. Mestrado. A convocação para o Saussure por estar pesquisando algo que era estreitamente do interesse deles, sendo recrutada pessoalmente pelo Nobel de Matemática, Fenrisúlfr Hübschmann, lingüísta como ela – ou seja, a proposta irrecusável. E lá foi ela, não contando que seria diretamente responsável pela decodificação do algoritmo que permitia a tradução e compreensão plena da mensagem enviada por eles; e menos ainda em fazer parte de uma missão tripulada, um ano e meio depois, ao planeta deles. Possivelmente sem retorno. Estranhava lembrar da última vez que vira os pais e o filho, mas não d’última vez que adentrara aquele dojô e cumprimentava seu sensei (cuja neta agora era a sensei em exercício, ela lembra que a dita ainda era um bebê quando partiu em missão). Sim, era um’angústia silenciosa e imcompartilhável. Também tentar lembrar d’última vez que fechara o nó do obi já totalmente escurecido. Seria no mesmo dia? Mais um trago e o cigarro quase no fim, tinha outros e o isqueiro em algum bolso do casaco. Olhou para o homem e viu bem fundo dentro de seus olhos, lembrando de quando o tivera em braços da primeira vez, ainda chorando para todo o quarto escutar. “O que foi?”, ele perguntou.
“Nascido em um dojô”, ela lembrou-se de cada palavra, “enrolado em um judô-gi”. Virou-se à frente e mais um gole no café. Lembrou-se de quase desistir de entrar naquela nave, lembrou de que não querer sair da cama àquela manhã. Não foi à única. “Estar sentada em uma poltrona de um veículo interestelar e ver o céu azul enegrecer te dá uma perspectiva muito diferente da vida que levou até então”, escrevera. Apagou o cigarro com a bota enquanto tirava o maço do bolso. Entregou o copo de café ao homem enquanto tirava um cigarro com a boca e procurava o isqueiro em um dos bolsos, sem tirar os olhos dos netos. Acendeu e balançou a cabeça afirmativamente, pegando o copo de café.
– Dobra mais essa perna pra encaixar esse ashi-guruma! – levantou-se gritando, derrubando o café, o que a fez praguejar contra si. Pegou outro copo e o abriu, tomando um bom gole. – O café da sua esposa é ótimo – ela virou-se a ele. – Denize, certo? – ele confirmou. – Catarina, levanta a cabeça! – ela gritou a plenos pulmões novamente – Ajeita esse Kumi-Kata – a neta desejou por um momento ela não estar lá. – Porra é essa, Constantino? ‘Cê nunca vai acertar esse de-ashi-harai virando assim! – o homem estava admirado dela memorizar facilmente os nomes dos netos mas não de sua esposa. No momento seguinte, a criança executou perfeitamente a projeção. – É disso que eu ‘tô falando, porra! Catarina, entra primeiro o ouchi-gari e depois o uki-goshi! – os outros pais e mães no ginásio já estavam realmente incomodados com a gritaria que chegava a ressoar no local. A menina forçou um uki-goshi, quase sendo derrubada, mas o sassae-tsuri-komi-ashi que usara como contra-projeção funcionara – ID RECTE ,CATARINA! – a lingüista vibrou em latim. A neta não entendeu, mas sentiu que era um elogio pela entonação da avó, abrindo um grande sorriso. Mais um gole seguido de mais um trago. – Você tem filhos ótimos – ela estava empolgada, seus olhos brilhavam como sóis.
– Mãe? – ele perguntou.
– Felipe? – ela respondeu. Ele ficou em silêncio, pensando que talvez não fosse o melhor momento de perguntar o que o afligia desde quando ela havia voltado. Ainda era uma criança quando ela havia saído do planeta. Estava mais velho do que ela, que – tal como o resto da equipe – estava só três anos e alguns meses mais velha do que quando foram. Ele ainda estava procurando coragem para dizer a ela que os filhos eram do segundo casamento e que a ex-esposa e a atual não se davam nada bem. Esta última ainda não engolira completamente que a sogra havia voltado de... A anterior nem sonhava com isso, e Felipe não estava nem um pouco disposta a informá-la disso – Filho? – ela perguntou, tomando um gole.
– Eu ia perguntar...
– Ia perguntar qual minha opinião de você ter separado, casado de novo e a Catarina e o Constantino serem seus filhos com a Denize e não com a Lenina? – ela o cortou após um trago, ele arregalou os olhos e franziu a testa o máximo que era possível. – É a sua vida, filho. Nem sempre tudo sai como queremos. Olha o que aconteceu comigo – ela sorriu, levantando o copo como se em saudação. – Não te vi crescer (e me odeio por isso), mas você me deu netos lindos – olhou para as crianças no dojô – e eu prometo não repetir essa mancada – tomou um gole e ofereceu o copo a ele, que não entendeu. – Bebe – ela disse –, é a parte que você aceita minha promessa.
– Como a senhora sabe de tudo isso? – ele perguntou já com o copo na mão e tomando o gole. Ela sorriu. “Ora”, ela deu uma tragada antes de fazer uma face deneuveana para dizer que, como integrante do Projeto Saussure, tinha acesso a “documentos muito legais, como...” – Meu arquivo pessoal feito a partir de dados que o governo federal tem? – a pergunta a fez abrir um grande sorriso enquanto pegava seu grande copo e fazer uma cara de “é, é isso ai” e tomar um bom gole enquanto Felipe estava bastante admirado. “Ei”, ela disse com os olhos nos netos, “mães precisam saber”, ela sorriu para ele. “O sorriso dela não mudou nada”, ele pensou, lembrando de quando era uma criança e ela sorria mais radiante que o sol quando o via. “Mas não era isso que você ia perguntar”, ela disse.
Mais um trago. Mais um gole e os olhos nele. Sobrancelhas em riste. Olhos nos filhos, olhos nos netos.
– O que a senhora viu lá? – ele perguntou. – Na viagem? – as perguntas foram sem rodeios. Ela fechou a cara. Bateu com as pontas do anular e do mindinho esquerdos na testa, olhos baixos, um trago, um longo trago. Levantou a cabeça para expirar pelo nariz e ver os netos. 
– Eu responderia se não tivesse um satélite me monitorando e gravando tudo o que digo, faço e escrevo – mais um trago, baixou os olhos. – Os militares não são os caras mais legais do mundo pra compartilhar segredos, sabe? – sorriso sem dentes. A velha cara de “você sabe como é”. – Você não ia acreditar se eu te disser onde eles colocam escutas. Você precisa ouvir quando dá interferência e dá pra ouvir a conversa do pessoal que grava o que eu falo – o filho parecia não acreditar no que estava ouvindo, achou que ela estava enlouquecendo completamente. Ela segurou o riso. – Lívia? Mariantônia (eu adoro esse nome!)? Elizabeth? Fernanda? Vocês estão aí, meninas? Eu sei que sim. O bebê da Fernanda já nasceu? Tomara que sim. – “A viagem a deixou pirada de vez”, Felipe pensou. Ela deu mais um trago no café.
Sim, ela havia realmente enlouquecido. Não pelo que viu quando chegou ao planeta deles; pela forma que a sociedade havia se desenvolvido; como foram obrigados a criar tecnologia para recriar seus recursos naturais; pela ciência e tecnologia ultra-avançada que não era nociva ao meio ambiente; por descobrir o quanto a ciência e a tecnologia terráqueas ditas “avançadas” eram não somente primitivas e o quão estavam sendo executadas de maneira errônea; como conseguiram ser triunfantes frente a três povos invasores que desejavam conquistar o planeta pela posição estratégica e como utilizaram os avanços científico-tecnológicos destes para iniciar uma nova era de renascimento de seu planeta, que fora exaurido tanto pela superpopulação quanto pelas guerras internas e contra os forasteiros. Não, não por isso.
Com exceção de Hübschmann, Clarissa Peyremaure Tadeu Henrique Banhos Monegaglia (que se correspondiam com os pais e os conjugues), ninguém da missão tripulada até lá tinha contato com seus parentes no planeta Terra. O que definitivamente não quis dizer que eles não tinham notícia do que aqui ocorria durante a incursão.
Seu pai havia falecido e o filho deixado justamente a tios e primos que ela não era afeita. O aborto de uma amiga. O parto de outra que a acabou matando a posteriori por erro médico. O aborto natural da primeira esposa do filho que ele e a dita nunca saberiam pois o médico também trabalhava para o Projeto Saussure – e não seria ela que poderia sequer pensar em contar-lhes.
Durante a missão, a equipe teve a “sorte” de ver como alguns dos invasores capturados ainda vivos (por animação suspensa) eram torturados ainda na época da guerra – uma prática considerada de “boas-vindas” por seus anfitriões. Nenhum dos filmes de terror vistos por eles nem a pior das torturas a prisioneiros vistas por Monegaglia a vivo ou em vídeo chegava nem perto do que viram naquela tarde. Resultado: uma semana sem dormir e praticamente uma sem dormir, à base do equivalente deles a café e deixando o estoque de cigarros praticamente no fim. Souberam qual a verdadeira origem do universo e qual o verdadeiro papel dos humanos nele. Da invasão do planeta e da transformação deste em um posto avançado para que fosse feito tanto um porto interestelar neste quanto base de operações para uma guerra da qual a humanidade não se safaria. E, enfim, da confirmação sobre o que um certo escritor havia relatado sobre certos deuses espaciais ancestrais que quase os fez ser executados na principal praça do planeta-sede com transmissão ao vivo para todos os planetas-colônia pelo simples dizer em voz alta dos “nomes profanos e proibidos que jamais devem ser repetidos porque Eles sempre ouvem e as profecias não dizem quando voltarão”.
E ela foi a que voltou menos traumatizada. Teodoro, Lynn e Ronalda se suicidaram menos de um ano e meio do retorno. Hübschmann pediu desligamento total do projeto quando soube da morte da esposa e das irmãs. Peyremaure reabriu a churrascaria do pai, onde praticamente todo o pessoal do Saussure e do Kant que estava em Fortaleza voltou a se reunir desde quando o Velho Ferndinand ainda era vivo, além de umas e outras peças da ABIN e do serviço secreto das Forças Armadas que, segundo lendas, iam realizar suas “transações por fora” devido o lugar não ter escutas. Monegaglia sumiu no mundo e teve seu dossiê arquivado com secreto como muitos “ultra-” como prefixo. A última vez que Bacellar foi visto, estava mendigando em um vilarejo próximo à Moróvia, capital da Libéria. Matsushita se tornou uma das professoras mais promitentes da UFES, mas só consegue dar aula travada de drogas cujos nomes são verdadeiros travas-línguas, todavia não é afastada por suas conexões com o Saussure. Veneziani assumiu a fazenda dos pais no Mato Grosso do Sul e conversa sobre qualquer coisa que não seja aquela viagem. Frieiri – ao total contrário de Revoredo, Monegaglia e Matsushita – enlouqueceu assumidamente e fica pela estação secreta de onde o foguete que os levou até eles decolou, pregando o que viu para o vento e os pássaros, uma vez que os militares concluíram que seria imprudente o deixar perambulando mundo afora, considerando o tanto de malucos que poderiam seguí-lo tomando suas palavras como verdade (mal saberiam...). Somente Dantas e Gurjão continuam no projeto, o primeiro como engenheiro e o segundo como consultor científico de como os terráqueos podem assimilar a ciência e tecnologia dos conquistadores .
À ela, todos os remédios para dormir possíveis com o que tiver no estoque: uísque, vodka, cachaça, rum, conhaque... Isso quando consegue dormir (às vezes, alguns dos utilizados por Matsushita são de muito bom tom). Os... gritos... que ouviu... Ressoavam em volume máximo dentro de sua cabeça. O que descobriu sobre o universo e a humanidade... Fechou os olhos e balançou forte a cabeça para os lados querendo espantar tudo aquilo, tomando uma boa dose de café para que tudo fosse junto. A chuva estava enfraquecendo. Levantou a manga do casaco para ver o relógio de pulso, ainda faltava mais uma hora para o fim do treino. Lembrou de quando voltou, dos ataques de desespero, dos gritos e das lágrimas, do tratamento intensivo para recuperação e de passar quase um ano para ver o filho novamente até se recuperar. Foi numa das primeiras semanas de volta que Teodoro tirou a arma de um guarda e meteu um tiro na cabeça – nem quis saber que desculpa deram para a família da amiga. Na primeira semana fora, Lynn deu de contra com um trem a mais de 250 por hora – com a família dentro do carro.
Chegou a pensar em todas as maneiras que podia se matar quando saísse da reabilitação, de forma que não encontrassem o corpo (porém sempre tinha calafrios ao lembrar-se de Ronalda e como ele simplesmente desapareceu e foi dado como morto, já que nem os militares nem o serviço secreto de quatro países encontraram o cadáver (Hübschmann e Gurjão ironizaram dizendo que ele havia encontrado uma forma de voltar até eles, por isso não foi encontrado)). Não queria o filho e os netos visitando sua lápide em algum cemitério por ai (e ai lembrava de novo do companheiro de viagem). Mas então viu os netos pela primeira vez que não por fotos...
E o filho.
Os cabelos dele estavam quase brancos, rugas pelo rosto, mãos e olhos cansados. Ela não se despediu porque poderia desistir ouvindo os apelos dele. Queria chorar mas todas as lágrimas haviam ido embora durante os crises pós-viagem. “Felipe”, ela disse, abrindo os braços, indo na direção dele. “Mãe”, a recebeu. Mais alto que ela, era como se estivesse abraçando seu pai quando era uma criança. O abraço mais demorado de sua vida. O abraçou por todos os anos que não estiveram juntos, como pedido de desculpas por não tê-lo visto crescer, sofrer, amadurecer e viver. E também por Fátima, por Patrik, por Durval, por Lana, por Regina, por Alexandra, pela turma da universidade, pelos primos e primas, amigos e amigas e, por fim, pelo pessoal do judô, pelo pai e pela mãe. E por Tatiane e Elizandra, por não estar com elas quando mais precisaram... E então sobre os joelhos, o rosto já rubro e os olhos castanhos inchados. Sem conseguir dizer palavra.
– Eu ‘tô aqui, mãe... – seu rosto como o dela. A segurou o mais forte que pôde para que não caísse, para que não esvaísse de seus braços e então nunca mais... – Eu ‘tô aqui...
Abraçar os netos foi como abraçar o filho quando ele voltava da escola ou quando ela de uma viagem, só que duas vezes de uma vez – e quase quebrá-lo ao meio. “Mãe!”, ela sorria ao escutar e o abraçava mais forte. Passaram uma semana falando sobre tudo menos o acontecido na viagem. Até aquela noite, quando ele enfim decidiu tocar no assunto, cerca de um mês depois. Quantas vezes ela dormiu no sofá ou na cadeira da varanda e ele a colocava na cama que a esperava de volta há tanto tempo? Quantas vezes ela não o colocou na cama depois de um dia correndo e pulando? (Ela não esqueceu de Denize, só ficou com a língua queimando para dizer a ela tudo o que vira e lera em seu dossiê e do que ela e sua família haviam aprontado. Todavia não quis estragar o casamento do filho dizendo o que sabia.)
Fim de treino. Hora de voltar. Ela apagou o último cigarro com a ponta da bota antes de bater no ombro dele com o dorso da mão. “Vamos”, disse, “eu dirijo hoje”, desceu a escada com o copo de café na mão. Ele levantou sorrindo “porra, mãe...” para descer. Não tinha a energia e a flexibilidade dela, e acreditava firmemente que ela voltaria ao judô antes do fim do semestre tamanha sua empolgação em sempre acompanhar os treinos dos netos. Ela os abraçou, pegando-os pelas mãos, até que a puxaram para o dojô. “Nãããão, eu não quero tirar as botas”, se lamuriava sorrindo, “já tive um trabalhão pra colocar”. Era cena. Cumprimentou o dojô, foi a até a sensei para fazer o mesmo (“os bons velhos hábitos”, pensou o filho, com as botas em uma mão, seguras pelos dedos) antes de “mostrar algumas coisas de judô” aos netos até a hora de irem realmente embora. E foi mesmo dirigindo até em casa. Ela se divertia com o quanto ele se assustava e se admirava com a rapidez que ela se acostumava com a tecnologia da época. “Tudo para não enlouquecer como o Frieiri”, dizia todos os dias depois de levantar e tomar o primeiro banho do dia, “tudo para não enlouquecer como o Frieiri”.
– Mãe? – ele estava à porta e a ouviu e levantou a cabeça, estava deitada na cama com as crianças. – Ize e eu vamos a um supermercado 24 horas. A senhora quer alguma coisa?
– Traga duas garrafas de Jack’s, dois Cuervo’s e duas Finlândia’s – ela respondeu sem pensar. – E mais cigarros: Malboro vermelho e Hollywood vermelho. Um maço de cada – terminou. O homem suspirou. “Ok, mãe”, não gostava que a mãe bebesse e fumasse tanto, mas... – Felipe? – ele virou as costas e olhou para ela. – Eu te amo – ela disse –, obrigado pelo dia.
Ele sorriu e foi até à esposa.
A TV iluminava o quarto. Um programa sobre grupos folclóricos brasileiros. Assunto de seu interesse. Ela queria fumar mas não o podia fazer perto dos netos. “Que seja”, pensou. O programa da noite seria sobre o sexagésimo aniversário de um grupo paraense chamado Arraial do Pavulagem. Eis que recordou de quando fora a Florianópolis e conheceu alguns conterrâneos de tal grupo, ela gostava de como eles falavam e riam. O sono dos netos infiltrou-se tenramente no corpo dela, que não ofereceu resistência.
Adormeceu. 




[Momento final]

Felipe e Denize estão no carro, ele pronto para acionar a ignição, quando o telefone toca.
– Alô? – ele atende.
– Felipe Revoredo? – voz de moça, ele olha para a mulher. – Não responda. Essa é uma ligação de uma linha não-identificável e não-rastreável. Meu nome é Mariantônia Vergueiro, do serviço de inteligência das Forças Armadas. Pode pedir, por favor, pra professora Laura parar de falar com a gente quando a estivermos monitorando? Não pega bem pra gente, sabe? Pois é, é isso.
O telefone fica mudo. Ele fica completamente sem reação. Busca na lista de chamadas recebidas e não há registro do último número. O telefone toca novamente.
– Ah – a mesmíssima voz –, e diz pra ela que o bebê da Fernanda já nasceu e o nome dele é Leibniz. O pai dele é físico, sabe como é. Tchau.
O telefone fica mudo outra vez e outra vez não há o último número nas chamadas recebidas.
Ele sai do carro com o telefone na mão. Olha para a casa do avô. Olha para o céu.
“Quem diria... ”




:: para a professora Laura Christina Revoredo Rocha [Campo Grande-MS] ::
:: 29 de abril de 2014 e 14 de janeiro de 2015 ::

quinta-feira, 27 de novembro de 2014

DOIS ESCRITOS EM UMA SÓ MANHÃ.....

Ouvindo: Sugar Kane, A Máquina que Sonha Colorido, 2009.

Heil!
Bom, eu ‘tava conversando com um amigo que conheci no XXXII ENEH, o Anderson (ver Feliz Aniversário, Porra!!!!, de setembro d’ano passado), sobre a falta que sentimos das pessoas que conhecemos em eventos (acadêmicos ou não) e que azedamos de saudade das mesmas. Por causa dessas prosas, escrevi os poemas abaixo ainda hoje - as duas hoje.
Espero que ocê curta, Herr Meister Colombelli.



[!sem título!]

AH!, Irmão-Lobo, eu sei como tu se sentes
Também fico sem dormir ou mesmo também sem dormir direito
Pensando... Sonhando... Lembrando...
Idealizando em como aquela semana que foi uma vida inteira
– nas Semanas-que-Foram-Uma-Vida-Inteira –
Poderia ser melhor
E ainda mais inesquecível.
Lita disse bem que poderíamos morar mais perto para sempre nos visitarmos e estarmos perto quando nos precisarmos.
De manhã desconhecidos, indispensáveis e inseparáveis ao próximo amanhecer
Ah, que Saudade d’ocês todos d’ocês todas
Mesmo aqui em Fortaleza, ainda ouço vossas vozes como se sempre fosse ontem:
Florianópolis, Rio de Janeiro...
AQUI!
Tomara que, um dia, a Saudade cesse...
Tomara que o Amor e o Bem-Querer e a Boa-Vontade nunca se findem!
Devemos... Deveríamos... Podemos... Poderíamos...
Chamar nossos corações de Valhalla por neles estarmos sempre todos reunidos?!?
Fecho meus olhos e ouço Camila-imooto dizer que tudo vai ficar bem e tudo vai ficar certo
E, tal como domingo último, na Praia do Futuro, abro meus olhos com lágrimas suficientes para encher o mar caso este seque um dia...
Mas quem me dera ver a vós todos sorrindo novamente e mais uma vez...!
Mas quem me dera ter Ina-no-Hime em braços e beijos e não em processo de corrosão por sem ela estar...
Mas quem me dera rir alto convosco Claudinei, Clederson e Daniela e Leonardo
Mas quem me dera conversar nerdice com Rodolfo e trocar sorrisos com Júlia Helane, Elisiane e Jacqueline
Mas quem me dera o carisma contagiante de Rodrigo, Juh, Edson e Ricardo
Mas quem me dera vocês todos uma vez... outra vez... novamente...
Para sempre...!
E não mais lágrimas de lembranças, Irmão-Lobo Anderson,
e sim lágrimas por nos termos ao alcance de olhares e abraços.


:: Área 1 do Centro de Humanidades Federal do Ceará ::



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[!sem título!]

E se tudo se basear em Melancolia?
E em Saudade? E em Memória? E em Lembrança?
E em Poesia?
Melancolia e Saudade e Memória e Lembrança fazem parte intrinsecamente inexoravelmente da Cultura da Literatura.
Um dia adoeceriam e quase surtariam de Melancolia e Saudade e Memória e Lembrança...
Angústia e Incompletude...
E parece ser Sempre... sempre estar Entardecendo
O anil do mar e do céu indiferenciadamente em tons de pesar...
O vermelho pintado a carvão do sol e estanho enegrecido do mar como um átomo já submetido à fissão hahniana...
O Vento-Beira-Mar traz as vozes todas ainda tão nítidas
As fotos que não se desgastam no computador que proíbem as imagens nas memórias envelhecerem
Todos iguais que não pertencem a lugar nenhum em separado
Todavia quando unidos formam não somente um lugar próprio mas inclusive uma canção com um poder de um terremoto que pode ser sentido em um país vizinho.
E eu já deveria estar plenamente condicionado a ter o coração partido
Sempre e cada vez com o coração menor com tanta gente chegando, pegando sua parte e partindo via aérea ou terrestre
E até quando? Quando novamente?
Separados somos isqueiros em um show de rock, juntos uma luz que pode ser vista do telescópio Hubble onde quer qu’el’esteja!
Uma país de distância – países de distância nos separam
Saudade e Memória e Lembrança nos juntam inexoravelmente nunca indivisíveis!
Oh... E amor também... E Muito Amor também...!
E quem diria que Guerreiros Vikings pós-modernos contemporâneos
E Poetas Sarracenos (pretensiosamente) undergrounders cyberpunkings
E um dia seremos abençoados e armados por Mestre Allah e Mestre Crom para lutar ao lado de Mestre Odin e Mestre Thor no Ragnarök
Mas, até lá, um Guerreiro Viking pós-moderno contemporâneo e um Poeta Sarraceno (pretensiosamente) undergrounder cyberpunking
permanecerão eretos e em silêncio, cada um em seu extremo da praia,
onde chove incessantemente e perpetuamente
e permanentemente em Melancolia e em Saudade e em Memória e em Lembrança.


:: Passeio Público ::





Bis zu dem breaking fucking neuen Post!

terça-feira, 25 de novembro de 2014

poema para uma ruiva escrito em Fortaleza (mais um...)

Ouvindo: Black Sabbath, Master of Reality, 1971.

(espero que ela goste)


[¡sem título!]

EU lembro da primeira vez que te vi
Nua
Como ainda lembro da primeira vez que te vi
Vestida
Vestida vermelho e branco
E coturnos engraxados e livros nas mãos
Os óculos arredondados com cantos quadrados
Quanto tempo? Quanto tempo faz?
Um ano e um mês e alguns dias da última vez
Que ouvi sua voz
E vi seus olhos sorrindo
Da última vez.
Me apaixono aqui pelo menos uma centena de vezes por dia:
Princesas indo e vindo de seus castelos reinos para os de terceiros
E, como em Casa, me sinto mais um e ainda tão perdido
Sem palavras, sem ter o que dizer
De mãos atadas, sem saber o que fazer
Sem Poesia e Prosa para todas elas
Ah...
Deve ser porque a estadia no Paraíso acabou
Acabou...
E voltar para a Zona de Conforto não mais confortável
De certa maneira... Não me sinto,,,
Aliviado
E muitíssimo menos:
Resignado.
E então o que será? Um passo para a frente, dois para atrás e uma projeção!
Sim, eu volto, volto para os meus Todos, para o meu velho Tudo
Deveria eu me perguntar se voltaria a seus braços, beijos e sorrisos e boa-vontade
(Isto se já não forem de/para outrem?) 
Ainda lembro e sempre lembro que conversamos
É sempre importante e conveniente (e me impede de fazer muita bobagem)
Mas desde já
Desde já saudade deste sol e deste calor,
Vontade de nunca mais voltar:
Para sempre Canoa Quebrada!
Para sempre Praia do Futuro!
O céu azul sem fim e quase sem nuvens...
O mar infinito entre o azul do céu e o verde quase de seus olhos...
Imagine-se tu aqui com a sua não-satisfação com o calor...
Imagine-se tu frente a este mar
E seus cabelos (atualmente lisos ou ainda encaracolados?) esvoaçados pelo vento
Com os pés direto à areia e hipnotizada pelo mar aberto perpétuo
E então
Talvez mais uma apaixonada que nunca esquecerá esta visão...
Imagine-se nós neste cenário
Mesmo não juntos, mesmo somente frente...
Mas ainda assim, nem que estejamos juntos mais uma vez
... pela última vez


:: Área 1 do Centro de Humanidades Federal do Ceará ::
:: Auditório João Albano, durante a palestra Lusophone Studies in the United States: Estudar e ensinar Português em Universidades Norte-Americanas, organizado pela Profa. MSc. Diana Costa Fortier Silva e Fábio Saraiva ::
:: 25 de novembro de 2014 ::

sábado, 22 de novembro de 2014

RELEASE EM PAZ.... REQUIEM FOR UM HERÓI!

Ouvindo: CPM22, A Alguns Quilômetros de Lugar Nenhum, 2000.

Joaquim dos Santos Rodrigues (1927-2014), a.k.a. SEU LUNGA, poeta cearense, repentista e vendedor de sucata residente em Juazeiro do Norte (Ceará).


Vai fazer falta, Mestre!

segunda-feira, 17 de novembro de 2014

WIEDER IN FORTALEZA...

“Hold on to the thread
The currents will shift
Glide me towards you
Know something's left
And we’re all allowed to dream
Of the next...oh, the next.. time we touch..

You don’t have to stray
Tho oceans away
Waves roll in my thoughts
Hold tight the ring...
The sea will rise...
Please stand by the shore...
Oh, oh, oh, I will be...
I will be there once more...”
Pearl Jam, “Oceans”, Ten, 1991.



Mais uma vez em Fortaleza...




Mais uma vez em um lugar que posso chamar de “casa” porque é assim que me sinto aqui...
Saudades de Ananindeua, mas a completude daqui...



(fotos da Praia de Iracema)




“FELIZ ANIVERSÁRIO!!!” e “MUITOS ANOS DE VIDA!!!” para GISELDA FAGUNDES DA ROCHA!!!

TE AMO, SUA LINDA!





Bis zu dem breaking fucking neuen Post!!!

quinta-feira, 6 de novembro de 2014

TEXTOS NÃO-LINEARES - texto 03

ouvindo agora: Napalm Death, Scum, 1987

[pensando agora lendo um artigo]
Como o pessoal pode defender a desmilitarização do Brasil desconsiderando sua posição no cenário geopolítico mundial? Eles (os que  defender a desmilitarização têm algum plano de o que deve(ria) ser feito caso não tivéssemos mais Forças Armadas e o pessoal viesse tocar o caralho em cima da gente?  E caso tal desmilitarização aconteça,  o que pretendem fazer com o monte de sucata que tanques, aviões e navios invariavelmente tornar-se-ão, uma vez o país ainda não tem uma política de tecnologia de reciclagem de metal pesado em escala suficiente?
Bem....... Eu posso estar errado, olha, ou simplesmente pensando merda.
Ou não.




[o artigo em questão se chama A Inteligência em apoio às operações no meio ambiente terrorista, dos Oficiais do Exército Brasileiro Renato de Oliveira Assis, Marco Lúcio Niendziela e Willian Pina Botelho e está disponível aqui]

quarta-feira, 5 de novembro de 2014

LEITURA DO DIA!

Ouvindo: Adele, 21, 2011*.

Sim, eu deveria estar estudando pra prova do mestrado do IME (Instituto Militar do Exército**), mas ‘tô aqui, lendo HQ. E a de hoje é Thunderbolts, da série Marvel Now!, o novo reboot da Marvel. Sim, lembra muito o Esquadrão Suicida da DC em seus melhores momentos, apesar da equipe criativa nem sempre ser a mesma e as histórias não seguirem um padrão aceitável de qualidade (i.e., tem que gostar muito pra ler até o final). Vamos dizer que as majority ones estadunidenses (exceto obviamente a Dark Horse [falei disso aqui] e a Image [falei disso aqui]) estão pisando MUITO na bola e deixando muito a desejar. 



Mas é isso ai.





Bis zu dem breaking fucking neuen Post!


* Na moral, preciso tomar vergonha na cara e parar de ouvir essa mulher!
** Instituto Militar de Engenharia, localizado no estado do Rio de Janeiro, fundado em 1959 a partir da fusão da Escola de Engenharia Militar, criada em 1931, com o Instituto Militar de Tecnologia, criado em 1941.

terça-feira, 30 de setembro de 2014

DIRETAMENTE DA UNIVERSIDADE FEDERAL DO PARÁ......

...... mais uma formatura do curso de Letras!



Glauco Maurício Oliveira e Andressy Jefferson Cordovil (os de becas, é claro)
FINALMENTE, PORRA!


Momó, Pojo, Charlie e Pantoja - OS PRÓXIMOS SÃO VOCÊS!

terça-feira, 9 de setembro de 2014

PASSAGEM DO DIA........

“Nenhum período da história humana foi tão penetrado pelas ciências naturais e tão dependente delas como o Século XX. Contudo, nenhum outro período sentiu-se menos à vontade com suas potencialidades. Ciência – tão poderosa, tão impotente. Dentre os paradoxos que emergem do projeto iluminista de desenvolvimento, do qual ciência e tecnologia fazem parte, destacam-se o uso militar dos conhecimentos científicos, a progressiva deterioração do meio ambiente, a perpetuação e intensificação das desigualdades sociais, o desemprego estrutural latente. O espírito da Revolução Científica, o da ciência para o bem do homem e para glorificação de Deus, está longe de ser plenamente corporificado pelo sistema capitalista.
Entretanto, apesar dos fatos levarem a uma certa demonização da ciência e da tecnologia, foi a Segunda Guerra Mundial que consolidou a crença na importância da ciência não só para ganhar guerras, mas também para gerar dividendos na paz. Foi a tecnologia de base científica que dominou a expansão econômica da segunda metade do Século XX, configurando-se como corolário da aplicação sistemática da ciência à produção a aceleração da inovação tecnológica. Diante dos ventos da destruição criadora, tudo que é sólido e estável se evapora. A própria sobrevivência do capital passa a depender do desenvolvimento tecnológico e, por conseguinte, do progresso da ciência.”
– MEDEIROS, T. R., Entraves ao Desenvolvimento da Tecnologia Nuclear no Brasil: Dos Primórdios da Era Atômica ao Acordo Nuclear Brasil-Alemanha. 2005. Dissertação orientada pelo Prof. Dr. João Antonio de Paula. Universidade Federal de Minas Gerais: 2005.

sábado, 6 de setembro de 2014

ÓCULOS E BATOM VERMELHO

ÓCULOS E BATOM VERMELHO



ELE DORMIU MAS NÃO MUITO, NÃO O TANTO QUE DEVERIA, NÃO COMO ELA. Não acreditava, parecia um sonho de adolescente – todavia um realizado. O corpo dela colado ao dele, a cabeça usando um braço como travesseiro e a outra mão sobre a barriga, segurando a mão dele, não prendendo todos os dedos mas garantindo que ele estivesse lá quando ela acordasse. O contraste de peles não era visível devido à sombra constante dentro da barraca, e o sol ainda não havia encontrado o lugar, ainda protegido pela sombra do prédio de salas. Ainda não calor, o suor já seco. Na cabeça dele, não parecia real que estivessem lá, ele costumava ficar perdidamente encantado com mulheres como aquela, mas não enfim estar com elas como estivera desde... Não lembra desde que horas estava lá, mas que a lua ainda em riste. Temia pensar em voz alta para não acordá-la. Não, queria acordá-la para transar mais. Na verdade, não sabia o que queria de fato além de não querer que aquele momento não acabasse tão cedo. O nariz colado às costas dela, a barba negra roçando à pele branca, ela estava sorrindo de boca aberta, a pele não mais vermelha nem rosada. As formas dela maiores que as dele, altura inclusa, e isso muito o agradava, tanto que o conjunto da moça fora o que fizera seus olhos brilharem. Isso foi no dia anterior. “Anterior?”, ele pensou. Em um encontro de estudantes, não existe uma noção de tempo muito definida. Fechou os olhos.
“EI, GAROU! EI, GAROU! EI, GAROU!”, ele abriu um olho. Gritos. Estavam longe. Na próxima não tão longe. Cada vez mais perto. Fechou os olhos, desejando que sumissem, que não fosse com ele. Mais perto. Por um momento, pensou de quem era aquela barraca, ela o puxara pela mão, o empurrou para dentro. No momento seguinte, o escuro e ela por cima dele – sem óculos. O primeiro beijo.
“MALAFAIAAAAAAAAAAAAAAAAAA!”
Estava bem perto, quase do lado. Ela puxou os braços dele para mais perto, praticamente em seus seios. Quadris encaixados. Olhos fechados e rosto incrustrado às costas dela. Ela movia a cabeça, suspirava morno, mas lhe era muito agradável.
“MALAFAIAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAA!”
Abriu os dois olhos de uma vez. Estavam do lado deles. Prendeu a respiração. Sentiu ela se mover com o segundo grito, e se mover forte. “Que porra é essa?”, se perguntou em voz alta. Virou-se para ele. Eles se perguntavam onde ele estava, que respirou fundo. Ele a beijou antes de vestir a bermuda e sair. “Onde porra...?”, ela perguntou.
Os rostos deles brilharam como sóis morrendo. “CARALHO, TU ESTAVAS ONDE, PORRA?!? TU TENS QUE VER ISSO!!!”, gritavam e o puxavam pelo braço. Ele pediu para esperar, foi até ela que estava sentada no colchão de ar, nua, puta da vida, cabelos atrás das orelhas, deitou-se novamen-te. Então a beijou, dizendo que voltaria logo, ela segurou o rosto dele com as duas mãos, prolongando o beijo de batom vermelho, ele fechou a barraca para transarem novamente antes de sair outra vez. Eles não se aguentavam os esperando terminar, cada um com um cigarro na mão. O sol já começava a incomodar. A universidade estava começando a ficar movimentada devido ao café da manhã. “‘BORA, PORRA!”, Valmir e Anderson gritaram, balançando a barraca. 
“Malafaia”, Rodolfo disse, “tem um REX perto do R.U. !”
O mundo parou pro barbudo.
“Um REX?!?”, ele disse de dentro da barraca, ela não entendeu. Os rapazes e as moças sorriram uns para os outros. Ele sorriu para a moça, e terminaram o que estavam fazendo. Se beijaram muito antes de ele dizer “já venho” e se vestir para sair. 
“Um REX?!?”, ele perguntou. Talita e Camila sorriram. “Um REX”, Rodolfo respondeu, os olhos brilhavam. “Onde?” – a pergunta. “Vamos lá”.

SIM, ERA UM REX. Meio submerso, não podiam medir o quão estava destruído, mas sim. Era um Metal Gear REX e estavam admirados do porque os militares ainda não estarem lá. Todos seriam presos e levados para só-os-Deuses-sabem-onde, fichados e presos por tempo indetermina-do. Dos videogames direto para os seus olhos e no último lugar pensado. Ele mordeu os lábios antes de olhar para Rodolfo, os dois sorriram. O clássico cumprimento de socos entre garotos. Suspirou. Olhou para Talita, Camila, Matheus, Valmir, Anderson, Thaynara e Lucas. Um mais profundo. “Foda-se”, pensou. “Manda todo mundo sair daqui”, ele disse.
“Daqui de onde?”, Matheus perguntou. 
“Daqui da UECE ”, ele disse, “os militares vão estar aqui a qualquer momento e vão levar todo mundo daqui.”
“Militares?”, Talita perguntou. Ele abraçou as meninas antes de entrar na água, para surpresa de todos. “Mas que porra...?”, se perguntaram. Nadava bem, chegaria mais rápido se não fumasse e não bebesse tanto nos últimos dias. Eles se perguntaram que diabos ele faria lá. Não teve tantas dificuldades para subir devido o tanto de brechas e cavidades que facilitaram o processo. O cockpit era liso e não tinha muitas superfícies de apoio, mas enfim chegara e... Os pelos dos braços ficaram eriçados, olhou para o horizonte.
Helicópteros de hélices duplas vindo em sua direção. Nas estradas, caminhões e jipes.
Pensou em seus irmãos e em suas irmãs. E em Kathaerine.


“Não...”




:: sobre o XXXIII Encontro Nacional de Estudantes de História, Fortaleza – Ceará, 16 a 23 de agosto de 2014 ::
:: o projeto do conto foi escrito no evento, o dito foi produzido em 02, 03 e 04 de setembro de 2014 ::
:: para Caroline Cardoso Silva, Camila Valvassori e Matheus, Talita Ricieiri, Rodolfo Green, Valmir Júnior, Anderson Matos, Priscilla Thaynara Silva e Lucas Moreira ::

segunda-feira, 1 de setembro de 2014

FEITO DE UMA SÓ PORRADA!

Ouvindo: Johnny Cash, My Mother's Hymn Book, de 2003


[¡sem título!]
AH!, quem me dera seus sorrisos...
Quem me dera seus olhos...
Quem me dera seus risos...
Quem me dera suas mãos às minhas...
Ah!, mas quem me dera seu silêncio...
Quem me dera sua voz...
Quem me dera seus cabelos soltos...
Quem me dera sua pele alva já em vermelho...
E quem me dera tu como viestes...
Ah!, enfim quem me dera tu vista de baixo...
Quem me dera tu banhada de suor...
Quem me dera suas palmas em meu peito...
Quem me dera suas mãos em minha barba...
Quem me dera tu acordando o mundo pela boca...
Mas ah!, quem me dera tua cabeça em meu ombro
Quem me dera eu encrustado em seu abraço...
Quem me dera tu do meu lado enquanto amanhece...
Quem me dera seu beijo como um átomo sendo partido...
Ah!, quem me dera, meus Pais e minhas Mães, de te ver dormindo...
De não quereres levantar da cama...
Ah, quem me dera te ver acordar...
Quem me dera tu escondendo o rosto, “não quero que me veja assim”...
Por fim, ah!, quem me dera tudo isso acontecer...
Quem me dera seres Mulher e não somente Musa Inspiradora...
Quem me dera estares alcançável carne e não somente Poesia...
Quem me dera minha cabeça em suas pernas...
Quem me dera tu como Beijo e como Toque...
Quem me dera...

:: 01 de setembro de 2014 ::